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Um dos posts que mais referencio aqui no blog fala de Abrobetifzar a educação. A ideia me encantou tanto que, embora não faça parte das minhas raízes étnicas nem da minha formação profissional, eu tenho me sentido uma afrobetizadora no meu trabalho como comunicadora.

Se o assunto lhe interessa também, pessoal ou profissionalmente, deixo aqui uma dica: neste mês o Parque da Água Branca, em São Paulo, oferece um curso gratuito sobre cultura afro-brasileira na escola.

Serão três encontros com especialistas no tema: Heloisa Pires Lima, responsável pela criação do Selo Negro Edições, do Grupo Summus Editorial; Erika Balbino, cineasta e escritora de temas afro-brasileir os; e Kiusam de Oliveira, doutora em Educação, escritora e especialista na temática das relações étnico-raciais.

O primeiro encontro, que acontece no dia 14/11, sábado, das 9h às 13h, no Parque da Água Branca (SP), será debatido o tema Uma África no espelho: questões étnico-raciais e a literatura. Quem estiver presente receberá uma sacola com livros da Editora Peirópolis, entre eles O espelho dourado, de autoria da palestrante, e um certificado de participação. As inscrições são gratuitas e podem ser feitas pelo botão abaixo. São 30 vagas disponíveis e as inscrições podem ser feitas aqui.

Primeiro encontro (14/11): Uma África no espelho: questões étnico-raciais e a literatura (com Heloisa Pires Lima).

Oficina voltada para a formação de educadores acerca do tema principal, onde destaca a via literária como dimensão sensível a propor um mergulho em águas africanas. Desta vez usará como base o livro infantojuvenil de sua autoria “O Espelho Dourado”, apresentando a sociedade achanti, descendente do antigo reino de Gana, ao noroeste do continente. Nessa arquitetura narrativa, um pescador de histórias navega no rio Niger para alimentar o leitor de repertórios culturais do século 18 e atuais encontrados em torno dessas águas. A autora abordará esses cruzamentos com inúmeras áreas de conhecimento que podem ser explorados por meio da narrativa oral, lógica matemática, ecologia, geografia, filosofia, artes plásticas, cartografia de África entre outros aspectos. A seção BRINCÁFRICA, no livro, pode vir a inspirar inúmeras atividades em sala de aula.

 Heloisa Pires Lima é doutora em Antropologia Social (USP), atualmente consultora da série Livros Animados/TV Futura, inserido no Guia de Tecnologias Educacionais do MEC e do DOT/Núcleo Étnico-Racial SME-SP.

Há ainda como ressaltar no seu histórico, a coordenação da série Repertório afro-brasileiro: entre o clichê e a pesquisa em sala de aula – Programa Salto para o Futuro/ TV Escola, a consultoria durante a II Jornada para a Inserção das Diretrizes Nacionais para a Educação das Relações Étnico-Raciais e Ensino de História e Cultura Afro-Brasileiras e Africanas – Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade Secad/MEC. Coordenação das Oficinas Pedagógicas dentro da III Jornada África-Câmara dos Deputados/Secad-SEDF – Unesco.

Em 2003, lançou pela Editora Peirópolis o livro “O Espelho Dourado”, foi escritora brasileira convidada para a Journée Literaire Foyalaise – Martinica durante as comemorações do Ano do Brasil na França (2005) e para o Salon Du Livre de Marrtinique: les mondes crèoles (2013).
Segundo encontro (21/11): A valorização da cultura afro-brasileira e a capoeira (com Erika Balbino).

Este encontro mostrará aos educadores como a capoeira está inserida em vários nichos da sociedade sem que se tenha a verdadeira percepção disso. Por meio de figuras lendárias de religiões de matriz africana, que marcaram profundamente o desenvolvimento da cultura brasileira, inclusive a prática da capoeira e seus instrumentos de percussão, que podem ser usados como atividades em sala de aula como referências. A apresentação também abordará a São Paulo negra. 

Erika Balbino nasceu na cidade de São Paulo. Formou-se em Cinema com especialização em Roteiro na Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP) e é pós-graduada em Mídia, Informação e Cultura pelo Centro de Estudos Latino-Americanos sobre Cultura e Comunicação (CELACC) da Universidade de São Paulo (USP). 

Além de seu envolvimento na cultura afro-brasileira e na umbanda, joga capoeira há quatorze anos e desenvolve projeto de pesquisa sobre essa prática na capital paulista. Atualmente está à frente da agência Baobá Comunicação, Cultura e Conteúdo.

Seu livro publicado pela Editora Peirópolis, “Num tronco de Iroko vi a Iúna cantar”, foi recentemente escolhido pela Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil (FNLIJ) para representar o Brasil na feira do livro para crianças de Bolonha e na Bienal do Livro de Paris.
Terceiro encontro (28/11): Reconhecimento e valorização da cultura africana (com Kiusam de Oliveira).

A oficina será inspirada no livro de sua autoria “O Mar que Banha a Ilha de Goré” e abordará as perspectivas dos valores civilizatórios afro-brasileiros, que são: circularidade, religiosidade, corporeidade, musicalidade, cooperativismo/comunitarismo, ancestralidade, memória, ludicidade, energia vital (axé) e oralidade. Cada tema será desenvolvido com muita criatividade a fim de servirem de fonte e inspiração aos trabalhos diários dos profissionais da educação. Haverá também a mediação e a apreciação da leitura da obra, acompanhadas de atividades teóricas e práticas, como danças, brincadeiras, músicas, desenhos e confecção de Abayomis. A artesã Luciene Campos e o percussionista Anderson Araká colaboram na oficina.

Kiusam de Oliveira, artista multimídia, escritora, contadora de histórias, bailarina, coreógrafa e professora de danças afro-brasileiras. Pedagoga com habilitações em Orientação Educacional, Administração Escolar e Deficiência Intelectual. Doutora em Educação e Mestre em Psicologia pela Universidade de São Paulo (USP). Especialista na temática das relações étnico-raciais, participando de conferências, congressos, simpósios etc. Experiência em assessoria na implementação da lei 10.639/03 nos municípios de Diadema (desde 2005) e São Paulo, na DOT-P-Guaianases (2013). Ministrante de cursos e oficinas sobre corporeidade afro-brasileira. Ativista do movimento negro. Tem publicado pela Editora Peirópolis os livros infantojuvenis, O mundo no black power de Tayó e O mar que banha a ilha de Goré.
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A série do Encontros no parque, formação presencial gratuita que acontece em São Paulo com temas ligados ao universo escolar, é uma iniciativa da a Plataforma do Letramento, a Editora Peirópolis e o Espaço de Leitura (espaço sobre o qual já falei aqui no blog, com vídeos dos meus -então- pequenos leitores).

A Plataforma do Letramento nasceu da ideia de se criar um espaço para a reflexão, formação, disseminação e produção de conhecimento sobre o letramento, com a pretensão de criar uma comunidade de referência para educadores, professores, gestores e demais profissionais que têm se dedicado a assegurar o direito ao pleno acesso ao mundo da escrita para todos os brasileiros, como garantia do aprendizado ao longo da vida e da participação ativa e autônoma nas diversas esferas do mundo social.

Relembre: a cultura afro-brasileira na escola
Instituída em 2003, a lei n.º 10.639 acrescentou dois artigos à Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) que estabelecem o estudo da cultura afro-brasileira em todas as escolas públicas e privadas dos ensinos Fundamental e Médio do país. O objetivo foi apresentar a história não apenas do ponto de vista do colonizador, mas de uma cultura que também constitui a história e a formação da sociedade brasileira. De acordo com a lei, o ensino deve se basear na consciência política e histórica da diversidade, no fortalecimento de identidades e de direitos e nas ações educativas de combate ao racismo e às discriminações, que devem ser ensinadas de forma transversal no currículo.


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