Culpa pelo trabalho

[Este texto foi originalmente publicado no Desabafo de Mãe]

Um comentário no texto E viva as férias de julho!, me fez lembrar de uma entrevista que eu concedi à reporter Lilian F. Morais, da revista Crescer, sobre um dos painéis do 1º Seminário Crescer: Famílias Interativas que aconteceu em maio sem São Paulo (ela me falou que a matéria já saiu na revista, mas ainda não comprei para conferir). Foi interesssante porque pude relembrar e reviver estes últimos anos, refletindo sobre a forma como nós estamos encarando meu retorno efetivo ao mercado de trabalho – e eu sinceramente espero que ele possa continuar acontecendo, mas lentamente e sem exageros.

Posto abaixo as perguntas – e minhas respostas – curiosa por saber como vocês, pais e mães que são leitores e amigos aqui, fazem para resolver as mesmas questões! Contem nos comentários, estou ansiosa por saber.

Montei um acampamento para os dois me acompanharem durante algumas horas do dia, mas confesso que trabalhar ao som do Club Penguin, Neopets e tudo mais não é fácil.Tampouco o é sob a trilha sonora do Discovery Kids e Cartoon Network, ouvindo o trenzinho elétrico girar nos trilhos a toda, com dois heróis fantasiados brincando de luta ou contadores de história mirins inventando teatros com os bichos de pelúcia.
Montei um acampamento para os dois me acompanharem durante algumas horas do dia, mas confesso que trabalhar ao som dos jogos e brincadeiras não é tão fácil.

🙂

Sobre a possibilidade de parar de trabalhar e ficar período integral com os filhos:

No ano passado tive a experiência de deixa-los no período integral da escola por 12h duas vezes por semana e foi muito duro para todos nós. Por outro lado, como eles já tinham 5 e 8 anos e frequentavam o ensino fundamental, notei que se tornaram mais independentes e percebi neles um “orgulho” ao me ver chegar na escola para buscar depois do trabalho, com jeito de mãe-executiva, mais dentro do padrão das outras mães dos colegas.
No entanto eu ainda priorizo ficar meio período com eles e tentar concentrar o trabalho fora de casa (reuniões, entrevistas) no horário da escola.

Os aspectos familiares, sociais e econômicos que me fazem continuar trabalhar:

Não tive necessidade financeira de voltar a trabalhar, meu esposo sempre me apoiou e a idéia de eu ficar com as crianças na sua primeira infância era um projeto familiar -e eu me organizei financeiramente  por alguns anos antes de ter filhos para concretiza-lo. Mas eu sempre pensei que deveria ter um prazo, ser finito e meu plano era (e foi assim que fiz) voltar a trabalhar meio periodo quando eles estivessem no ensino fundamental. Para isso, nunca fiquei realmente fora do mercado, continuei me informando, estudando, trabalhando pro bono na minha área para me manter ligada à minha profissão.

Formas criativas para se comunicar e estar perto dos filhos mesmo com excesso de trabalho:

Fico com eles pela manhã e à noite, salvo datas em que tenho eventos (como o da Crescer) nestes horários, pois tento marcar entrevistas, reuniões, tudo no horário de aula.
Aproveitamos os finais de semana para fazer programas culturais legais, como ir a museus, parques, contação de histórias e lançamentos literários em familia, são coisas que têm a ver com meu trabalho, mas que podemos aproveitar juntos.

A culpa por trabalhar muito:

Ainda durmo com culpa, mas lembro de um verso do Renato Russo que dizia “todos os dias, antes de dormir, lembro e esqueço como foi o dia, sempre em frente, não temos tempo a perder”. Penso que tenho a aproveitar a “culpa” que vem depois de muitos dias ausente para me aperceber de que o tempo que temos juntos é sempre muito valioso.

Conversas com os filhos para que eles entendam a sua “ausência”

Sempre enfatizo como o trabalho me faz feliz. Aquele papo de trabalho enobrece, mais do que o discurso de que “preciso trabalhar” para pagar a vida que você tem. E digo que faço um trabalho que tem um valor social e, por exemplo, quando uma pessoa comenta no meu blog que descobriu lá uma exposição ou um livro infantil e curtiu como filho, eu mostro para eles. Eles se sentem orgulhosos por serem meus “musos” inspiradores e meus pauteiros, por trabalharem comigo!

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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.

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