Dia do jornalista

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Quem lembrou, logo cedo, foi Nadja, estudante de jornalismo em Salvador. Depois vieram muitos parabéns pelas redes sociais.

Fiquei me perguntando se é assim mesmo. Quer dizer, quando eu era estudante como a Nadja (me formei em 1997, daqui a 3 dias eu completo 11 anos de formatura, ou seja, era estudante no advento da internet e antes dos blogs) era verdade, o jornalista ainda respondia pela notícia.

Ele era o detentor do quarto poder! Mas e hoje? O que é?

Não creio mais nesta hegemonia profissional e sinto que muita coisa vai mudar. Há uma nova geração de jornalistas que se forma, como pessoa e profissional, já com status de blogueiro famoso e com isso trata a notícia como um acréscimo à sua opinião pessoal. Eu conversava – e muito – com Renata Ruiz sobre esta mudança de foco, que tira o jornalista do papel de investigador e redator da notícia e o coloca como o personagem que a vive. Não nomeamos assim, mas eu pondero aqui, com meus botões, que o blog como mídia nos leva, inexoravelmente, ao jornalismo gonzo.

No sábado estivemos no Gafanhoto, espaço inovador e que já começa a ser um “tradicional” ponto de encontro para desconferências de blogueiros, para ouvir uma proposta de Edney, vulgo Interney. Foi meu primeiro evento porque até agora não me sentia parte desta blogosfera que se reune e tem o que conversar. Na verdade, continuo sem saber se sou, mas agora eu sou a editora do Nossa Via e a presença às vezes é institucional. Mas não foi. Salvo o encontro com o sempre atencioso e simpático Manoel Fernandes, da Bites, não troquei cartões, não fui apresentada a ninguém (acho que, no fundo, Renata e eu, como as “mocinhas”, ficamos esperando esta cortesia de nossos colegas acompanhantes, que machismo!!!), mas aproveitei para reflexionar sobre esta nova “fauna” (sem ofensas, por favor, estou influenciada pela idéia bárbara de um portal de blogs científicos) na qual me inseria.

Quer saber? Eu gostei, achei o formato bom, as pessoas, mesmo um pouco “estrelinhas”, são abertas e principalmente a conversa de negócios funciona. Com paradas nos momentos certos e um boa condução, o evento foi bastante adulto e meu temor era, no fundo, estar num encontro de adolescentes tardios. O que encontro nos blogs atualmente é exatamente o oposto: uma seriedade, profissionalismo, competência que me animam por se apresentarem juntos. O jornalismo só tem a ganhar com isso.

Por falar no jornalismo, a principal proposta do encontro era um convite para a formação de blogueiros repórteres que escreverão numa publicação (revista de verdade) com nome ainda a ser definido (Vox Blog é uma das opções). A novidade é interessante e acredito que vai aproximar blogueiros e jornalistas, porque desmistifica a idéia de que é fácil produzir notícia que contenha “fonte (no sentido jornalístico da palavra) e algum tipo de apuração (no sentido jornalístico da palavra). Não vale usar material pronto da mídia tradicional ou de outros blogs como fonte. Mas vale entrevistar pessoas da mídia tradicional ou blogueiros como fonte para o seu artigo“, tudo nas palavras do mentor do projeto.

Não sei se estamos prestes a encontrar um novo formato e uma nova forma de convivência e de produção de notícia, mas fico contente com a oportunidade de debate ou mesmo embate. E estou ansiosa para o Newscamp, que no próximo sábado vai discutir estes e outros temas lá no Gafanhoto. Você ainda não decidiu se vai? Passa no blog oficial, leia um pouco e acompanhe o esquenta (semana passada Conversamos sobre jornalismo e novas mídias) e creio que você acabará deixando seu nome como possível participante. 🙂

P.S. Segundo a wikipedia: O jornalismo gonzo é por muitos nem considerado uma forma de jornalismo, devido à total parcialidade, falta de objetividade e pela não seriedade com que a notícia é tratada, fugindo a todas as regras básicas do jornalismo. O estilo vigora até os dias de hoje e ganha maior número de adeptos entre jovens, que se interessam pela narrativa literária de vivências e descobertas pessoais em situações extremas ou de transgressão. Se o jornalismo gonzo é ou não um modelo jornalístico, se é subjetivo demais ou se não é digno de crédito, são questões que permeiam o ambiente acadêmico.
O originador do estilo foi o jornalista norte-americano Hunter S. Thompson. O termo foi cunhado por Bill Cardoso, repórter do Boston Sunday Globe, para se referir a um artigo de Thompson. Segundo Cardoso, “gonzo” seria uma gíria irlandesa do sul de Boston para designar o último homem de pé após uma maratona de bebedeira.
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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.

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