O verão e os cuidados na prevenção do afogamento

Estamos indo para praia amanhã e lembrei deste post que escrevi no início do verão no Mãe com Filhos contando dos planos de meus filhos para curtir as férias na casa dos avós que está com a piscina reformada. Todo ano é a mesma coisa: eles se esbaldam com o espaço (pequeno, mas suficiente para umas braçadas) que é praticamente só deles, com o mesmo frenesi que o fazem na volta das férias em Sampa, na imensa piscina do clube que frequentamos e que tem vários tobogãs.

Grande ou pequena, a piscina é sempre um risco à criança desacompanhada – e os banhos em rios e praias exigem ainda mais nossa atenção. Segundo li em artigo de Moacyr Scliar (na revista Seleções, dezembro de 2010), os afogamentos vitimam mais de 8 mil pessoas por ano no Brasil. E representam a segunda maior causa de morte acidental entre crianças de 1 a 14 anos, fazendo cerca de 1.500 vítimas nesta faixa etária. O risco é também de que, no caso de afogamento em que a vítima seja salva, a falta de oxigênio por alguns minutos ocasione lesões no cérebro.

“A maior parte dos afogamentos acontece em rios, lagos, açudes e no mar, mas até mesmo uma banheira com água pode representar risco para uma criança pequena. Nem precisa conter muita água: cerca de dez centímetros de profundidade são suficientes para uma afogamento”, explica Scliar, médico especializado em Saúde Pública (que muitos de nós conhece como escritor e poeta).

Outro fator que contribui para que o afogamento seja um dos acidentes mais letais para crianças e adolescentes é que o mesmo acontece de forma rápida e silenciosa. O site Criança Segura relata alguns casos possíveis de um banho de bebê:

  • Ao deixar a criança na banheira para pegar uma toalha: cerca de 10 segundos são suficientes para que a criança fique submersa
  • Ao atender ao telefone: apenas 2 minutos são suficientes para que a criança submersa na banheira perca a consciência
  • Sair para atender a porta da frente: uma criança submersa na banheira ou na piscina entre 4 a 6 minutos pode ficar com danos permanentes no cérebro

E como evitar?

  • Grande parte dos afogamentos com bebês acontece em banheiras. Na faixa etária até dois anos, até vasos sanitários e baldes podem ser perigosos. Nunca deixe as crianças, sem vigilância, próximas a pias, vasos sanitários, banheiras, baldes e recipientes com água
  • Evite brinquedos e outros atrativos próximos à piscina e reservatórios de água
  • Saiba quais amigos ou vizinhos têm piscina em casa e quando levar a criança para visitá-los, certifique-se de que será supervisionada por um adulto enquanto brinca na água
  • Se há crianças e piscina em casa, ela deve ter uma cerca de, no mínimo, 1,5 m com um portão que possa ser seguramente fechado – medida que, segundo pesquisas, evita 50% dos afogamentos infantis (no caso dos meus pais a piscina fica no terraço e tem uma porta janela que fica sempre trancada)
  • Piscinas cobertas e alarmes também funcionam, mas não substituem a cerca, da mesma forma que boias não são seguras e o melhor é o colete salva-vidas, que deve ser usado quando estiver em embarcações, próxima a rios, represas, mares, lagos e piscinas, e na prática de esportes aquáticos
  • No mar, a vala aparenta uma falsa calmaria, mas representa o local de maior correnteza que leva para o alto mar. Ensine a criança a nadar transversalmente à vala até conseguir escapar ou a pedir socorro imediatamente
  • Em casa, quando a criança está na piscina, um adulto deve estar sempre perto e atento – e não vale (mesmo) ficar vendo TV na sala ao lado nem conversando animadamente com outros se a criança for muito pequena porque qualquer distração pode ser fatal
  • Nas emergências os adultos devem saber fazer as manobras de ressucitação e devem se comunicar o mais rapidamente possível com um serviço médico de emergência solicitando socorro em domícilio. Tenha um telefone próximo à área de lazer e o número do atendimento de emergência (SAMU: 192 e Corpo de Bombeiros: 193)

E se meu filho já sabe nadar bem?

Aprender a nadar é importante, mas mesmo os que nadam bem devem ser monitorados – especialmente se brincarem com outras crianças que não tenham desenvolvido as mesmas habilidades ou forem de idades distintas. Brincadeiras na água (como “dar um caldo”) sempre são mais perigosas porque as pessoas ficam mais vulneráveis e as crianças nem sempre sabem o limite umas das outras

E sobre a natação, considero o que o pediatra de meus filhos diz: as crianças em geral atingem desenvolvimento necessário para aprender a nadar de fato por volta dos 4 anos – não adianta ensinar muito antes, até porque, mesmo que aprenda a nadar antes, a criança não tem maturidade emocional para discernir os perigos das brincadeiras na água. E mesmo depois, sendo bom nadador, vale ficar de olho até que eles realmente demonstrem que sabem como agir de forma sensata neste novo espaço de brincadeiras.

E por fim, ensine a criança:

  • Sempre nadar com um companheiro. Nadar sozinho é muito perigoso
  • Respeitar as placas de proibição nas praias, os guarda-vidas e verificar as condições das águas abertas
  • Não brincar de empurrar, dar “caldo” dentro da água ou simular que está se afogando
  • Saber ligar para um número de emergência e passar as informações de localização e do que está acontecendo em caso de perigo

 

Leia mais:

– O verão e os cuidados na prevenção do afogamento http://bit.ly/piscina-segura 
(e vale ver o video http://bit.ly/WjmeOf)
– Playground esconde riscos para crianças http://bit.ly/riscosdoplay

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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.

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