Uma carta para o segundo #diadamulher da minha pequena Manu

Uma carta para o segundo #diadamulher da minha pequena Manu

Este é o segundo #diadamulher da minha pequena Manu​.

Sempre relacionei esta data a lutas por direitos e não a festejos, mas o fato é que tem sido um presente para mim a cada ano e criar uma mulher é uma oportunidade rara que eu considero dos maiores presentes que tive na vida e tenho aproveitado cada segundo deste milagre.

É um desafio constante.

Quando ela estava na barriga, torcia o nariz para quem dizia que “vinha uma princesinha”, mas ao vê-la nos meus braços, como dizer que não tinha majestade?

Eu a chamava de “pequena ativista”, mas noto nela uma segurança tão grande acerca dos direitos e das igualdades que duvido que precise lutar para convencer as pessoas ao redor sobre o valor deles.

Pensava que evitaria a futilidade e vaidade, mas me perco olhando enfeites para seus cachos e sonhando com seus risinhos girando o corpo em frente ao espelho quando usa saias e tutus.

Quero que ela leia e seja culta e instruída, como suas bisavós que tiveram pouca instrução formal sonhavam que eu fosse, mas ela quer contar as histórias à sua maneira, sem facilitação ou condução.

Manu é “a nova mulher” e graças a Deus e a todas as mulheres que a precederam, as minhas ideias do século passado sobre seu papel são vazias e tolas.

Ela nasceu quando o século XXI já ia longe, estávamos cansados de contar que tem mulher presidenta e um negro governa uma superpotência, que desde que engatinha transita com desenvoltura em conversas sobre direitos sociais, que nunca vai achar estranho sua heroína ser uma menina negra que é medica de brinquedos, tampouco precisar explicar porque sua mãe trabalha em casa tendo uma empresa ou porque amamentou seus bebês até tarde e em livre demanda porque tudo isso será natural.

Das Rodas de Conversa do Centro Ruth Cardoso​ aos eventos de proteção da infância da UNICEF Brasil​ e Fundação Telefônica Brasil​, como mascote dos workshops sobre Saúde e qualidade de vida da Coca-Cola​ às visitas aos morros, dos teatros e hoteis de luxo aos eventos às escolas e cooperativas de reciclagem da periferia, minha filha é do mundo e eu sonho que todas as meninas como ela se sintam assim, sem limites em seus sonhos, sem dúvidas sobre seu espaço na sociedade e de seu sucesso no futuro que, elas nem sabem, começa no dia em que sabemos que teremos mais uma garota entre nós.

Obrigada a todas as mulheres que estiveram ao meu lado, me dando trabalho ou trabalhando comigo, torcendo por mim, me amparando pessoal ou virtualmente, me aplaudindo ou lendo meus textos, me abraçando e me presenteando com suas presenças na minha vida neste tempo como mãe de Manu. Cada uma de vocês tem um significado especial na menina que estou criando e na mulher que creio que fará diferença no mundo, do seu jeito e conforme suas crenças, que eu prometo que não vou questionar nem tentar mudar.

Sou muito feliz por deixar para a posteridade um legado feminino e se ele se concretiza na minha filha, ele começou em cada tia, irmã, amiga, aluna, leitora e colega que tenho.

A vida é linda quando temos com quem brindar as alegrias. Um brinde a vocês.

P.S. E beijos para os homens que sabem ter as mulheres ao seu lado e vivem em harmonia com as nossas loucuras, mudanças de humor e autoritarismo. <3

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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.

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