atividade física / destaque

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Tenho mais de um amigo que mudou totalmente de vida graças ao hábito de correr. De manhã, à noite, em maratonas, as situações são várias e os efeitos parecem garantidos. Eu confesso que correr nunca foi a minha praia porque é um esporte solitário e porque (riam!) ainda adolescente eu ouvi Jane Fonda falar que não corria porque fazia mal para os seios! Enfim, acho que fiquei com a ideia de que corrida não era o esporte mais feminino e como fui daquelas mocinhas que fazia ginastica rítmica desportiva, balé, jazz, hata yoga e sonhava com nado sincronizado, realmente não combinava muito comigo.

Mas ultimamente eu vinha pensando no assunto com seriedade.

Até que vi que o famoso médico e cientista americano Dr. Kenneth Cooper, criador da metodologia de treinamento que leva o seu nome, dizer que agora caminha e defender a atividade física como a mais indicada para todas as idades.

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Foi com o livro Aerobics, que deu origem a ginástica aeróbica praticada tanto nas academias quanto competitivamente, que o médico Cooper se tornou mundialmente conhecido, a tal ponto que seu nome se tornou sinônimo de um tipo de corrida, o cooper. O que eu não sabia é que ele devia sua fama à Seleção Brasileira de Futebol!

No final dos anos 60, Kenneth Cooper inventou um método que avaliava o desempenho de atletas e pessoas comuns em apenas 12 minutos e a prática foi adaptada à Seleção Brasileira vitoriosa em 1070, tornando-se rapidamente um sucesso mundial. O que se viu em seguida foi pessoas comuns começando a correr em todos os cantos do planeta.

Agora, 50 anos depois de conquistar multidões, o médico admitiu que se sente culpado por algumas consequências negativas que o método teve e décadas depois ele falou, como pioneiro na medicina preventiva, no 27º Congresso Brasileiro de Medicina do Exercício e do Esporte. Na palestra de Cooper no Congresso da SBMEE, o tema “Exercício é remédio” foi o mote para falar sobre a evolução do conceito do exercício e os seus benefícios na prevenção de doenças, na longevidade e no combate ao stress, além de fazer um apanhado histórico sobre seu livro “The Aerobics Program for Total Well Being: Exercise, Diet and Emotional Balance”.

E creio que a questão é realmente equilibrar exercício, dieta e o emocional. Parece complicado, mas não é, pois uma coisa boa “puxa” a outra. Quando começamos a nos exercitar, temos menos vontade de comer coisas pouco saudáveis (verdade, eu noto isso claramente!) e o emocional melhora a olhos vistos!

Sem falar no indiscutível preço que o sedentarismo cobra do corpo humano! Quem não concorda que ele é alto demais?

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Pesquisas já comprovam a associação entre sedentarismo e o surgimento de doenças como diabetes, obesidade e cardiovasculares. No Brasil, por exemplo, estima-se que 300 mil pessoas morram por ano em decorrência do infarto, problema em cuja origem estão a ausência ou a pouca atividade física.

Por outro lado, as pesquisas apontam para outra questão importante: fazer atividade física de forma esporádica (tipo o futebolzinho de fim de semana) pode piorar doenças pré-existentes e é um risco para saúde. Segundo o especialista em Medicina do Esporte e Diretor da Sociedade Brasileira de Medicina do Exercício e do Esporte, Ricardo Munir Nahas, um dos problemas é que o coração pode não conseguir responder ao esforço demandado durante a atividade e se o órgão não recebe a oxigenação necessária, corre o risco de entrar em colapso.

Mas não é preciso deixar de fazer atividade física por medo de passar mal. Basta começar devagar e ir aumentando a atividade sem parar, com uma boa rotina, a dos 30 todo dia. Como explica meu querido Dr Victor Mastudo, “é preciso implantar a cultura do exercício físico e dar condições para que possam ser praticados”.  Diretor do Centro de Estudo do Laboratório de Aptidão Física, em São Caetano do Sul (SP), e consultor da Organização Mundial de Saúde neste campo, Matsudo defende atividades simples, possíveis para todos, que mudam nossas vidas.

Quando nos conhecemos, num evento do Viva Positivamente, ele me surpreendeu com duas novidades que eu nem imaginava:

– a gente pratica atividade física em muitas coisas do cotidiano, das mais simples e automáticas (como atender o telefone caminhando pela casa) às mais exigentes (como optar pela escada no lugar do elevador)

– as escolas brasileiras não permitem a prática efetiva de atividades físicas, a despeito dos inúmeros estudos e dados sobre o valor da atividade física na infância

Mas o esporte também é bom!

O esporte é uma das formas para se manter ativo. Ele tem impacto em inúmeras políticas como saúde, educação e redução de violência. Na saúde, os benefícios já são comprovados, mas ainda falta muito para usar efetivamente este conhecimento para o bem da população.

Hoje, o Brasil gasta mais de R$ 12 bilhões por ano com problemas causados pelo sedentarismo e obesidade. Mais da metade da população brasileira está acima do peso e mais de 17% são obesos. Os poucos e frágeis dados sobre atividade física nas capitais brasileiras apontam que somente 33% fazem atividade física suficiente e 15% são totalmente inativos.

E aí, ‘bora imitar o Cooper e começar a caminhar por 30 minutos amanhã mesmo? Pode ser até devagar e de mãos dadas, como o casal da foto, desde que tire você do sofá!

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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.

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