entretenimento / mãe / relacionamentos

collage1.jpgLi há pouco um post da Sofia, Cenas da vida real, daqueles que, como diz Luma Kimura, eu poderia ter escrito, pelo menos o parágrafo que colo aqui (com autorização da autora): Sinto “orgulho (…) de ter um filho que me diz “podes tirar-me tudo menos aquilo que eu penso sobre ti“. É dose. Tem oito anos. Um coração de ouro. Uma perspicácia brutal. E uma frontalidade poderosa.” Tenho vivido isto tanto com o Enzo, são reações opostas, de imenso amor e profunda mágoa, mas que me deixam ciente de que ele está amadurecendo e sabe seu lugar no mundo, além de lutar para que ele seja ainda melhor.

Hoje encontrei um tempinho para visitar alguns amigos virtuais e encontrei no Futuro do Presente um texto que já publiquei uma vez, ainda no tempo do Spaces do Hotmail (meu primeiro blog). Chama-se MÃE MÁ e vale a pena ser lido. Mais ainda se consideramos que parte de nossa convivência atual com os filhos é pelo telefone celular ou pelo messenger. Até os castigos têm uma conotação eletrônica! Ano passado fiz uma matéria sobre video-games e entrevistei uma mãe de pré-adolescentes que controlava o tempo deles no computador e videogame no msn. Como controlar o tempo que eles passam se precisam ficar no computador para responder?

A propósito das mães, filhos, presentes e castigos, escrevo sobre o Liga-Desliga da TV nas nossas casas. Cito dois livros ( Liga-Desliga e O menino que queria ser celular) que me interessaram muito, especialmente depois de ler uma entrevista com o autor, Marcelo Pires, publicitário casado com a escritora Leticia Wierzchowski e pai de um menino da idade do Giorgio. Andei pesquisando e achei uma lista excelente de livros que tratam do tema para que, como eu, vive o drama do liga-desliga.

[update] O blog Diga Não À Erotização Infantil tem uma entrevista com o psicólogo e professor da PUC-Paraná Ivan Capelatto sobre seu novo livro Diálogos da Afetividade (Papirus). Está no post Afeto e limites.

MÃES MÁS
“Eu os amei o suficiente para não ter ficado em silêncio e fazer com que vocês soubessem que aquele novo amigo não era boa companhia.
Eu os amei o suficiente para os fazer pagar as balas que tiraram do supermercado ou revistas do jornaleiro, e os fazer dizer ao dono: “Nós pegamos isto ontem e queríamos pagar”.
Eu os amei o suficiente para ter ficado em pé, junto de vocês, duas horas, enquanto limpavam o seu quarto, tarefa que eu teria feito em 15 minutos.
Eu os amei o suficiente para os deixar ver além do amor que eu sentia por vocês, o desapontamento e também as lágrimas nos meus olhos.
Eu os amei o suficiente para os deixar assumir a responsabilidade das suas ações, mesmo quando as penalidades eram tão duras que me partiam o coração.
Mais do que tudo, eu os amei o suficiente para dizer-lhes NÃO, quando eu sabia que vocês poderiam me odiar por isso (e em alguns momentos até odiaram).
Essas eram as mais difíceis batalhas de todas. Estou contente, venci…Porque no final vocês venceram também! E em qualquer dia, quando meus netos forem crescidos o suficiente para entender a lógica que motiva os pais e mães; quando eles lhes perguntarem se sua mãe era má, meus filhos vão lhes dizer:
“Sim, nossa mãe era má. Era a mãe mais má do mundo…As outras crianças comiam doces no café e nós só tinhamos que comer cereais, ovos, torradas. As outras crianças bebiam refrigerante e comiam batatas fritas e sorvetes no almoço e nós tinhamos que comer arroz, feijão, carne, legumes e frutas. Mamãe tinha que saber quem eram nossos amigos e o que nós fazíamos com eles”.
Insistia que lhe disséssemos com quem iamos sair, mesmo que demorássemos apenas uma hora ou menos. Ela insistia sempre conosco para que lhe disséssemos sempre a verdade e apenas a verdade.
E quando éramos adolescentes, ela conseguia até ler os nossos pensamentos. A nossa vida era mesmo chata.
Ela não deixava os nossos amigos tocarem a buzina para que saíssemos; tinham que subir, bater à porta, para ela os conhecer.
Enquanto todos podiam voltar tarde tarde da noite com 12 anos, tivemos que esperar pelos menos 16 para chegar um pouco mais tarde, e aquela chata levantava para saber se a festa foi boa (só para ver como estávamos ao voltar).
Por causa de nossa mãe, nós perdemos imensas experiências na adolescência. Nenhum de nós esteve envolvido com drogas, em roubo, em atos de vandalismo, em violação de propriedade, nem fomos presos por nenhum crime.
FOI TUDO POR CAUSA DELA!”
Agora que já somos adultos, honestos e educados, estamos fazendo o melhor para sermos “PAIS MAUS”, como minha mãe foi.
EU ACHO QUE ESTE É UM DOS MALES DO MUNDO DE HOJE: NÃO HÁ SUFICIENTES MÃES MÁS!”
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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.

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