cultura web / sustentabilidade
[Este texto seria publicado ontem, 15/03, Dia do Consumo, mas acabou ficando no rascunho por conta da correria do dia. Peço desculpas e posto atrasado]

“A data foi celebrada pela primeira vez em 1983, em menção à declaração do ex-presidente norte-americano John Kennedy feita ao Congresso Americano em 15 de março de 1962 sobre proteção dos interesses dos consumidores.”

Mas o que mudou nesses 28 anos de comemoração de Dia Do Consumidor? Vejo que temos dois divisores de águas neste tempo: o Código de Defesa do Consumidor que “revolucionou” as relações jurídicas de consumo, permitindo que novas regras, algumas únicas das relações comerciais, surgissem e que abriu espaço para uma nova interpretação de tais relações. Vivi esta fase com muita intensidade pois, como já contei outras vezes, a assessoria de imprensa do Procon-PR foi meu primeiro emprego como jornalista. A lei é de 1990 e eu estava no Procon em 1996, no auge dos direitos do consumidor, época em que, ao atender os repórteres e pauteiros de TVs, rádios e jornais do Paraná, aprendi muito sobre os erros que não queria cometer como consumidora.

Mas, acima de tudo, aprendi sobre a voz que eu tinha como parte da cadeia produtiva, a parte final, verdade, mas ainda assim parte importante e que tem muitos direitos e deveres. Neste tempo de blog eu, ainda que sem querer, tenho usado a facilidade de acesso às informações e aos serviços de proteção dos direitos do cidadão para tratar do tema aqui no blog e sempre que falo em público gosto de reforçar que meu maior papel é de representante do “consumidor 2.0” que bloga quando gosta, tuita quando não gosta, faz movimento, participa, agita e muda os rumos do mercado de consumo quando se une.

“O brasileiro não é de briga, ademais, sabe que a Justiça é lenta e cara, que é penoso a ela recorrer”

Será que ainda é assim? Infelizmente acho que é, apesar dos esforços de entidades como o IDEC e o Procon. Parte destas dificuldades é porque não conhecemos a fundo os direitos que temos e não raro perdemos a chance de sermos mais bem atendidos e tratados. Por isso achei interessante saber que está sendo relançada hoje uma obra que ajuda nesta nova alfabetização: em Descomplicando o Código de Defesa do Consumidor (Ed. BestSeller), Lúcio Wandeck examina e explica com minúcia necessária tudo o que o consumidor e o fornecedor precisam saber. Postei na Fanpage do @avidaquer uma entrevista com ele sobre a data.

Mas e como as empresas podem atender aos novos consumidores da era digital?

Este é o grande segredo que todos querem descobrir em 2011. Para começar, vale ler o relatório “Consumer 2020: Reading the Signs” (disponível para download aqui) que analisou o mercado consumidor mundial e traçou expectativas para os próximos dez anos e sugere que “os futuros compradores passarão a valorizar produtos locais de baixo custo, valorizando também uma produção sustentável”. De acordo com o relatório, “aparecerão 800 milhões de novos consumidores com origem numa classe média proveniente de mercados emergentes e para suportar o brusco crescimento, as empresas devem pensar em reestruturação, desenvolvendo novos produtos e serviços”.

“Todos os dias surgem novas maneiras de atrair os consumidores; as compras coletivas, os leilões online, os agrupadores de ofertas, as próprias redes sociais, o reclame aqui”.

Existe uma série de inovações tecnológicas que vêm para abocanhar essa fatia do mercado em constante crescimento e o perfil do consumidor, enquanto internauta evoluiu de diversas formas, mas como podemos ser consumidores e não nos perdermos no consumo vazio?

Encontrei uma boa resposta para isso nesta frase do doutor em economia e religião Jung Mo Sung, um coreano radicado no Brasil e que debatia com o mestre em religião Ed René Kivitz como ser cristão (e aqui, se preferir, não leia cristão, mas como ser correto) numa sociedade de consumo.

“O problema não é o consumo, o problema é você pensar que vale pelo que você consome.”
@jungmosung

Com esta ideia, convido-os a uma reflexão nesta data, para pensarmos (e conversamos, aí, nos comentários) sobre o que queremos ser no papel de consumidores 2.0 e o que queremos ser na cadeia produtiva: títeres conduzidos pelas mãos os marqueteiros que nos convencem de que o que consumimos nos define ou pessoas que compram conscientemente e desempenhando seu papel contribuem positivamente para o progresso da sociedade?

Eu e meu violão #aos10

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E para quem se interessa por uma visão crítica no Dia do Consumidor, sugiro a leitura de posts de blogs amigos:

  • @1001roteirinhos Refletindo no dia Mundial do Consumidor http://me.lt/6C79f
  • @crescer Um estudo da Universidade da Pensilvânia mostrou que as crianças são guiadas pelos desenhos nos pacotes dos produtos e não pelo sabor http://ow.ly/4fdVC
  • @comercrescer Refrigerante X infância http://ow.ly/4fdUi
  • @blogdati Criança, a alma do negócio. Vídeos e contribuição http://ow.ly/4fdYf
  • @deboradubner Entrevista com psicóloga do Projeto Criança & Consumo http://bit.ly/fMhVmy
  • @tuliomalaspina O dia do consumidor e o relacionamento das empresas http://ow.ly/4fGuN
  • @luivanike: Coluna “Salve Jorge” vai dar as dicas de como criar um mundo ecológico para o seu filho — e vice-versa http://ow.ly/4fGA6
  • @telmaciel De Casa Nova: Publicidade para crianças. Para crianças??? http://ow.ly/4fIwW
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Você pode gostar também de ler:
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Esta é para quem quer reduzir (ou evitar) o tempo das crianças em frente ao
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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.

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