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“Nem sempre reconhecida como doença, a depressão é um problema que afeta cerca de 340 milhões de pessoas e causa 850 mil suicídios em todo o mundo. Ainda segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), no Brasil são cerca de 13 milhões de pessoas depressivas.”

depressão adolescente não é firula

Há exatamente um ano um casal de amigos nossos perdeu o filho de 15 anos. Suicídio. Ficamos arrasados, pois a mãe era minha amiga desde exatamente essa idade.

A depressão é um inimigo silencioso e os depressivos são importantes para debelar crises.

Mas o cotidiano é que faz diferença.

É um exercício cotidiano, vivo cada dia e ao termino dele sei que sobrevivi a mais um. Um de cada vez, ciente de que todo dia será um novo desafio.

Eu usei antidepressivos por 7 meses e foi muito importante para que eu saísse da linha de risco para minha saúde física e mental. Ao final deste período, já bem, sacodi a poeira, passei a fazer controle nutricional da minha saúde e, juntando isso aos #30tododia (um mínimo de 30 minutos de atividade física diária), cá estou sem nunca ter voltado aos remédios – e já se vão exatos 10 anos.

fluoxetina e outros remedios para depressao sao a solucao ou um erro

Há algumas semanas vi um texto no Facebook que minimizava o tratamento médico para depressão (e não estou defendendo a substância, só dizendo que nem tudo que a gente lê reflete a realidade universal), ressaltava os efeitos colaterais e a reação em cadeia do uso de medicação específica. Eu emagreci muito e tinha sono excessivo com a fluoxetina, duas coisas que o autor afirmava que não aconteceriam e que exigiriam novos medicamentos.

Na ocasião, deixei meu relato para empoderar as mães que sintam essa tristeza sem fim que é um dos sinais da depressão, na esperança de que sirva para elas não deixarem de lado os sinais que seu corpo manda dizendo que algo vai mal e que merece ser atendido e tratado.

Depressão não é firula, é uma condição de saúde séria que merece atenção e exige cuidados médicos.

Muitas pessoas não se submetem a tratamentos contra a depressão simplesmente porque não acreditam estar com a doença. Por isso, é preciso ficar atenta aos sinais que podem indicar o problema. Entre os sintomas mais comuns está a tristeza e a falta de vontade de realizar atividades cotidianas e até mesmo prazerosas, como passear. Contudo, além da queda de energia e de ânimo, outros sintomas como falta de desejo sexual, alteração de peso e dores físicas também podem sinalizar quadros de depressão. 

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Os primeiros sinais podem variar em cada indivíduo. Segundo a OMS, a pessoa que apresenta ao menos cinco dos sintomas listados abaixo é considerada depressiva.

Veja quando é importante reagir aos sinais desta tristeza sem fim e sem motivos aparentes:

  • Alteração do apetite
  • Alteração do sono, como a insônia
  • Desinteresse geral
  • Desinteresse sexual
  • Dificuldade de concentração
  • Baixa autoestima
  • Pensamentos relacionados à morte
  • Ansiedade com movimentos repetitivos (mexer constantemente as pernas e as mãos, por exemplo)
  • Paralisia geral (por exemplo, ficar na cama por dias)
  • Sentimento permanente de culpa e inutilidade
  • Fadiga ou perda de energia, diariamente
  • Alteração de peso não intencional
  • Dores físicas, como a lombar, articulares, enxaqueca

Medo de ficar só, pessimismo, agressividade, problemas para se alimentar, isolamento dos coleguinhas, distúrbios do sono, dores freqüentes, agitação excessiva e baixa auto-estima. Estes são os principais sintomas da depressão.

No começo do texto eu falei do filho adolescente dos nossos amigos, mas dados da OMS afirmam que só no Brasil a depressão já atinge quase 20% da população e as crianças vêm sendo as novas vítimas.

Pelo menos 5% das crianças, em todo mundo – incluindo bebês – já sofre com a doença.

Crianças com depressão?

Como assim?

Os motivos vão desde o medo do desconhecido, sensação de culpa e carência até perda de um ente querido e problemas financeiros e de relacionamento entre os pais.

Li uma entrevista com a psicanalista especializada em depressão infantil e fracasso escolar Divina Rita Gomes e ela explica que “a depressão é um dos problemas psíquicos mais comuns da atualidade. Ela altera os sentimentos, reduz a sensação de bem-estar, muda a forma de pensar, as escolhas, o comportamento e até as crenças das pessoas” e que, ao contrário do que se pensa, a depressão não é uma tristeza profunda. “É comum diante de um evento negativo, como a morte de alguém, ficarmos tristes. Mas a criança depressiva permanece triste, desmotivada e com pensamentos negativos a seu respeito, ao mundo e ao futuro mesmo vivenciando situações positivas.”

Crianças hiperativas, que se machucam muito, são agitadas e que se irritam com facilidade podem estar com depressão, assim como crianças introvertidas, tímidas e quietasE não há idade e classe social que esteja imune à depressão.

Então, o segredo é observar.

Para isso, é preciso conviver, estar disponível, amar com olhar e com toque, se fazer presente de verdade.

🙂


P.S. Sobre os bebês: a culpa é da mãe ou do pai? Um pouco, sim. “Um bebê pode ficar deprimido ao nascer em função de uma mãe que já tem tendência a ser depressiva. É que a depressão pode ser hereditária. Ela também é uma disfunção nos neurotransmissores devido à anormalidades e falhas em áreas cerebrais específicas transmitidas geneticamente”, explicou em outra entrevista a psicóloga Nancy Erlach.

[update]

Falamos sobre depressão há poucos dias, lembrando que é uma doença silenciosa que merece nossa atenção e respeito.
Eis que depois do meu desabafo no qual admitia minha depressão e a cobrança da sociedade de que eu “fosse obrigatoriamente feliz”, vejo este relato surpreendente e muito honesto do jornalista Ricardo Boechat​.

“Boechat aproveitou seu espaço na Band News logo pela manhã para um longo e urgente depoimento sobre a doença. “É importante não esconder a doença, não esconder a depressão. Não tratá-la na clandestinidade. É importante aceitá-la para combatê-la – e todo o silêncio, do próprio doente ou de quem está à sua volta, dificulta a recuperação”, afirmou o jornalista.
No depoimento, o jornalista também alertou sobre um mito muito comum sobre a depressão:

– “Ela não escolhe vítimas por seu grau de instrução ou situação econômica. Castiga sem piedade e da mesma forma pobres e ricos, anônimos e famosos”.

Leia a íntegra do texto dele:

Acho que devo uma explicação às centenas de pessoas que me escreveram nos últimos dias perguntando o que eu tinha e…

Posted by Ricardo Boechat on Quinta, 27 de agosto de 2015

E ouça-o no aúdio da Band:

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Comments

  1. Anamaria Mendes Says: agosto 19, 2015 at 4:11 pm

    Importante derrubar o preconceito e falar sobre este tema. Ótima matéria.

  2. ikgdesigner Says: agosto 21, 2015 at 9:33 pm

    Vou, com todo o respeito, exercer minha “opinalogia pitakológica”. A maior causa da depressão é o afastamento, por assim dizer, do eu pessoal, o ego, d’Alma… que é a única referência Real.

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