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Por conta de uma palestra com o psiquiatra Daniel Barros, passei a acompanhar o trabalho do Instituto de Psiquiatria da USP, o IPq, que se orgulha de ser o “mais avançado centro de ensino, pesquisa e assistência em psiquiatria e saúde mental da América do Sul”.

A culpa não é dos hormônios. É da imaturidade do cérebro adolescente!

Tem sido interessante ver o que o corpo clínico, formado por psiquiatras, neuropsiquiatras e neurocirurgiões renomados, cheio de profissionais com títulos acadêmicos em psiquiatria (mestrado, doutorado e outros), conta sobre as doenças psiquiátricas.

Uma das atividades que me agrada saber que eles realizam é o  IPq Portas Abertas, que acontece novamente no dia 29/09/2017, das 8h às 17h.

IPq Portas Abertas

 

Trata-se de um evento aberto e gratuito, que tem o objetivo de estimular a população a conhecer e falar sobre os transtornos psiquiátricos, combatendo o estigma e preconceito.

Depressão, ansiedade, síndrome do pânico, transtorno bipolar, esquizofrenia, dependência química, anorexia, bulimia, compulsão alimentar, jogo compulsivo, dependência de internet, automutilação, Alzheimer, psicose, TDAH, autismo, estresse pós-traumático, transtorno obsessivo compulsivo, amor/ciúme patológico, transtorno de personalidade e muitos outros temas em psiquiatria e saúde mental, num único dia, com os maiores especialistas do IPq. Tudo, para informar a população, combater o estigma e preconceito.

automutilacao-na-infancia-e-adolescencia

Um dos temas deste ano é a automutilação na infância e adolescência, definida como como qualquer comportamento intencional envolvendo agressão direta ao próprio corpo sem intenção consciente de suicídio.

Pequenos cortes pelo corpo e a tentativa de escondê-los dos pais são os principais sintomas da automutilação, ou cutting, como ficou conhecido em filmes e livros este transtorno.

O que fazer ao perceber que seu filho está machucando a si mesmo?

“A mesma coisa que faria ao perceber que ele está chorando”, afirma a psiquiatra do Ambulatório da Infância e Adolescência do Instituto de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (IPq HC – USP), Jackeline Giusti.

A automutilação deve ser sempre tratada como uma demonstração de tristeza. Os pais não devem dar bronca ao perceber os cortes ou tratar o ato como travessura, mas sim oferecer conforto e compreensão. A família precisa entender que é um problema e que existe tratamento.

Como identificar a automutilação?

O cutting não tem como objetivo chamar a atenção, mas é usado como um escape para aliviar a tensão. Quem o pratica não quer que os pais saibam, porque quer continuar usando esse “analgésico” para dor emocional. E quanto mais cedo o transtorno for tratado, maiores são as chances de a prática não se repetir.

A automutilação é diferente da tentativa de suicídio; a pessoa se corta mas sabe que não vai morrer por causa disso. “A motivação referida pelos pacientes é que eles se cortam para aliviar uma sensação ruim”, diz. Sensação de vazio, angústia, raiva de si mesmo, tristeza com ou sem motivo e até para relaxar são outros motivos apontados.

As principais características do transtorno, que normalmente começa em torno dos 13 anos de idade, são pequenos cortes superficiais feitos pelo próprio adolescente, em locais do corpo que possam ficar escondidos sob a roupa, sendo os braços o local mais comum.

Pode estar do lado da gente. Neste ano, meu filho (que estuda no 1º ano do Ensino Médio) tem uma colega que se automutila e sua preocupação sempre chega a mim em casa, mas não sabemos como ajudar a família.

🙁

A automutilação foi reconhecida como um transtorno mental desde 2013.

Na primeira vez que ouvi falar deste problema, foi num filme, aliás com o qual o mundo passou a olhar com outros olhos para Angelina Jolie.

Em ‘Garota, Interrompida’, de James Mangold (1999), Winona Ryder é uma jovem de 18 anos nos anos 1960 e é mandada pelos pais para um manicômio feminino, onde fica amiga outras internas. Uma delas corta os braços e acaba cometendo suicídio. A história é baseada em fatos reais da vida da personagem de Winona, na verdade a jornalista americana Susanna Kaysen,  autora do livro ‘Girl, Interrupted’.

Li que outros filmes tratam do assunto:

‘Aos Treze’, de Catherine Hardwicke (2003), que mostra a transformação da adolescente Tracy, que vai de nerd a descolada depois que se aproxima de Evie, a garota mais popular da escola. Em sua descida ao inferno, Tracy se corta e usa drogas.

‘Geração Prozac’, de Erik Skjoldbajaerg (2001). Ex-crítica musical, a jovem Elizabeth Wurtzel conta sua história em ‘Prozac Nation’, best-seller nos EUA. ‘Queria saber que, se o desespero ficasse insuportável, eu podia machucar meu corpo. Testei formatos de corte, até o de um coração machucado, para saber se doía como um verdadeiro coração dói. E fiquei feliz ao descobrir que não’, escreveu. A versão para o cinema tem Christina Ricci.

E tem Clarisse, personagem de uma música do Legião Urbana:

“E Clarice está trancada no banheiro
E faz marcas no seu corpo com seu pequeno canivete
Deitada no canto, seus tornozelos sangram
E a dor é menor do que parece
Quando ela se corta ela esquece
Que é impossível ter da vida calma e força
Viver em dor, o que ninguém entende
Tentar ser forte a todo e cada amanhecer”

O tema te tocou? Quer ajudar alguém? Precisa de ajuda?

Confira a programação e inscreva-se pelo site ipqportasabertas.hc.fm.usp.br

O IPq fica na rua Doutor Ovídio Pires de Campos, 785 – Cerqueira César – São Paulo. 

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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.

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