Como são planejadas as cotas nas universidades públicas?

Esse vídeo da UFABC – Universidade Federal do ABC ajuda a entender como acontece o processo de ingresso por meio de cotas nas universidades públicas.

Vale lembrar que estes critérios, por serem novos, estão em adaptação no Brasil. A UFPR (Universidade Federal do Paraná), por exemplo, fez uma alteração no ano passado, e a UNESP – Universidade Estadual Paulista fez um processo e retirou alunos que se identificaram como negros sem serem.
Contamos dos dois casos na fanpage, lembram-se?

Uma das saídas encontradas pelas universidades para evitar fraudes no sistema de cotas é a realização de uma entrevista para comprovar se as características físicas são, de fato, as declaradas no momento da inscrição do vestibular. Em Goiás, um candidato se recusou a participar desta etapa e foi excluído do processo. No Tribunal Regional Federal da 1ª Região, a entrevista foi considerada legal e a exclusão do aluno mantida. Veja este vídeo de 2016:

Será que as cotas aumentaram a presença dos alunos negros nas universidades? Não tenho um levantamento brasileiro em mãos, mas achei um panorama interessante da universidade que frequentei e onde me formei em jornalismo quando as cotas raciais eram um debate distante e um sonho quase impossível.

Só em 2005 a UFPR adotou uma política própria de cotas, atendendo a resolução 37/04 do Conselho Universitário que estabeleceu que 20% das vagas do vestibular seriam reservadas para negros (pretos e pardos, segundo a classificação do IBGE) e outros 20% para alunos oriundos de escolas públicas. A partir de 2013, a universidade passa a adotar a Lei de Cotas nacional, cuja efetivação (50% das vagas) será concluída no vestibular deste ano. Por esta regra, são beneficiários apenas estudantes de escolas públicas, sendo que parte das vagas são para estudantes negros, de acordo com a porcentagem que esta população representa naquele estado, de acordo com o Censo do IBGE. Além disso, metade das vagas (tanto gerais de escolas públicas, quanto de estudantes pretos e pardos) é reservada àqueles cujas famílias ganham até 1,5 salário mínimo por pessoa. Atualmente, cerca de 16% do total de vagas da UFPR é reservado para os cotistas raciais.

http://www.avidaquer.com.br/um-levantamento-racial-das-escolas/

O que isso significa de verdade?

O crescimento do número de estudantes negros aprovados no vestibular da UFPR não foi uniforme ao longo dos anos. Após um boom no primeiro anos das cotas – quando 20% dos aprovados no vestibular foram negros – o mesmo não se repetiu nos anos seguintes, quando a média variou entre 14% e 16%.

Claro que meu estado natal é atípico, deve ter mais “amarelos” como eu do que negros por lá. Mas é uma amostra do jeito como as discutidas cotas estão funcionando na prática no Brasil.

Você tem mais dados? Como é no seu estado?

Outras cotas são necessárias, como por exemplo a dos povos indígenas. 

Na UFPR, onde eu fiz faculdade, o Vestibular dos Povos Indígenas é realizado anualmente, desde 2000, por meio de uma rede de universidades paranaenses criada para permitir acesso ao ensino superior para a população indígena. Além da UFPR, participam do processo sete universidades estaduais: Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), de Maringá (UEM), do Norte do Paraná (UENP), do Oeste do Paraná (Unioeste), do Centro-Oeste do Paraná (Unicentro) e do Paraná (Unespar).

P.S. Na autoidentificação, eu, por exemplo, informei que sou “Amarela” e fiz o mesmo quando registrei meus filhos.

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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, casada, mãe de 3, jornalista no @avidaquer @maecomfilhos @biblianafamilia.