Descubra o que é um “hospice” – e prepare as lágrimas!

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A palavra “hospice” designa tanto uma filosofia de tratamento como uma instituição que busca o alívio dos sintomas de pacientes sem chance de cura.

Quando vi a chamada para esta história, pensei:

“Quem vai querer passar os últimos momentos fora de casa?”

Mas a questão é outra:

“Quem tem estrutura para cuidar de um paciente terminal em casa, garantindo o conforto necessário?”

Em minha família alargada (a que conta os avós, tios, primos de segundo grau) vivemos esta realidade algumas vezes e foi muito custoso, tanto no aspecto emocional quanto no financeiro. Felizmente meus parentes tiveram dinheiro para garantir atendimento hospitalar ou contaram com uma pessoa da família para se dedicar 24X7 (integralmente) ao ente querido que se despedia da vida. Mas como fazer quando não se tem tempo ou dinheiro? E quando os pais precisam continuar a manter a vida porque tem filhos que precisam deles?

Entendeu o valor de um lugar assim que atenda crianças? Este serviço gratuito de saúde, inédito no país, agora existe em São Paulo e merece ser “copiado” Brasil afora.

O Hospice Francesco Leonardo Beira, instituição inaugurada no fim de 2013 em Itaquera, bairro da Zona Leste paulistana (e das mais populosas), é uma casa para crianças com câncer em estágio terminal.

O local está aos cuidados da Associação para Crianças e Adolescentes com Câncer (Tucca), entidade beneficente que tem parceria com o Hospital Santa Marcelina. O objetivo é receber pacientes terminais da rede pública que necessitam de exames e medicamentos para não sentir dor, mas não precisam ficar em um hospital, com restrição de horário de visitas e sujeitos a outras infecções.

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“Cerca de 80% das crianças conseguem se livrar dos tumores, mas temos de cuidar também dos outros 20% que não conseguem”, explica o oncologista Sidnei Epelman, um dos idealizadores da instituição. E eles intuem o momento que vivem. A psicóloga Cláudia Epelman, vice-presidente do Tucca, conta que muitas crianças em estágio terminal perguntam: ” Por que não tomo mais quimioterapia?”.

De onde vem o conceito:

Em 1840, na França, os hospices eram abrigos para peregrinos durante seus percursos, possuindo origem religiosa, onde enfermos que estavam morrendo recebiam cuidados. Em 1900, foi fundado um estabelecimento do gênero em Londres e, posteriormente, em 1967, foi inaugurado o St Cristopher’s Hospice, que revolucionou essa filosofia e deu início a outros hospices independentes, fundado por Cicely Saunders. Com esse movimento, começou a ser introduzido um novo conceito de cuidar, e não só curar, focado no paciente até o final de sua vida. Diante desse momento, um campo inédito foi criado, o da medicina paliativa, incorporando a essa filosofia equipes de saúde especializadas no controle da dor, no alívio de sintomas e na melhoria da qualidade de vida.

Em 2002, o conceito de cuidados paliativos foi ampliado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), ressaltando a importância de uma abordagem ou tratamento que melhora a qualidade de vida de pacientes e familiares desde o momento do diagnóstico. Os cuidados paliativos devem, portanto, prover conforto físico, suporte psicossocial e espiritual.

Outros espaços semelhantes no Brasil:

Há centros semelhantes no Brasil, como um do Instituto do Câncer, em Cotia, a 31 quilômetros da capital, mas voltados para adultos. A Santa Casa de São Paulo tem um serviço de hospice, mas ele funciona no próprio hospital e realiza apenas atendimentos.

Doações são muito bem-vindas:

O funcionamento do hospice de Itaquera custa 40 000 reais por mês, pagos com recursos privados. A construção da casa tem uma história emocionante: foi financiada por uma família que passou por uma situação semelhante. Waldir Beira Júnior, presidente da fabricante de produtos de limpeza Ypê, perdeu o filho Francesco após nove anos de luta contra um tumor no cérebro. Após a morte do filho, em 2011, os recursos que os pais depositavam em sua poupança foram destinados ao hospice de Itaquera, na expectativa de oferecer a outras famílias a chance de viver os últimos dias dos filhos em sua companhia e num ambiente seguro e acolhedor.

Eu e você podemos ajudar:

Torne-se um mantenedor do TUCCA Hospice Francesco Leonardo Beira fazendo doações a partir de R$ 100,00 mensais. As doações podem ser feitas por meio de boletos, cartão de crédito ou depósito em conta bancária específica do Hospice.
Informações no e-mail: tucca@tucca.org.br ou no telefone 11 2344 1054.

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Fiquei pensando se temos como fazer doação de tempo ou de habilidades específicas (arteterapia, massagem ou outro cuidado para os pais, quem sabe?) e vou buscar contato com o espaço para descobrir. Se tiver, volto aqui para contar!

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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.

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