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O filme A Viagem (em inglês, Cloud Atlas) é uma obra de ficção científica e aventura. Ele apresenta um conceito de ordem cronológica. Nele, há várias linhas do tempo: os anos 1970, um futuro controlador, um futuro pós-apocalíptico, a América Colonial, o começo do século XX e os dias de hoje.

Os Anos 1970 falam de uma repórter indo atrás de um grande caso policial. Isso põe sua vida em risco em diversas formas, tudo a partir de um incidente em um elevador.

O Futuro Controlador sugere como seria o mundo após 129 anos – haveriam pessoas clonadas para fazerem nossos serviços e elas obedeceriam a nós em tudo. Porém um “clone” se rebela e isso leva à uma revolução completa na cidade fictícia de Nova Seoul (na Coréia).

O Futuro Pós-Apocalíptico traz um mundo após a revolução anterior, supondo que o mundo havia passado por uma crise e que voltamos à idade tribal. Ainda há um pequeno grupo de pessoas que sobreviveram, com tecnologia muito avançada. Lá, eles acreditam em uma divindade. Há a todo momento um “vilão”, como o diabo à sua volta, chamado de Velho George, que tenta influenciar suas mentes.

Os Dias de Hoje contam sobre um editor renomado, que tem um escritor que comete um assassinato para a repercussão de seu livro. Ele então fica preso em um asilo, para conseguir dinheiro para pagar a gangue do autor do livro.

No Começo do Século XX, a história fala de um homem, que vai trabalhar na casa de um músico famoso. Ele é homossexual em segredo (pois na época era crime em alguns países), e se envolve com o músico, imaginando que fosse como ele. Porém é incompreendido e se mata, em desgosto. Antes, porém, ele compõe uma música que viraria um sucesso anos depois.

Na América Colonial, um advogado americano em uma viagem pega uma grave doença. Por ter renome, o seu médico, que conhecera algum tempo atrás, antes de sair de viagem, quase o mata, mas é salvo por um escravo abrigado, que implorou para não ser denunciado. Ele então se junta aos abolicionistas após a experiência.

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A primeira impressão que se tem é de que as histórias são muito separadas, e ao mesmo tempo paralelas, porém, elas se desenrolam com grande influência uma com a outra.

O roteiro que se mostra no decorrer do filme favorece totalmente essa visão. Por exemplo, o ajudante do músico lia o diário do advogado, e a música que eles criam tinha a inspiração em tal diário. A música, por sua vez, é a música mais ouvida pelo editor de livros, que cria um filme, que é a primeira visão da clone do futuro controlador. E ela, por se libertar do regime de escravidão dos “impuros”, é a divindade cultuada pelas tribos no mundo pós-apocalipse.

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De primeira impressão, todas as histórias são diferentes. Porém, é possível ver uma conexão clara em todas: elas tem as mesmas pessoas, nas mesmas posições, todas com um objetivo: liberdade. Isso é muito bem representado por usarem os mesmos atores e atrizes várias vezes, até trocando de sexo em alguns casos.

Alguns podem dizer, sem medo de errar, que esse é apenas um filme, com a intenção de apenas nos entreter. Porém, o significado, além de conectado por dentro da trama do filme, está muito bem representado fora dele. Ele tem um objetivo que é muito claramente o mesmo que o nosso, mesmo que não admitido: a busca e a luta pela liberdade.

Segundo um documentário de carater filo-sociológico, denominado A ilha das flores, “Liberdade é um estado que não pode ser descrito, mas não há ninguém que não saiba como é”.

Todos vamos ao trabalho, trabalhamos, estudamos, voltamos e ficamos em tempo de lazer. Somos diferentes, pessoas com vidas paralelas, mas a todo momento conectadas. Estamos mesmo que sem querermos, sem falar uns com os outros, em sinergia, e mais que isso, ligados.

Esse trabalho, que veio de uma impressora provavelmente construída na China, que passou pelas mãos de um funcionário desconhecido por nós, feito por uma máquina feita de ferro, com carvão vindo de uma das 40 minas de carvão abertas por semana na China. E isso só foi feito devido a um engenheiro de algum lugar entre a Ásia e a Europa, que criou a impressora, as esteiras, a máquina criadora de impressoras e as máquinas para a extração mineral.

Qual a conexão direta entre o leitor deste texto, com o funcionário de uma fábrica de algum lugar desconhecido da China? Provavelmente não há diretamente, mas se visto indiretamente, há total ligação.

E isso pode ser aplicado a qualquer outro fator usado para criar este trabalho. A tinta, o papel, ou até mesmo os desbravadores que vieram até aqui para colonizar o país aonde isso foi feito. Ou até os atores e atrizes que fizeram esse filme usado como base para o que aqui digo.

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Então, após toda essa viagem, volto ao primeiro ponto: liberdade.

Liberdade seria algo condicional? Algo que deveríamos ver como ato, estado ou sensação? Como dito anteriormente, é um estado inalcançável. Mas a mesma liberdade de um escravo solto é a de quem acaba de sair do trabalho?

A liberdade é algo que estamos caçando de olhos fechados. Então, se quisermos chegar a liberdade, é preciso uma meta para a liberdade. O que você faz ao vir para a escola que todos os outros alunos não fazem? Acordar, se arrumar, sair para o lugar e fazer o labor. Voltar e ter liberdade.

É um ciclo igual a todos nós. Por mais que não se perceba, estamos sempre presos a um modelo, a uma rota de viagem. E no fim dela a cada vez, nós sentimos liberdade. E após isso, a viagem recomeça.

Então, tudo que conhecemos tem alguma ligação, mesmo que indireta. E todos procuramos a mesma coisa, liberdade, deixando todos interligados. Fazemos as mesmas coisas, acabamos elas, estamos livres, e é o fim.

Esta é a nossa viagem, de todos nós.

Porque como dito, somos todos gotas na infinidade de um oceano. Mas o que é um oceano senão uma infinidade de gotas?

Veja o trailer:

(Este texto foi originalmente feito para a disciplina de Filosofia do Ensino Médio)


Comments

  1. Este filme é maravilhoso e a apreciação do Enzo é de babar! Adorei!!!!

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