Cozinha? Lugar de mulher é na internet…

Minha vida de mãe blogueira e virtual começou a deslanchar de fato no orkut. Lá conheci a Ana Mara, uma professora de Guarulhos que me convidou para o MSN Group dela chamado Nossos Baixinhos, do qual hoje sou moderadora. Lá, como no orkut, muitas mães que nunca cheguei a conhecer me deram dicas de escolas, pediatras e tudo mais quando ia me mudar de Curitiba para São Paulo. Lá também comecei minhas trocas de figurinhas de álbuns de heróis dos meus filhos e acabei conhecendo um site criado só para trocas.

Não consigo imaginar minha maternidade sem a internet, onde troco recados com mães de coleguinhas de escola, desabafo sobre minhas agruras, converso no msn sobre dicas de livros e DVDs, baixo mp3 da minha infância. É, a internet dá um espaço que a mulher precisa ter e nem sempre consegue: a reunião de amigas que acontece como a partidinha de futebol dos maridos na terça à noite, o happy hour com os colegas, o chá com jogo de baralho de antigamente. Minha madrinha até hoje tem chá semanal com as amigas, acho um luxo, uma delícia elas serem amigas desde a adolescência e se encontrarem até hoje, mesmo já sendo avós.

Raras e solitárias são as mães que atualmente não têm ao menos uma amiga com quem chatear no msn no início da noite de sexta ou talvez na segunda de manhã, para contar do final de semana. Enfim, o chat, o painel de recados do orkut e o e-mail estão substituindo com vantagens nossos papos de mulher na cozinha. Cozinha? Lugar de mulher é na internet!

Meus filhos já sabem, ao terminar um desenho, eles correm para mim e pedem: mamãe, você pode postar no meu blog. Sim, ambos têm blogs onde postamos os desenhos, trabalhos de escola, reportagens interessantes, tudo para os avós e tios que moram a quilômetros de distância acompanharem em tempo real. E eles têm que acompanhar tudo: saber o nome do personagem, de onde vem (quer dizer, em que país se passa) e com qual deles Enzo se identifica, com qual é o Giorgio. Raramente é o mesmo e haja hiperlink para os adultos checarem tudo no site indicado.

Os blogs viraram mania e são um caminho sem volta para nós, as mães modernas que aceitam se expor. É claro, pelo bom senso, nada que comprometa sua vida, que deixe claro onde exatamente mora, que contenha fotos de seus filhos ou suas com muitos pixels para não serem roubadas por algum maluco na Internet. Neles acontece a melhor coisa para uma mãe: podemos ser corujas, falar de bobeiras, contar coisas banais (mas lindas!), enfim, ser mães, com uma completude que há tempos não se permitia às mulheres profissionais.

Ainda me pergunto se todas as mães são assim, tão virtuais. Creio que não, que este será um hiperlink entre eu e meus filhos sempre, como tem sido a paixão por figurinhas, por super heróis, a fé em Deus, enfim, tudo misturado e que me faz chegar mais perto deles. Como não sou de deitar no chão e rolar (nem meu ciático deixa), tenho estes outros interesses em comum com eles. Ou eles comigo!

Abraço em todos, amigos e amigas, obrigado pelo carinho sempre e boa páscoa.

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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.

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