Dica de filme: O caderno de Sara

Ando meio desanimada com filmes na Netflix… você também?

Apesar de tudo, eu insisto! E no feriado vi “O Caderno de Sara”, uma produção espanhola que vale o tempo. Forte, tendo, educativo, necessário.

Sob o título original “El cuaderno de Sara”, o filme foi dirigido por Norberto López Amado e estrelado por Belén Rueda, atriz queridinha da TV espanhola (Los Serrano e Médico de familiae por filmes como El orfanato e Los ojos de Julia – e que está bem no papel.

O começo da noite teve nova tentativa com filme #originalnetflix. Demos mais sorte hoje do que no feriado, quando tentamos ver #cargo – aquele filme de #zumbis na #Austrália que definitivamente não recomendo. 👎🏻 Já “O Caderno de Sara” vale o tempo. Forte, tendo, educativo, necessário. Produzido neste ano, o filme espanhol conta o drama de Laura Alonso, uma advogada que sai de Madri para a República Democrática do Congo, na África Central. O filme se desenrola quando Laura vê uma foto de sua irmã mais nova, Sara, uma médica que atuava em missões na região e que ela pensava que estivesse morta, depois de dois anos desaparecida. Sob o título original “El cuaderno de Sara”, o filme foi dirigido por #NorbertoLópezAmado e estrelado por #BelénRueda. A produção é da Telecinco Cinema, Ikiru Films e Sara AIE, com a colaboração de Espanha Mediaset e a participação da Movistar +. O filme foi gravado em oito semanas na República do Uganda e na ilha de Tenerife. #uganda #congo #ruanda #africa #espanha #onu #missoes #medicossemfronteiras #igualdade #empatia #solidariedade #politica #cultura #educacao #empoderamentofeminino #somosmulheres #empodereduasmulheres #igualdaderacial #afrobetizar #impactosocial #netflix #cinemaemcasa #agentenaoquersocomida #avidaquer @avidaquer por @samegui

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Produzido neste ano, o filme conta o drama de Laura Alonso, uma advogada que sai de Madri para a República Democrática do Congo, na África Central. O filme se desenrola quando Laura vê uma foto de sua irmã mais nova, Sara (vivida por Marian Álvarez), uma médica que atuava em missões na região e que ela pensava que estivesse morta, depois de dois anos desaparecida.

A embaixada espanhola no país africano não tem pistas de onde ela poderia estar, mas Laura não acredita que ela esteja morta e sai numa busca meio louca pela irmã… louca porque tudo indica que a foto foi feita na região de Goma, uma das áreas mais conflituosas do país devido à guerra pelo controle do coltan (um mineral cobiçado e valioso, do qual se extrai o nióbio e o tântalo, que no enredo se explica que são minerais valiosos para fazer aparelhos eletrônicos como celulares), porque ela não sabe o idioma e tampouco detalhes ou um mínimo de contexto do país que pretende desbravar e sobretudo porque no fundo ela não tem absoluta certeza dos motivos que a levam a essa empreitada maluca.

Até onde ir para se encontrar um familiar desaparecido? As escolhas que nossos amados fazem, já adultos, devem ser questionadas ou alteradas por nós? Onde acaba o livre-arbítrio quando se trata de amor?

Por se passar nesta região tão esquecida pelos “países civilizados do Ocidente”, o filme nos incita a pensar sobre o valor da vida e, como em outros que se passam na região – Diamante de ouro e Hotel Ruanda, para citar só dois –  leva a reflexões sobre a banalização da violência nos dias atuais.

Um destaque é o personagem Jamir, vivido por Iván Mendes, que faz um contraponto jovem e local a personagem de Laura e, não posso contar os motivos, ele define o destino da personagem. 

Nunca fui a África, embora eu tenha este sonho de conhecer o continente que tem tanta ligação com o nosso Brasil, por conta de amigos missionários que atuam por lá – já falei aqui do Projeto Bunekas na Guiné Bissau e da moda em Angola – e que sempre reacendem um carinho pela região.

#unschooling de hoje: aprender que com tecidos e fios podemos costurar bonecas, amizades, esperança e fé na humanidade. Manu me acompanhou à nossa querida @oficialibab para o mutirão do @projetobunekas (para meninas da Guiné Bissau, como contei no @avidaquer) e tive a imensa alegria de ajudá-la a construir memórias maravilhosas da capacidade humana de fazer o bem e de viver efetivamente a #empatia e o #amoraoproximo tão "teorizados" por aí. ❤ Gratidão imensa Michelli e Silvia pela oportunidade e a todos os envolvidos neste projeto lindo por existirem. Quanto amor envolvido ❤ #obrigadasenhor #pequenasalegrias #contesuasbênçãos #maisamorsemfavor #encontrosquetransformam #menospresentemaispresença #maecomfilhos

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O filme foi gravado em oito semanas na República de Uganda e na ilha de Tenerife.

Quem lê o A Vida Quer sabe que eu gosto de aproveitar os filmes, séries e livros para aprender.

Uganda é um país sem ligação com o mar no leste da África, com fronteira a leste com o Quênia, a norte com o Sudão do Sul, a oeste com a República Democrática do Congo, a sudoeste com Ruanda e a sul com a Tanzânia. Uganda é o segundo país sem litoral mais populoso no continente africano. A parte sul do país inclui uma parcela substancial do Lago Vitória, compartilhado com o Quênia e Tanzânia, situando o país na região dos Grandes Lagos Africanos.

A partir de 1800, a área foi governada como uma colônia pelos britânicos, que estabeleceram o direito administrativo em todo o território.

A gente acha que os problemas são locais, mas a globalização começou nas colônias, sabem? Os problemas de hoje começaram lá atrás!

Uganda ganhou a independência do Reino Unido em 9 de outubro de 1962. O período, desde então, tem sido marcado por conflitos intermitentes, mais recentemente, uma longa guerra civil contra o Exército de Resistência do Senhor, que resultou em milhares de vítimas e deslocou mais de um milhão de pessoas.

Mas há esperança, pois o país tem recursos naturais substanciais, incluindo solos férteis, chuvas regulares e depósitos minerais consideráveis ​​de cobre e cobalto. O país tem reservas, em grande parte inexploradas, de petróleo bruto e gás natural.

Sabendo dos recursos naturais, fica fácil entender porque a guerra assola o país, né?

Além da parte humanitária, essa questão, a dos recursos naturais, é um dos insights mais interessantes do filme O caderno de Sara e  por isso recomendo o filme.

🙂

 

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Com 63 milhões de habitantes, a República Democrática do Congo é um dos maiores países africanos:

Congo

 

Alguns filmes, bem como faces de nossa realidade mundial, a gente evita ver. Se compadece ao ouvir falar, mas, digo com franqueza sobre mim, não encaramos. Parece-nos que não encarar a imagem mudaria a realidade. Em alguns momentos eu ajo assim. Não sou como minha amiga Aline, que consegue viver focando só o positivo, mas noto em mim uma tendência, especialmente depois que me tornei mãe, de evitar os confrontos emocionais de notícias e imagens duras. Claro, vejo telejornal (ao acordar e ao deitar) e acompanho notícias na mídia, não fujo da realidade. Mas evitei por meses um filme que sabia que era bom, mas não sentia que conseguiria acompanhar até o fim: Hotel Ruanda.

Hotel Ruanda

 

Vivi a infância ouvindo falar das crianças da Etiópia que passavam uma fome descomunal e das famílias sofridas do Sertão Nordestino que não tinham água para sobreviver, sempre tendo estes exemplos como motivos para eu não desperdiçar o que tinha de benefícios na vida.
Isso moldou muito do que sou, mas, é triste, não me levou à África ou ao Sertão como missionária. Continuo por aqui, levando a mesma vida boa de sempre. Anos depois, vejo meus filhos sofrendo com as notícias e me entristeço por ver que alguns nomes de regiões até mudaram, mas a desigualdade e a miséria humana não. A Unicef alerta que a grave desnutrição que afeta países como Nigéria, Somália, Sudão do Sul e Iêmen apresenta “iminente risco” de morte para 1,4 milhão de crianças pela crise de fome nessas regiões.

O que você sabe sobre a Nigéria, Somália, Sudão do Sul e Iêmen?

 

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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.