mãe

Há alguns dias eu tive uma longa conversa sobre a pesquisa NOLR. Em 2008, esta amostra do comportamento retratava uma realidade (meio) assustadora, revelando o que as crianças experts em internet sabiam que os pais não sabiam. Se em 2009 os números mostravam uma aproximação dos familiares – que comentei no post Tecnologia pode comprar o amor? – agora o eu destacaria é o “gap” (a distância) entre crenças e comportamentos.

Mas me anima notar que evoluimos – e muito. Os pais estão mais conscientes do impacto emocional (da atividade, tempo e experiência online) de seus filhos e as próprias crianças têm consciência de que não é bom se expor a conteúdo inapropriado nem fornecer informações pessoais na rede. Eu diria que aprendemos, que a exposição que a mídia deu a temas como pedofilia e bullying estão criando uma consciência coletiva sobre estes e outros assuntos relevantes no momento atual das nossas famílias.

Um dos itens que me chamaram atenção no NOLR foi conhecer os bons códigos de conduta, sugestões de limites que as próprias crianças fizeram em suas entrevistas – são 2.800 crianças e adolescentes, com idades entre 8 e 17 anos, em 14 países.  Mas elas ainda precisam de cuidados nossos. Os números de 2010 nos mostram que, considerando quanto tempo as crianças ficam na internet, há, na média dos países entrevistados, 50% de diferença no tempo online real e estimado pelos pais. Ou seja, alguns pais pensam que seus filhos ficam online por 1h por dia, mas pode ser bem mais do que isso. E quando aos que ficam 4h ou mais? Esta diferença pode ser o que afeta sua saúde física e mental (pela falta de exercícios, de tomar sol sem compromisso, de brincar ou se socializar) e pode ser o que diminui, pouco a pouco, seu aproveitamento escolar.

Aqui entra o monitoramento dos pais. Por ocasião da formação do grupo de discussão de pais para fazer uma amostra qualitativa das famílias interativas brasileiras notei uma preocupação saudável com o controle que pode estar embutido no monitoramento. Louvo imensamente a atitude destes pais – eu mesma não consigo me imaginar controlando a vida online dos meus filhos ou invadindo sua privacidade quando já forem adolescentes -, mas acho importante lembrar que, até que eles sejam maduros o suficiente para fazerem escolhas sozinhos, o poder é nosso. O pátrio poder é algo que nós precisamos retomar, não com o paternalismo negativo e cego dos nossos bisavós, mas com a sabedoria de quem conhece o caminho e pode ensinar as novas gerações a caminhar nele com segurança (e para isso, vamos combinar, é imprescindível conhecer o caminho, saber usar o que os filhos usam online!). Um dos comentários das crianças é de que as regras dos pais são defasadas (parents rules are out of date), mas, mesmo assim, 86% delas seguem as regras online da família.

A pesquisa completa pode ser lida (num arquivo PDF que você pode baixar para ler com calma quando quiser) ou na revista digital que pode ser vista abaixo ou baixada para seu leitor digital aqui.

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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.

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