destaque / entretenimento

Um mundo obcecado com a velocidade, com coisas rápidas, fazendo cada vez mais coisas em cada vez menos tempo. Cada momento do dia parece uma corrida contra o tempo.

Citando uma frase de Carrie Fisher:

“Nos dias de hoje até mesmo o prazer instantâneo demora a chegar.” 

se pensarmos no que fazer para tentar melhorar as coisas, o que fazemos? Aceleramos mais, certo?

Há 11 anos, quando ouvi falar do movimento slow, de Carl Honoré, eu nos via caminhando para isso. E revi muita coisa na minha vida. Três anos depois, meu filho sofreu um acidente grave e os 15 dias que passei com ele no hospital me fizeram rever todo tempo que vivo na vida. A cada começo de ano, eu revejo o que fiz no ano anterior e repenso tudo novamente.

Neste janeiro, voltando ao trabalho ainda no ritmo de férias – uma cortesia do mercado desacelerado, o que neste caso não é totalmente bom, mas que eu encaro com olhar de Pollyanna – estou revendo as palestras e livros que me inspiraram no início deste @avidaquer. Um dos primeiros posts do blog foi sobre o slow food.

O TedX dele foi meu primeiro contato com a ideia revolucionária do Movimento Lento e descobri a “lentidão boa”.

A lentidão boa é guardar tempo para fazer uma refeição com a família, com a TV desligada.

(praticamos!)

Ou ter tempo para olhar para os problemas a partir de diferentes ângulos no escritório para tomar a decisão mais acertada no trabalho.

(tentamos!)

Ou simplesmente ter tempo para desacelerar e saborear a vida.

(queremos!)

Nesta década, evolui e retrocedi na busca deste tempo mais confortável para viver plenamente. Trabalhei demais. Trabalhei menos. Aproveitei meus filhos. Dormi com culpa porque não consegui estar com eles como gostaria. Namorei meu marido com calma. Passei semanas sem tempo para ele. Dormi mal, dormi bem, mas sobretudo eu me observei e continuo atenta ao que chamo de “vício da velocidade”.

 

Entre meus 34 e 44 anos, noto avanços. Eu já não me sobrecarrego de forma gratuita. Sinto que estou vivendo a minha vida ao invés de apostando uma corrida contra ela e me sinto capaz de sair da ansiedade das redes sociais de “compartilhar para provar que vivi” e simplesmente viver os momentos, sem precisar registrar, contar, guardar. Vivo. Me basta.

livro-devagar

Quer saber mais? Indico o livro de Honoré, Devagar.

Nele, o jornalista apresenta ao leitor o que, em 2005, era uma nova e silenciosa revolução. O livro traça a história de nossa intensa relação de pressa com o tempo, e atrela as conseqüências e charadas de viver nesta cultura acelerada, criação nossa. Por que estamos sempre com pressa? Qual a cura para a falta de tempo? É possível, ou até mesmo desejável, desacelerar? Percebendo o preço que pagamos pela velocidade implacável, as pessoas em todo o mundo estão reivindicando o tempo delas e desacelerando o passo — vivendo mais felizes e, conseqüentemente, de forma mais produtiva e saudável.

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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.

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