Descanso em Ti

Soube através de alguns amigos da blogosfera cristã que hoje tem blogagem coletiva de Natal.

Não posso dizer que sou “cristã” no sentido que estes amigos são. Não faço parte de nenhuma congregação e nunca me converti, sou uma livre-pensadora. Mas fui batizada, fiz primeira comunhão, casei e batizei meus filhos, tudo dentro do cristianismo católico, que só freqüentei nos tempos de missas bilíngues da escola Junshin, onde meus filhos estudavam. Acho importante deixar clara minha relação com o cristianismo para não parecer falsa – o que, efetivamente, quem me conhece sabe que não sou.

Meus ancestrais vieram de países e crenças diversas – protestantes do lado alemão, católicos do lado português, budistas do lado japonês – e meus pais fizeram uma busca por 25 anos que trouxe para nosso lar vários dogmas, discutidos com veemência por mim e meus irmãos desde a mais tenra infância e que fizeram de nós livres-pensadores de muita fé, o que aos olhos de uns é uma qualidade, de outros um defeito. Há dez anos meus pais são evangélicos e minha mãe visivelmente se encaminha para ser pastora quando se aposentar do Direito, pois já terminou a faculdade de teologia e é uma das líderes da Igreja Filadélfia, no bairro do Cabral, em Curitiba.

Os dogmas cristãos do novo protestantismo brasileiro, que à primeira vista me pareceram muito fechados e sufocantes, têm se mostrado libertadores para mim à medida em que, através do convívio com minha mãe e sua amiga pastora Ivanilde Coutinho, encontro eco deles em meu ser. Descanso em Ti, lembro-me de ter lido algo assim. Creio que a fé verdadeira, a que nos traz paz de espírito e tranqüilidade para confiar no Pai, seja exatamente isto.

Aprendi o verdadeiro sentido desta frase com um livro que minha mãe me mandou de presente há dez anos. Ela acabara de se converter e desejava tentar me mostrar sua nova fé. O livro se chama Nada me faltará, de Philip Keller, e trata do famoso Salmo 23 à luz das experiências de um pastor de ovelhas, explicando as metáforas utilizadas pelo salmista para os que, como eu, não entendem nada do cuidado com ovelhas. Neste singelo livro eu descobri que minha atitude diante de Deus sempre foi de uma dócil ovelha do seu rebanho e percebi que esta imagem de mim mesma me satisfaz plenamente no sentido da fé que eu creio ser correta. Se há algo cristão que eu poderia deixar como mensagem nesta blogagem é dizer que é possível ser uma ovelha deste rebanho sem perder seu livre-arbítrio.

[update] Como sempre faço, seguem os participantes da blogagem coletiva:

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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.