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Foi O nome da Rosa que fez a minha geração se interessar pela idade média italiana e as relações incestuosas de poder entre igreja católica e políticos locais. Depois vieram outros clássicos, como Os Borgias, que abriram universo de reflexões e críticas.

Aceitei o convite para assistir Sangue do meu sangue por ver neste filme um universo semelhante.

Vencedor do prêmio da crítica no Festival de Veneza 2015, o filme do prestigiado cineasta italiano Marco Bellocchio foi considerado por críticos um primor de vitalidade e apuro.

Li que no roteiro, que colhe parte de sua inspiração de um episódio do clássico romance histórico italiano “I Promessi Sposi” (1827), de Alessandro Manzoni, alternam-se duas épocas.

E aqui tem uma pausa para comentar o livro, pois se tem uma coisa que gosto é essa mescla de cinema e literatura.

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Esse livro se chamou “Os Noivos” na tradução brasileira e é considerado um legítimo representante do Romantismo histórico italiano.
Na Lombardia, entre 1628 e 1632, Renzo e Lúcia, camponeses analfabetos, moram numa pequena vila e pretendem se casar, mas são impedidos por um fidalgo devasso que nutre uma paixão pela noiva. A crítica à relação promíscua entre o clero e a política local está presente, pois o vigário local ne nega a realizar a cerimônia por medo de Dom Rodrigo, o homem mais poderoso da região, que tem poder inclusive, sobre a vida e a morte daqueles com quem se envolve. Se você se interessou, saiba mais nesta resenha.
E sobre o filme:

No século 17, um nobre, Federico Mai (Pier Giorgio Bellocchio), tenta obter da Igreja a permissão para o sepultamento de seu irmão, Fabrizio, um frei que se suicidou, em campo santo. Para admiti-lo, os superiores eclesiásticos do convento obcecam-se por obter uma confissão da monja Benedetta (Lidiya Liberman) de que fizera um pacto com o demônio, seduzindo o frei suicida, o que o liberaria de toda culpa pela morte auto-provocada.

Transfere-se a ação para a época atual, quando um funcionário corrupto do governo (Pier Giorgio, de novo) e um empresário russo (Ivan Franek) tentam comprar as dependências da velha prisão/convento, em cujos quartos úmidos e corredores desolados habita apenas um velho e misterioso conde (Roberto Herlitzka). Este só é visto à noite pelas ruas da cidade e sobre ele paira a sólida suspeita de que seja um vampiro.

Tentações e crendices são sinais da época.

E o filme tem um quê italiano, com ênfase na crítica ao moralismo doentio da religião, a força indomável dos sentimentos mais vitais do ser humano, a ambição desmedida e – aqui entram as coisas que eu não curto e que não me atraem em filmes ou livros – “a aliança subterrânea e sinistra dos eternos poderes do mundo, à qual cabe muito bem a metáfora do vampirismo, impregnada de um humor negro”. Enfim, eu não sou o público para este estilo, mas, pela crítica e a reação – o filme italiano venceu prêmio de crítica do Festival de Veneza 2015 – muita gente gosta!

O filme está disponível em plataformas de streaming. Eu vi na AppleTV.

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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.

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