Desabafos de uma compulsiva alimentar #GirlUp #abeso

blogueiros e alfredo halpern

Comecei o mês de outubro com um compromisso do Viva Positivamente ligado ao sedentarismo e que relacionava a falta de atividade física com o sobrepeso. Para tirar as dúvidas do grupo, tivemos uma palestra, seguida de muitas perguntas (algumas de casos pessoais, afinal, quem nunca se preocupou com o tema?) ao endocrinologista e especialista em distúrbios metabólicos (notadamente obesidade e diabetes), Dr. Alfredo Halpern.

Logo no início da palestra, uma frase chamou atenção de todos:

“O sedentarismo é sim pior do que a obesidade”

sedentarismo e obesidade halpern

Como assim?

“A pessoa sedentária, mesmo magra, muitas vezes pode ter mais patologias e menor tempo de vida do que uma pessoa obesa, porém metabolicamente saudável”, reiterou Tiffany, do @blogdati, na descrição da imagem que uso acima para ilustrar o assunto que chama este post.

Foi com frases assim que o consultor médico do programa “Bem Estar” (da TV Globo) e fundador da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade (ABESO) impactou os blogueiros participantes. Professor Livre-Docente da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo e lidera o Grupo de Obesidade e Síndrome Metabólica da Disciplina de Endocrinologia do Hospital das Clínicas, Halpern publicou catorze livros sobre emagrecimento e sobrepeso e eu aproveitei a oportunidade de encontrá-lo para levar um dos livros para ele autografar para mim. Admito que comprei sem pensar muito no título – Por que como tanto? -, motivada mais pela oportunidade de conversar com o médico do que com o assunto da obra, os “desabafos de uma compulsiva alimentar”.

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No entanto, ao voltar para casa, a obra me pegou. Li o livro em poucos dias, mesmo no meio da minha agenda corrida e pensei em muita gente que conheço. Felizmente eu não tenho problemas metabólicos ou de sobrepeso, sou mesmo pequena e, como se diz, “magra de ruim” porque como muito e não tenho tendência a ganhar peso.

[E sobre este tema, ser “magra de ruim” e muito frequentemente sedentária, em seguida publicarei o post de Sara Martinez sobre a palestra do Dr. Alfredo Halpern no qual ela trata exatamente disso!]

Não farei spoiler porque quero que você, que chegou a este post, leia o livro “Por que como tanto?”, pela editora Best Seller, do endocrinologista Alfredo Halpern e do psiquiatra Adriano Segal. Mas vale contar um pouco da obra na qual eles tratam do transtorno da compulsão alimentar periódica através de Simone, uma personagem fictícia que não consegue emagrecer e é comedora compulsiva.

Como eles contaram numa entrevista no Programa do Jô, os motivos que levam uma pessoa a engordar e as dificuldades que enfrentam para tentar emagrecer são variados e pessoais.O fato é que existe sim uma tendência para a obesidade e uma diferença no metabolismo de repouso de cada indivíduo, e estes são apenas alguns dos fatores ligados ao sobrepeso e à dificuldade de emagrecer que são retratadas na história de Simone e de sua mãe no livro, escrito em primeira pessoa, como num diário de memórias no qual facilmente nos vemos em várias passagens.

Na obra leve e descontraída, que inicialmente relacionava o disturbio alimentar a um “intruso no estômago”, características comuns nos compulsivos surgem de forma a orientar quem convive tanto com a compulsão alimentar direta ou indiretamente. Há passagens nas quais Simone identifica comportamentos na mãe e outras nas quais conta dos seus descontroles. Um deles, o assalto à geladeira durante a noite, é um problema que atinge até 4% da população geral e 6% dos obesos – podendo alcançar metade dos indivíduos mórbidos, segundo dados da Associação Americana de Psiquiatria.

compulsao alimentar e o livro porque como tanto

Para casos assim, não basta dieta e exercício. O cerne da questão está no emocional e o jeito de ajudar pode ser, como explicou Dr Alfredo na palestra, em um tratamento multidisciplinar que inclua medicamentos.

Dr. Alfredo Halpern defende a ideia de que os obesos não são “sem-vergonha”. “Segurar a boca não é fácil, pois existem pessoas que realmente não conseguem parar de comer e convivem com uma doença que está longe de ser apenas psicológica”. Por isso, ele pode receitar remédios aos pacientes que enfrentam grandes barreiras no processo de perda de peso ou, em casos mais extremos, recomendar a cirurgia bariátrica.

Ao falar de seu estômago, a personagem fictícia Simone (de Por que como tanto?), retrata um problema comum do compulsivo que é não ter hora para comer e ser um “saco sem fundo” que come o tempo todo, mesmo quando o corpo não precisa de energia.

Segundo Dr. Alfredo, como consequência deste comportamento, 75% das pessoas com esse distúrbio químico nos mecanismos da saciedade ganham muito peso, pois consomem mais calorias do que precisam por dia, principalmente na forma de doces e gorduras. Aquelas que não engordam é porque têm compensação calórica inconsciente ou um metabolismo muito bom.

(serei assim?)

Lendo o livro – que no começo me irritou muito porque insistia naquela linha “a culpa é da mãe!” – percebi que a questão mais grave está no emocional que leva aos problemas físicos, pois muitos indivíduos compulsivos também sofrem de depressão, ansiedade e outros transtornos psíquicos. E aqui entra a participação do psiquiatra Adriano Segal na obra. Em entrevistas ele afirmou que alguns pacientes chegam a comer alimentos crus ou congelados, não por prazer, mas por descontrole. E, num prazo curto de 2 horas, essa ingestão pode chegar a 15 mil calorias, sendo que um adulto normal precisa em média de 2 mil calorias por dia para viver.

Não vou contar o final da história de Simone para não tirar a graça da leitura do livro, mas digo o seguinte: os médicos aconselham a atividade física também para pacientes que precisam emagrecer e não conseguem. Sabem por quê? Os exercícios diminuem os níveis de depressão e ansiedade, com a liberação de endorfina, hormônio que dá sensação de prazer e substitui a serotonina liberada pela comida, cujo efeito é semelhante. Quem pratica exercícios também queima mais calorias e tende a comer menos gordura, o que facilita o controle de peso e melhora o funcionamento intestinal, contribuindo de forma ampla para o tratamento do problema.

Então, gente, se é complicado começar dieta numa sexta-feira, que tal começar com os exercícios físicos? De repente até segunda-feira você já está se sentindo bem e sua necessidade de comer coisas calóricas esteja bem arrefecida!

11 de outubro é Dia Nacional de Prevenção da Obesidade
Este post faz parte da Blogagem Coletiva da Abeso (Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade) pelo Dia Nacional de Prevenção da Obesidade.
Não precisa ser da área de saúde para abordar a questão que envolve todos nós: o desafio de combater a obesidade, uma epidemia de difícil controle, mas possível de se prevenir. Vamos nos unir as vozes pela prevenção do sobrepeso, que já atinge 51% da população brasileira, e da obesidade, que atinge 17%.
E acho que vale listar posts antigos seus sobre o tema, basta indicar na fanpage da Abeso com as hashtags #obesidade2013 ou #abeso.

P.S. E por que #GilrUp no título? Porque ao ler o livro pensei muito sobre as cobranças que as meninas e as mulheres se fazem e como isso massacra seu potencial e sua autoestima. Tratar abertamente da questão faz parte do nosso “mês de ação em prol do empoderamento feminino focado em meninas“. Junte-se a nós! Basta mandar seu texto para o e-mail avidaquer@gmail.com ou comentar aqui quando postar no seu próprio blog.

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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.