entretenimento / mãe / relacionamentos
[update] A ganhadora do livro autografado de Natércia Tiba é Alessandra Gurgel, que comentou no dia 08/05/2012:

“Sam! Lendo alguns trechos do livro pelo Twitter, já foi um grande motivador para comprá-lo. Fiquei emocionada de ler a entrevista e me identificar com vocês duas! Rsrsr
Sim, você e a Natércia. Além de serem mães como eu, repensarem a vida, amarem a família, são duas pessoas sensíveis que compartilham o que a vida tem de melhor: a amizade, o amor, energias positivas!
Estenda o meu abraço e parabéns pelo lançamento e um grande beijo a você!”

Aguardamos seu endereço, Ale! E obrigada por ser uma leitora tão querida do @avidaquer.
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“Script pode ser o roteiro (cinema e televisão) que contém a forma escrita de qualquer espetáculo audiovisual ou um conjunto de instruções (em linguagem de programação) para uma determinada ação que o programa ou aplicativo realizará.”

Natercia Tiba Seja Feliz Meu Filho Içami Tiba

A primeira vez que ouvi o nome de Natércia Tiba foi quando ganhei o livro Seja Feliz, Meu Filho, presente que minha mãe me ofereceu um pouco depois de mudar para São Paulo. Eu já tinha lido Quem ama, educa!Anjos Caídos : como prevenir e eliminar as drogas na vida do adolescente antes de ser mãe, mas este foi o primeiro livro de Tiba que li depois de ser mãe. Na capa li que a filha mais velha, que se voltara para a área profissional do pai, era responsável por fazer a revisão e ampliação da obra famosa. Gostei muito. Não só por ser pai e filha, mas pela capacidade de trabalhar junto e por enxergar numa “revisão e atualização” de uma obra já estabelecida um sinal de que as escrituras do famoso médico que tornou a psicologia uma matéria acessível (que podemos conversar em rodas de amigos, não só em simpósios de especialistas) eram uma prática e de que sua família era aquilo mesmo que nós, leitores, idealizamos.

Pois com o Instagram eu encontrei Natércia. Já não lembro exatamente se foi primeiro por Twitter ou direto no Instagram, mas o fato é que começamos a curtir as fotos umas das outras, encontrar afinidades nos interesses dos filhos e no olhar carinhoso pela cidade onde moramos. Uma ponte bonita, o sol que se põe, o livro infantil da semana ou uma brincadeira foram criando oportunidades de conversa e começamos a conversar também pelo Facebook e, às vezes, por e-mail. Na blogagem coletiva do Dia do Estudante convidei-a para postar sua experiência aqui e desde então tentávamos marcar um encontro presencial. Neste tempo eu acompanhei-a na finalização do livro que será lançado oficialmente nesta noite em São Paulo e que eu ganhei de presente quando (finalmente) nos encontramos na quinta-feira passada e aquele meu primeiro livro de Natércia ganhou um autógrafo de amiga.

Nesta nova obra, completamente diferente e ao mesmo tempo muito parecida com o que norteou o trabalho público de seu pai, Içami Tiba, a psicoterapeuta especializada em relações familiares trata das nossas experiências atuais sob o ponto de vista da mulher. E mais, em Mulher Sem Script, ela nos convida a pensar nas possibilidades com as quais nos deparamos agora que não somos mais forçadas a seguir um script: podemos escolher a maternidade (ou não), a carreira ou a família (ou ambos), além de nos permitirmos levar nossa visão feminina (e nem por isso melhor ou pior do que a dos homens) para nosso exercício profissional e nossa vivência cidadã sem que isso seja um demérito. Pelo contrário, agora que somos livres de scripts e podemos seguir nossa própria programação, mudando o rumo de nossos personagens quando sentirmos que devemos e queremos.

Sam Shiraishi - A Vida Como A Vida Quer - entrevista com Natércia Tiba do livro Mulher sem script

E, para marcar o lançamento deste novo livro (que um dos comentaristas do post vai ganhar!), fiz algumas perguntas para a autora Natércia Tiba, que ela me respondeu com um conteúdo longo e detalhado, mas tão bom que não consegui pensar em editar e publico abaixo, na íntegra:

Da colaboradora de Seja Feliz Meu Filho e Quem Ama Educa para a autora de Mulher Sem Script, que mudanças você pontua na sua experiência profissional? Pesaram mais os fenômenos sociais nas famílias brasileiras ou sua experiência como mãe e esposa?

Minha parceria com meu pai no Quem Ama Educa foi em 2001-2002, junto com a gestação e nascimento do Dudu, meu 1o filho. Minha carreira como psicóloga clínica já estava bem consolidada, mas internamente ocorria um enorme processo de amadurecimento e crescimento pessoal e profissional. O projeto de atualização, revisão e ampliação do Seja Feliz Meu Filho ocorreu em 2006, logo após o nascimento do meu 2 filho, o Ricardo.
Cada livro pertence a um momento da minha vida. Minha produção foi crescendo conforme eu ia me desenvolvendo. Foi após o nascimento do meu 2o filho, quando me senti segura na maternidade, que entrei num processo de diferenciação longo, o “turning point” na minha vida pessoal e profissional.
Depois do nascimento do meu 2o filho, fui me diferenciando cada vez mais da minha família de origem e na profissão em relação ao meu pai. Percebi meu modo diferente de olhar para a vida, uma forma mais prática e simples de vivê-la, mais desapegada e ao mesmo tempo, fui ficando mais confiante em meu trabalho. Minha forma de atende os pacientes, não se encaixava em nada do que eu havia aprendido na faculdade de psicologia.
Com apoio do meu pai nesse processo, terapia, grupos de estudo e uma estrutura familiar (marido e filhos) que me fortaleciam e apoiavam, fui achar meu canto, um lugar onde pertencesse, para não cair na solidão do consultório de psicoterapia.
Fiz a formação para Psicoterapeuta de Casal e Família. Foi quando percebi que eu não estava sozinha na forma de olhar para o mundo e de me relacionar com os pacientes.
Foram 3 anos e meio em formação na linha sistêmica. Anos intensos internamente e de muito estudo. Etapa de um reconhecimento transgeracional, um passeio por toda minha história (e de meus antepassados) e uma descoberta de mim mesma.
Nesse período me reconheci e me conheci (porque descobri muito de mim mesma que eu não sabia) e foi deste amadurecimento que nasceu a “Mulher Sem Script”.
Foram mais de 10 anos em especializações, terapia, convívio familiar, supervisões, maternidade e companheirismo do meu marido que me permitiram e me incentivaram a buscar o melhor de mim, mesmo que pagasse um certo preço de romper certas lealdades familiares e sociais.
Todo esse processo me levou a uma auto-confiança e uma enorme vontade de compartilhar meu olhar para o mundo e minha forma de trabalhar. Resolvi fazer isso primeiramente para o grande público e por isso o livro de crônicas.
“Quem Ama Educa” e “Seja Feliz Meu Filho” refletem minha fase crisálida. “Mulher Sem Script” é minha fase borboleta (por isso a imagem da mulher com asas no 1o poema do livro).
Não sei o que virá depois, prefiro assim, sem script.

De mãe psicoterapeuta de famílias a blogueira que escreve “politicamente incorreto” na web, que caminho foi este? E como você vê o futuro desta sua opção de vida?

Posso dizer que foi um caminho de libertação e crescimento. Amo meu trabalho no consultório mas passei a sentir que era limitado e ao mesmo tempo sempre tive um impulso interno muito intenso de fazer algo maior, que tivesse um maior alcance e fizesse diferença de alguma forma.
No consultório, minha principal forma de trabalho é a relação que estabeleço com o paciente. Acredito que as relações saudáveis vão despertando o melhor de nós. Nunca optei por uma posição assimétrica, hierárquica. Estudei muito e entendo de dinâmicas e relações humanas, mas o paciente sabe muito mais dele mesmo do que eu. Ambos temos poderes para o bem e na psicoterapia fazemos uma parceria. Como terapeuta, sou a Natércia, a mesma pessoa, compartilho histórias que acho que podem ser importantes para o paciente, mostro minha humanidade e que compartilho angústias como todas as pessoas. Este caminho foi me levando para essa visão de que sou uma pessoa que fala do “politicamente incorreto” porque falo das dores, das dificuldades assim como falo das belezas. Olho para as dores dos outros mas compartilho o fato de ter as minhas também. Não me poupo e não me sinto exposta. Acredito no vínculo que construo com meus pacientes e com isso me sinto protegida.
Paralelamente a este precurso profissional, ocorreu algo semelhante no pessoal. Poder ser a melhor mãe que sou contanto que não seja em detrimento de que eu seja também a melhor pessoa que posso para mim mesma. Só posso estar para o outro a partir do momento em que me sinto inteira. Como mãe sou muito entregue, verdadeira, não escondo o que sinto e sou cautelosa para que não “psicologizar” a vida em família.
Minha família sabe que, a partir do momento em que desbravei outros caminhos, a minha doação de tempo e atenção seria também dividida. Eles entendem, admiram, curtem e me avisam se me ausento em momentos que eles me querem por perto.
Não sei dizer o que será do futuro. Não sou de muitos planejamentos. Minha maior preocupação é fazer o melhor que posso agora e acredito de coração que assim, bons frutos virão. Não faço planos para os meus filhos por exemplo, mas procuro dar a eles, diariamente, ferramentas e uma postura de vida para que possam caminhar sozinhos e ir em busca de seus próprios sonhos e objetivos.

Os conceitos compartilhados no seu espaço virtual (posts, vídeos), em especial do seu blog, já são motivos de debates e de trocas com seus filhos também? 

Sim, sempre. Eles acompanham tudo que podem, tudo que têm maturidade para acompanhar. Vibram e se frustram junto. Sinto minha família como equipe e eles sabem que nutrem meu coração e minha mente. Há posts sobre eles, reflexões a partir de vivências com eles.
Costumo dizer que meus textos são produções “viscerais”, muito emocionais, que passam pelos neurônios o mínimo necessário que haja uma organização e possibilidade de expressão e entendimento. Por esta razão, não consigo avaliar o que escrevo e neste momento a família acaba sendo importante. O marido faz o papel da racionalidade e crítica que não consigo ter e ao mesmo tempo, ao nos ver conversando sobre algum assunto, os filhos perguntam, participam e geralmente enriquecem com um ponto de vista do universo maravilhoso infantil.
Tudo que escrevo e falo não são teorias, são modos de olhar o mundo, formas de se relacionar com o mundo e com as pessoas. Não raro, em alguma situação corriqueira, um filho comenta: “Nossa mãe, isso aqui daria mais um texto para o seu blog né?!”.

O que você espera construir com o livro Mulher Sem Script? E o que sente que já fez ao se envolver com a produção dele?

Como diz meu marido, que vem acompanhando meu desenvolvimento pessoal e profissional, “Mulher Sem Script” é mais do que um livro, é uma postura de vida. É aprender a olhar para os pequenos acontecimentos do dia a dia de um modo apreciativo, (vendo as coisas boas), sem negar os sofrimentos (que são nossa maior fonte de crescimento), poder refletir a partir de situações corriqueiras para crescer enquanto pessoa, para se conhecer melhor e ter mais qualidade de vida nas relações. É também uma forma de viver que permite e favorece um olhar para o passado, para nossa história de vida e para os modelos que temos com admiração mas sem amarras, sem que nos escravizem, podendo se diferenciar sem se sentir desleal. É poder se realizar e ser feliz por si só, tendo os outros como um presente, um “plus”, um ganho na vida, mas sem se apoiar no outro para se realizar ou ser feliz. Não ter script é olhar para o presente com amor, entrega e dedicação, com a auto-confiança que os bons resultados virão a partir disso.
O livro foi uma das formas que achei de compartilhar essa “filosofia” ou postura de vida com outras pessoas.
O lançamento do livro acontecerá em agora, portanto não tive ainda muito retorno do livro em si. Poucas pessoas já puderam ler. Aquelas muito próximas, vibram, mas as considero envolvidas demais. O retorno que comecei a ter de fora, por Twitter, Facebook, e-mail já foi o suficiente para eu concluir que todo meu esforço e empenho não foram em vão e que já valeu a pena ter escrito só pelos deliciosos agradecimentos que recebi pelos momentos especiais que a leitura do livro proporcionou.

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O lançamento do livro acontece hoje, a partir das 18h30, na Livraria da Vila do Cidade Jardim (Avenida Magalhães de Castro, 12000 – Butantã, São Paulo, SP). Eu vou, aproveitarei para tirar uma foto com a autora e para pegar um autógrafo no exemplar que vamos dar para um dos comentaristas deste post. Corra e comente!

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Leia também os outros posts da Semana @maecomfilhos 2012 no @avidaquer:

Empreendedorismo materno e @ciadasmaes 

De Seja Feliz Meu Filho a Mulher Sem Script, entrevista com @natercia_tiba

Uma rede para reunir as mães que nascem quando chega um bebê (entrevista com @tatianapassagem do @redemulheremae)

“Antes de ser mãe, eu nunca…” (ou O que eu realmente queria de Dia das Mães)

A gente tem mesmo muito a aprender com as crianças sobre ser feliz!

Conversa com as mães do @mamatraca 

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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.

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