Convívio com animais favorece sistema imunológico

“A relação entre a criança e o animal é muito importante. Ajuda a desenvolver a responsabilidade, respeito para com os animais, além de estreitar o vínculo afetivo-emocional. É claro que compete aos pais estabelecer o compromisso de cuidar do animal. A criança deve ser responsável por alimentar, por não deixar o animal destruir as coisas e, dependendo da idade, também deverá dar banho, ser escovado, levar para passear e ser educado. O vínculo de amor entre a criança e o animal se solidifica através do cuidar e da responsabilidade por ele.”
Amor sem limites do fiel amigo

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Na minha infância animal de estimação era aquele cachorro que tomava conta da casa, ficava lá no quintal, comia a mesma comida da gente e tomava banho de mangueira. Raramente eles entravam em casa – apesar dos muitos pedidos das crianças que se encantavam com filmes como Benji e Beethoven – e eram substituídos quando havia necessidade. Tudo em nome da segurança do lar.

Hoje cães ainda são os amigos das crianças, mas amigos bem mais íntimos. Compramos (e não pegamos mais da ninhada do vizinho) cães e gatos lindos, eventualmente até animais diferentes (chinchila, hamster, porquinho da índia, pássaros) e eles são tratados com regalias que às vezes os donos não dão a si mesmos: salão de beleza uma vez por semana, consulta médica frequente, exercícios (os passeios) para manter a forma e tirar o estresse.

Uma pesquisa científica realizada pelo Departamento de Psicologia Experimental da Universidade de São Paulo (USP), em grupo liderado pelo professor César Ades, comprovou que o convívio com animais favorece sistema imunológico e reduz estresse. Isso mesmo, acariciar um cão pode elevar os níveis de anticorpos que evitam a proliferação de vírus e bactérias. Então atender ao pedido das crianças que pedem para ter um animalzinho de estimação pode ser bom para toda família.

A convivência com animais de estimação pode contribuir não só para o bem-estar psicológico, mas também para a prevenção e tratamento de várias patologias, com destaque para a melhora da imunidade de crianças e adultos, a redução dos níveis de estresse e da incidência de doenças comuns, como dor de cabeça ou resfriado. E o melhor: de acordo com o levantamento, as vantagens independem da idade.

Quem me indicou a leitura do estudo foi Simone Zelner, que comprovou no filho Gabriel, 8 anos, uma mudança de comportamento positiva tanto quanto às suas alergias quanto na capacidade de se relacionar depois da chegada da nova amiga. E até os bebês ganham: segundo a pesquisadora Carine Savalli Redígolo, o convívio possibilita que os bebês fiquem menos suscetíveis às alergias e dermatites tópicas. Em crianças maiores, de 4 a 7 anos, há registros de redução de rinites alérgicas.

“Acariciar um cão pode elevar os níveis de imunoglobulina A, um anticorpo presente nas mucosas que evita a proliferação viral ou bacteriana, sendo importante na prevenção de várias patologias. Este resultado se deve, possivelmente, ao relaxamento que o contato com o animal proporciona”, explica Carine.

Mas ter um animal de estimação exige cuidados. Conversei com a veterinária Caroline Augusto, que nos lembrou o lado dos animais no bem estar que podem trazer às famílias.”Ter um animal envolve uma série de responsabilidades, como por exemplo vacinar adequadamente, dar boa ração, ter tempo para o animal, saber o que fazer com ele quando se vai viajar, e o mais importante é saber que ele vai durar somente alguns anos”.

Os cães ficam mais velhos e precisam ser “substituídos” porque as crianças querem brincar e nem sempre o cão mais “idoso” aguenta o tranco. Meus pais ainda têm um cão nascido em 1992, quando eu ainda namorava o meu marido. Hoje os meninos tentam brincar com o Buddy, mas ele já está longe de ser o cocker spaniel que corria pelo quintal. Então mora com ele a Linda, uma SRD (sem raça definida, o vira latas), que ficou grande demais para nosso apartamento e garante corridas e brincadeiras pelo quintal.

Segundo a veterinária, quem tem criança em casa deve tomar alguns cuidados: “não permitir que a criança bata no animal (o que é muito comum), e mostrar como é fazer um carinho. Evitar gritos, pois a audição deles é bem mais apurada do que a nossa, e o principal, não dar brinquedos da criança para o cãozinho brincar, nem chupeta, nem bicos de mamadeira, pois tudo isso será um “corpo estranho” para o animal, correndo grande risco de ter que passar por um ato cirurgico para sua remoção”.

P.S. Caroline fez questão de tirar uma das grandes dúvidas sobre mãe e pet: a mulher gestante pode sim continuar a conviver com seus gatos. “Por que se desfazer do gato quando engravidou? E os dias que passou com o gato antes de engravidar? A toxoplasmose é transmitida pelas fezes do gato contaminado (e devemos ingerir esse agente, vejam bem), então, se já teve contato com o gato antes de gestar, então se tinha que pegar já pegou!”

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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.

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