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Foto: Renato Moura, Voz da Comunidade

No Dia da Consciência Negra de 2012 escrevi um post para a Disney Babble no qual falava da minha condição mestiça e do quanto ter contato com a cultura dos meus ancestrais não-europeus foi importante para mim, para reforçar aspectos positivos das “diferenças” que tenho com outros brasileiros.

“Apesar da mistura, saí muito oriental e sempre fui meio diferente no grupo. Eu só me “entendi e descobri” fisicamente e psicologicamente quando morei no Japão: fui para lá recém-formada na faculdade, já adulta, e, de repente, as pessoas eram da minha (pouca) altura, as maquiagens adequadas para a minha cor de pele, os xampus todos adequados para meu cabelo liso e escuro.
Por isso hoje em dia eu reforço para amigos que experimentem uma imersão em seus legados culturais e dêem aos filhos estas chances incríveis de aprendizado sobre a formação da personalidade.”
livros para estimular uma boa consciência negra

Por ser uma data de valorização da cultura afrobrasileira, inclui uma lista com 5 livros que constam de um projeto que um casal fez quando sua filha ia nascer. Marcus Vinícius Bonfim e sua esposa, Thaísa, reuniram livros infanto-juvenis com personagens negros e negras pra explorar a diversidade e oferecer à filha Maria Júlia, mais opções de leitura com a temática negra, reforçando a sua identidade.

Reforçar, como eu dizia no texto, a Boa Consciência Negra, é uma necessidade.

Mas como fazer isso?

Um bom começo é estar aberto para entender a realidade na qual estamos inseridos. Outro passo é saber para onde queremos ir, que futuro plural e ao mesmo tempo igual nós queremos. Como poderemos viver em condições justas para todos, sem perdermos nossa cultura e nossas características pessoais?

Acho que amanhã, quando terei a honra de estar num encontro com Joe Beasley, líder ativista do Movimento dos Direitos Civis nos EUA, descobrirei novas respostas a estas minhas perguntas. Ele e o presidente da Coca-Cola Brasil, Xiemar Zarazúa, anunciarão numa coletiva de imprensa as ações que visam favorecer o desenvolvimento socioeconômico de afrodescendentes brasileiros.

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Coca-Cola e direitos civis? Como assim?

Senta que eu conto a história!

Pelo que li, tudo começou com os protestos da época da Copa das Confederações, o #vemprarua. Logo em seguida, o ativista afro-americano e ícone dos direitos civis, Joe Beasley, encontrou-se (em agosto de 2013), na sede da Coca-Cola, em Atlanta, com executivos da empresa para angariar suporte para comunidades negras do Brasil.

Beasley é estadunidense, mas, com décadas de atuação neste campo, se tornou ativista global e membro fundador da única universidade negra da América Latina, a Universidade Zumbi dos Palmares, localizada em São Paulo, o que explica sua visão e preocupação com os afrodescendentes brasileiros. Na ocasião, Beasley conversou com os principais executivos da empresa, incluindo Alexander Cummings, administrador-chefe da Coca-Cola, e Lisa Borders, vice-presidente da Conexões Globais com Comunidades e presidente da Fundação Coca-Cola.

Consta que o objetivo da reunião era pressionar a Coca-Cola a apoiar comunidades negras e pobres do Brasil, criando um plano filantrópico que financiará a reabilitação de escolas, a doação de bolsas de estudo, ações de comunicação, além do oferecimento de atividades gratuitas ligadas à arte e entretenimento a partir de 2013.

Sei de fonte fidedigna (um dos projetos beneficiados) que este apoio começou ainda em 2013. 🙂

Além deste lado mais filantrópico, tem um plus nesta parceria que me agrada muito, porque vem ao encontro do que vejo acontecer nos projetos sociais apoiados pela Coca-Cola Brasil: o empoderamento das comunidades. Para quem pode, é fácil doar, mas ensinar a ir além por mérito pessoal é muito mais valioso.

Beasley convidou a Coca-Cola a desenvolver um plano para a diversidade de seus trabalhadores, seguindo uma lógica demográfica e de mercado: pesquisas afirmam que cerca da metade dos consumidores da Coca-Cola no Brasil são de ascendência africana, mas eles não estão representados na gestão da empresa no Brasil.

“Estamos pedindo para que a Coca tenha uma relação recíproca com seus consumidores mais fiéis do Brasil. Estamos desafiando a Coca-Cola a ser uma boa empresa e a fornecer uma extensão razoável de suas práticas de responsabilidade social voltadas aos afrodescendentes.
O papa Francisco descreveu muito bem a necessidade de mais igualdade no Brasil. Em sua visita ao Rio, se dirigiu aos moradores da favela de Varginha, no Rio de Janeiro e afirmou: ‘Nenhuma quantidade de construção da paz será capaz de durar, nem harmonia e felicidade ser alcançada em uma sociedade que ignora, empurra para as margens ou exclui uma parte de si mesmo’”, disse Beasley.

Saiba mais sobre estas posturas dele no site da Fundação Joe Beasley ou no People of Color Now International.

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Foto: Renato Moura, Voz da Comunidade

Foto: Renato Moura, Voz da Comunidade

INSTITUIÇÕES BENEFICIADAS
Adriana Barbosa do Instituto Feira Preta (SP)
Paulo Rogério do Instituto Mídia Étnica (Salvador)
Elma de Alleluia da ONG Ser-Alzira de Aleluia (Vidigal – RJ)
Rene Silva da Voz das Comunidades

CONVIDADOS PRESENTES:
Deputada Federal Benedita da Silva
Representantes do Consulado Americano
Instituto de Estudos do Trabalho e da Sociedade (lets)
Programa Líderes do Amanhã
Fundo Baobá
Instituto da Mulher Negra
Fundo Social Elas

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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.

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