Soluções para as cidades em desenvolvimento

“É preciso adaptar a nova mão de obra (seja ela oriunda de imigrantes ou da chamada nova classe média) para que tenhamos um crescimento ordenado, uma mudança de paradigma que vá além do econômico e se mostre social e realmente construtiva para todos.”

"Ser vizinho de área verde é um dos maiores desejos de quem mora na capital" - tendência não só de São Paulo, mas mundial ;-)

Neste domingo estava lendo o JT e, numa matéria sobre a vontade que os paulistas têm de ter parques e áreas verdes perto de casa e descobri um movimento na linha da Agricultura Urbana da qual falei aqui outro dia, o Projeto Plantando na Cidade. Googlando rapidamente achei reportagens (como esta que do video abaixo) contando da ideia conduzida por um aluno da Faculdade Cantareira, Marcos Vitorino, que propõe a instalação de hortas sobre telhas em espaços pouco valorizados da metrópole, como lajes, quintais e terrenos de imóveis comerciais e residenciais. Segundo Vitorino, os telhados da cidade estão cheios do que as plantas precisam para crescer: sol e gás carbônico.

E como precisamos de soluções para as grandes cidades! Em janeiro a revista Time trazia, em Tale of 600 cities, um levantamento das cidades que mais vão crescer nos próximos anos, seguindo informações de um relatório do McKinsey Global Institute intitulado “Urban World: Mapeando o poder econômico das Cidades“. Os dados davam conta de que nove das dez áreas urbanas que deverão ter o maior crescimento do PIB entre 2007-2025 estão na China. E fora de lá? São Paulo aparece entre as 25 cidades em crescimento, ajudando a assustar os “gringos” porque 21 destas cidades estão em países em desenvolvimento. Dos antigos players de sucesso, apenas Nova York, Londres, Los Angeles e Tóquio persistiriam em crescimento significativo.

Lembrei deste artigo e do especial que o caderno de final de semana do Valor trouxe nesta sexta-feira, comentando como o crescimento econômico já traz migrantes para os países emergentes, alterando um cenário que fez dos ditos “países desenvolvidos” os grandes receptores de talentos e de mão de obra empreendedora e pró-ativa no século XX. A matéria de Diego Vianna trazia dados da mudança de paradigma que traz imigrantes e brasileiros que retornam de experiências frustradas (ou não!) no exterior, trazendo especialistas (engenheiros, chefs de cozinha, executivos) e mão de obra não qualificada, todos interessados no crescimento econômico do país, mas também contando com a “vocação recepetora do mundo emergente”, no qual nós nos destacamos, não é mesmo?

Precisa de verde, SP está em 10o lugar na lista "Urban areas in 2025" (Time)

Mas não basta receber de braços abertos, é preciso adaptar a nova mão de obra (seja ela oriunda de imigrantes ou da chamada nova classe média) para que tenhamos um crescimento ordenado, uma mudança de paradigma que vá além do econômico e se mostre social e realmente construtiva para todos.

"Economias emergentes entram na rota preferencial de migrantes", afirma Valor (e Brasil é destino bem cotado)

E o que isso tem a ver com as hortas urbanas?

O resultado deste crescimento em locais em desenvolvimento é óbvio: desordem, falta de planejamento e consequências raramente positivas para os seres humanos e o ambiente que os cerca. Há décadas – ou pelo menos desde a ECO92 – discutimos, em teoria, que tanto a urbanização quanto a globalização moldam a economia do planeta. Com um quinto da população mundial estes 600 centros urbanos representarão cerca de 60% do PIB mundial, estas cidades vão afetar diretamente nosso cotidiano e nossas lutas. Pergunta: por quê esperar até 2025 e não começar agora a mudar radicalmente de postura?

Vamos começar a reunir hoje as alternativas e propor soluções para que pelo menos nosso país cresça de forma ordenada e saudável até 2025?

Conte aí abaixo (ou poste em seu blog, mas se possível avise a gente aqui) das ações que, como no caso da agricultura urbana (e em telhados!), lhe pareçam alternativas viáveis e positivas para este novo crescimento que vamos viver.

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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.

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