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Como já citado anteriormente, o primeiro painel do 4º Fórum Mulheres de Destaque trouxe um tema bastante controverso e que costuma dividir opiniões: a criação de cotas para ampliar a participação das mulheres em conselhos consultivos, diretorias e cargos de liderança.

Para apresentar e debater o tema, sentaram juntas Luiza Helena Trajano, Presidente do Magazine Luiza, Raquel Preto, CEO da Preto Advogados, Luciana Batista, Sócia da Bain & Co., Adriana Carvalho, Assessora da ONU Mulheres e Maria Fernanda Teixeira, Senior Corporate VP, da First Data.
Pouco antes do início do painel, tive a oportunidade de conversar com a Luiza e assistir à entrevista que ela concedeu à revista Exame, em que ela coloca o sistema de cotas como um processo transitório utilizado para corrigir uma desigualdade.

Ao iniciar o Painel, cada uma destas mulheres trouxe seu posicionamento a respeito do tema. Adriana disse sentir-se empoderada desde criança, por isso nem sempre foi a favor de cotas. Mas ao tomar contato com pesquisas e dados, conheceu o conceito de ‘viés inconsciente’, que faz com que as pessoas julguem o tempo todo. Trouxe dados objetivos a respeito do desempenho alcançado pelas mulheres e estes comprovam que ainda falta muito para que haja equidade de gênero, e não só nas empresas.

Luciana trouxe a questão da igualdade de oportunidades e faz um questionamento: porque as mulheres desaparecem na escalada corporativa? A diferença entre homens e mulheres está em prioridades conflitantes e estilos de liderança diferentes, embora complementares. No entanto, muitas vezes, a mulher é barrada pelos vieses culturais e organizacionais, o que faz com que apenas eles tenham ascensão profissional. Defendeu a adoção de modelos de trabalho flexíveis, a seleção e promoção sem esses vieses. Uma liderança comprometida com esta causa e a comunicação e internalização de novos valores a serem adotados pelas empresas. Citou o Exemplo da Noruega, que adotou um sistema de cotas para mulheres em posições de liderança, na busca por resultados mais rápidos para corrigir este cenário.

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Raquel fez a apresentação mais apaixonada, dizendo que dá a impressão de que as mulheres não são competentes. E que nós vivemos num mundo retrógrado e sexista, em que as mulheres se esforçam muito, mas não chegam lá. Pontuou que a mulher ainda é vista como base familiar, mas que deseja que estejam no topo da pirâmide, participando de decisões e criação de políticas públicas. Apresentou dados chocantes, sobre a representatividade da mulher nos três poderes no Brasil, sendo sempre minoria. Afirmou que este cenário “não é democracia, é farsa”. Que todos os partidos são iguais no que tange a questão feminina, afirmando que as mulheres não são convidadas para assumir secretarias.

Mostrou dados sobre a participação da mulher nos parlamentos pelo mundo e que o Brasil perde para a Arábia Saudita, que tem mais mulheres na sua bancada do que aqui. E afirmou ter sentido muita vergonha quando soube deste dado, afirmando que “elas estão de burca, mas estão lá!”.
Defendeu efusivamente a criação de cotas para ampliação da participação da mulher nos conselhos consultivos de empresas, cargos de liderança, bem como no setor público como uma forma de acelerar o processo de igualdade, afirmando que a mulher tem sim lutado e conquistado o seu lugar na sociedade, e mostra competência para ir muito mais longe, mas que, olhando para a história e a forma com que este processo vem acontecendo, a equidade levará cem anos para ser alcançada, e encerrou sua fala dizendo que ela é “uma pessoa de 3 anos e não de 300 anos”.

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Luiza começou sua exposição dizendo que faz parte de uma empresa de organismo vivo, em que o foco são as pessoas. Disse que nem sempre foi a favor de cotas, mas que, ao observar o processo de inclusão da pessoa com deficiência dentro de sua empresa, percebeu quanto potencial estava sendo desperdiçado e que, não fosse por uma medida obrigatória, essas pessoas nunca teriam acesso ao mercado de trabalho e nunca teriam a oportunidade de mostrar o seu valor. Falou sobre a criação de cotas como algo transitório, que causa um “rebuliço” no início, mas que tende a ser incorporado como prática, como a forma mais rápida de mudar um cenário que não é favorável, por isso hoje se posiciona a favor de todas as cotas. Encerrou sua apresentação defendendo que um bom líder é aquele que leva as pessoas o mais longe do que elas acham que podem ir, independente de quem seja.

Todas defenderam que é preciso elevar a auto estima das mulheres, ensiná-las a trabalhar melhor seu marketing pessoal e ter a escola, por exemplo, como um veículo de mudança de cultura. E que com trabalho, fé, alinhamento, é possível sim construir um mundo com igualdade.

Para mim, assistir a este painel foi uma mudança de paradigma. Nunca tive uma opinião totalmente formada sobre os vários sistemas de cotas criados no Brasil, mas sempre tive a impressão de que algumas foram criadas como medidas paliativas, ao invés de atacar a questão central. Abro um parêntese aqui pra contar que eu saí de uma escola púbica e ingressei numa Universidade também pública, mas a qualidade do ensino de base piorou muito depois da criação da progressão continuada como forma de diminuir os índices de evasão escolar e analfabetismo no país. Assim, para mim, criar cotas em Universidades Públicas para alunos saídos de escolas públicas, foi uma forma de enfrentar o problema de trás pra frente. Mas, ao participar desta discussão, pude reavaliar minhas opiniões a respeito e entender que promover o acesso é uma forma democrática de oportunizar para o sucesso. E que, ainda que num primeiro momento pareça que o outro está lá por ter sido beneficiado pelo sistema, isso não tira o valor do empenho pessoal nesta busca. E que também pode ser uma forma de lutar contra o preconceito.

Eu concordo quando Luiza fala que sem as cotas, as pessoas com deficiências não teriam acesso ao mercado. Eu sou Psicóloga com atuação na área da saúde e, mesmo não trabalhando diretamente com esta área, pude acompanhar o árduo trabalho de colegas para garantir que os direitos desta população fossem respeitados e os resultados colhidos neste esforço.
E também concordo com a fala da Raquel quando ela diz que as mulheres se esforçam muito, mas nem sempre chegam lá e que não tem a ver com competência. E pensar num processo como algo transitório, entendo como uma forma de forçar uma reflexão necessária e um caminho para a busca de novos olhares a serem lançados sobre questões antigas.

O mais interessante deste painel foi que, para defender este posicionamento, as participantes trouxeram dados objetivos e em um cenário mundial, comprovando o fato de que, quando homens e mulheres atuam juntos, os resultados são melhores.

Faço o convite para que reflitam também a respeito e busquem novos olhares para as mesmas causas. Eu me surpreendi e todos podem se surpreender também.

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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.

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