De onde vem a água?

Mora em São Paulo e não sabe ao certo de onde vem a água da sua torneira?

Basta digitar seu CEP para descobrir no “De onde vem a água”, um site que tem como objetivo aproximar as pessoas de suas fontes de água e ampliar o conhecimento sobre a situação de abastecimento dos diferentes municípios da Região Metropolitana de São Paulo, que vivem a pior crise hídrica de sua história. 

É possível visualizar o manancial que abastece determinado local e conhecer um pouco mais sobre a realidade, os principais indicadores e o volume de armazenamento dos diferentes sistemas produtores de água da Região Metropolitana de São Paulo. Permite também conhecer um pouco mais sobre os indicadores de saneamento dos municípios. 

 A ferramenta foi desenvolvida pelo Instituto Socioambiental no âmbito do projeto Água@SP. A primeira versão do “De onde vem a água que você bebe?” foi desenvolvida pela Campanha de Olho nos Mananciais do ISA em 2008.

Para exemplificar, minha água vem exatamente do Sistema Cantareira!

 

O objetivo do aplicativo – ampliar conhecimento sobre os mananciais – é um dos que considero mais importante nesta “crise hídrica” (entre aspas porque essa foi uma crise bem anunciada e que poderia ter sido no mínimo melhor planejada) e ao divulgar espero também fazer minha parte para a construção de um futuro seguro e sustentável para água de São Paulo.

E sobre os mananciais de São Paulo, podemos acompanhar bem de pertinho:

– a própria Sabesp tem uma página dedicada ao tema, com informações dos principais mananciais e dados de suas reservas. Todos os aplicativos e movimentos que achei na internet seguem os dados deles 😉

– o mananciais.tk é um aplicativo independente sobre os sistemas de abastecimento de São Paulo e obtém, através de um programa, dados de nível dos reservatórios e precipitação do site da Sabesp.

– o movimento De olho nos mananciais, financiado pela Secretaria do Meio Ambiente, se propõe a conhecer quem está envolvido com a causa, fazer denúncias, acessar conteúdos específicos,numa rede composta por organizações da sociedade civil e pessoas envolvidas com o tema, para dar continuidade à Campanha De Olho nos Mananciais, desenvolvida pelo Instituto Socioambiental (ISA) até meados de 2009.

Ainda sobre os mananciais…

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Em foto da SMA, uma das regiões que recebe o projeto de restauração ecológica para proteção dos mananciais

 

Só eu fico surpresa quando vejo que as iniciativas governamentais para preservar mananciais surgem em 2015, em plena crise hídrica? Acompanho o movimento Entre Rios e Ruas e sei que São Paulo está assentada sobre 1500km de rios e córregos. Há 20 anos eu já fazia reportagens sobre os mananciais da Grande Curitiba para meu estágio na Associação Brasileira de Vídeo Popular. Há anos eu visitei um projeto que já colhia frutos e preservava rios, o Águas das Florestas (onde conheci o lado social da Coca-Cola, o que me conquistou para o Viva Positivamente) e me surpreende que só agora, quase uma década depois, algumas pessoas compartilhem como novidade a ideia de que preservar as florestas seja a alternativa para garantir a água.

A vegetação contribui para a qualidade das águas, pois funciona como filtro retendo o solo arrastado pelas enxurradas e poluentes diversos. O assoreamento e a diminuição do volume útil dos reservatórios são amenizados quando se tem matas ciliares. A recuperação florestal, apesar de necessária para toda a sociedade como para os moradores e proprietários no meio rural, ainda não é feita em grande escala. Isso se deve a diversos motivos: sociais, culturais, técnicos e econômicos. Os custos, às vezes, são elevados e há uma resistência do agricultor em perder áreas que seriam destinadas à produção. Por isso, cada vez mais se pensa na ideia de incentivos econômicos para quem preserva recupera o meio ambiente em benefício de todos. 

O Mina D’Água, projeto de Pagamentos por Serviços Ambientais (PSA) do Estado, criado pela Resolução SMA nº 123/2010, de acordo com a Política Estadual de Mudanças Climáticas, me lembra claramente o Águas das Florestas e fico feliz por ver coisas boas sendo replicadas e alcançando mais pessoas. Segundo informações oficiais, o Mina D’água, iniciado em 2010, contabiliza 51 contratos entre os municípios de Votuporanga, Guapiara, Ibiúna, Piracaia e São Luiz do Paraitinga, totalizando uma área de 1.839,38 hectares e 119 nascentes protegidas.

E já não importa mais quem desmatou, concordam comigo? Importa quem vai reagir e como o fará. Temos que começar já a recuperar a mata ciliar, cuidar dos mananciais como “bebês” e reagir ao desperdício da água em todos as esferas, não só a doméstica, mas também na agricultura e na indústria.

[update] Relembrando outros Dias da Água e debates sobre o tema por aqui:
São as águas de março, fechando o verão… é a promessa de vida no meu coração…
Navega São Paulo em família
E se São Paulo fosse uma metrópole fluvial?
Águas das Florestas no #diadaterra
De onde vem a água que você bebe?

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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.

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