Conheci o Consulado da Mulher

Foto de Nat_Gunj http://www.flickr.com/photos/nat_gunji/
Eu e Luciane (Foto de Nat_Gunj)

No sábado, 18/09, vivi algumas emoções e surpresas. Fui cicerone de mulheres especiais na entrada no mundo virtual: Laciete, Luciane, Nadir, Dulcinéia e Luciana. As cinco, artesãs assessoradas pelo Consulado da Mulher, viajaram (três são de Rio Claro, interior de São Paulo, uma veio de Joinville em Santa Catarina, outra de Manaus, Amazonas) para descobrir como nós, mulheres conectadas graças às redes sociais, somos parecidas com elas nos objetivos, nas práticas, nas características pessoais e, descoberta linda do dia!, nas histórias de vida.

O encontro, gravado por uma produtora de vídeo e registrado em fotos por Natalie Gunji, foi uma “bagunça” e uma conversa solta – que reuniu também @gabibianco @marciabianco @doduti @deniserangel @cintiacosta @smiletic @tatitosi @maitelemos – e nos permitiu explicar e entender como podem as mulheres conversar tanto quando se encontram!

Rostos das minhas novas amigas do Consulado da Mulher marcados nos quadradinhos: Laciete, Dulcinéia, Luciana, Nadir e Luciane em meio a blogueiras. (Foto gentilmente cedida pelo @livroparavoar)

São algumas características femininas que permitem isso. A empatia que se cria, quase naturalmente em mulheres abertas para se relacionar e se apoiar, acontece porque o foco feminino é enxergar os detalhes de forma holística. Como assim? Ora, a gente fica atenta a pequenas coisas, mas sempre está de olho no futuro, em como a coisa vai crescer, evoluir, se ampliar. Talvez tenha esta coisa de gerar, a tendência de fazer uma semente crescer e se tornar algo independente, bom, factível, positivo. E nesta capacidade de se ligar e de se ajudar é que, aprendi, mora o sucesso do Consulado da Mulher.

@smiletic @maitelemos com Luciana e Nadir (foto de @nat_gunji)

Lembram-se do impacto que eu tive quando ouvi ao vivo uma palestra do Yunnus, o pai do microcrédito? A ideia dele de focar a ajuda financeira nas mulheres me encantou porque era baseada na premissa de que (ao contrário do homem) a mulher, quando evolui, leva consigo toda família, melhora a qualidade de vida por meio da geração de trabalho e de renda.  Pois a mesma crença está na base da formação do Instituto Consulado da Mulher, Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP), mantida pela Consul, organização que se oferece para assessorar mulheres de baixa renda e pouca escolaridade para que, com a força de sua atividade empreendedora, possam proporcionar aos seus filhos e familiares uma vida mais digna e com mais qualidade.

Luciana e @marciabianco (em foto de @nat_gunji)

O que e descobri na conversa com as “meninas” foram várias histórias, com mais escolaridade do que o propagado – e acho isso legal, porque prova que a mulher, mesmo quando já fez faculdade, pode e deve mudar se sente que seu talento e sua felicidade estão em outra área – e motivações muito pessoais (e lindas) para dar esta guinada na vida. A guinada, a mudança de rumo, é dada, segundo me contaram, pela oferta de oficinas pelos participantes do Consulado. No melhor estilo colaborativo, funciona assim: para entrar você deve compartilhar seu conhecimento. E pode ser só o pouco que você sabe. Luciana Hickenbick, de Joinville, contou que ela e a irmã perderam o emprego na área administrativa há 4 anos e, com tempo livre, fizeram um curso para aprender a fazer bonecas de pano na igreja. Este primeiro modelo, simples, foi o que elas ensinaram quando entraram no Consulado da Mulher e é a base de seu empreendimento, o Arte & Cia, que produz bonecas, chaveiros, porta fraldas num espaço construído nos fundos de sua casa.

[sim, estilo home office, com as crianças brincando ao lado da mãe que trabalha, tão parecido com o meu dia a dia]

Eu com Nadir e Laciete (foto de @nat_gunji)

História parecida é da artesã Laciete Muniz Santiago, que trabalha com artesanado com jornal (movimentando uma cadeia de reciclagem invejável composta por entusiastas do seu trabalho na vizinhança de sua casa em Manaus, AM), e aproveita toda metodologia oferecida às assessoradas, sempre atenta para as oportunidades criadas para que as envolvidas no projeto ampliem sua renda ao participar de empreendimentos populares, descobrindo uma nova forma de viver e se relacionar com o mundo.

Conquistar uma vaga no mercado de trabalho não é fácil. Acreditem, abrir mão de seu lugar e mudar de vida é tão difícil quanto. Mas é uma escolha que mulheres como Luciane da Silva Souza, enfermeira com formação técnica e superior que deixou a UTI de pediatria oncológica para recomeçar com o que gosta de fazer: cozinhar. Luciane faz parte da Associação de Tapioqueiros de Diadema (SP) e nos contou no encontro que é imensamente mais feliz “trabalhandona rua” (ela mantém um carrinho de tapioca no terminal de ônibus da cidade) do que no trabalho que tinha “mais valor” para o status quo. Mas manter uma atividade empreendedora (no geral iniciada sem experiência de trabalho anterior na área) é um desafio exigente. Nesta hora a assessoria para a geração de renda do Consulado da Mulher ajuda muito: com ferramentas que permitem a gestão e o acompanhamento dessas mulheres em suas atividades, a assessoria incorpora desde aspectos práticos, como a precificação de produtos e fluxo de caixa do empreendimento, até aspectos mais subjetivos, como a resolução de conflitos, no caso de empreendimentos coletivos. Por meio de ciclos de acompanhamento periódicos, é possível observar o desenvolvimento desses empreendimentos passo a passo, sugerindo mudanças e melhorias, até que ele possa garantir sua emancipação e caminhar com as próprias pernas.

Dulcineia e @cintiacosta (foto de @nat_gunji)

E quem já está no artesanato e na “roda” de solidariedade e compartilhamento de conhecimento há tempos, como as “professoras” Dulcinéia Donatto e Nadir Calixto Shenky, da Rota da Arte (no Twitter @rota_da_arte), de Rio Claro (SP), já planeja voos maiores. Nadir se diz pronta para se aposentar, mas não deixa de lado chance alguma de se engajar em trabalhos ligados à melhoria da condição de vida da mulher,  é uma das pioneiras do projeto e trabalha com um grupo de artesãs desde 2003 apoiadas pelo Consulado.

Mas não basta apenas gerar renda. É preciso garantir, além do trabalho, qualidade de vida – a máxima do ensinar a pescar ao invés de dar o peixe… daí minha satisfação genuína ao conversar com as cinco mulheres assistadas pelo Consulado da Mulher e comprovar em seus relatos que a proposta incorpora em todas as suas atividades de assessoria conceitos de Economia Solidária, uma forma de produção, consumo e distribuição de renda centrada na valorização do ser humano, Educação em Gênero, onde mulheres e homens possuem o mesmo valor em casa ou no trabalho, e Educação Popular, baseada no saber popular e incentivo à troca de experiências.

Fotos que eu tirei no dia com o celular, enquanto a gravação acontecia. Para ver legendas clique sobre a imagem.

=)

E se você se encantou como eu, pode saber mais no site www.consuladodamulher.org.br e acompanhar as ações em tempo real no Twitter www.twitter.com/consulado.


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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.

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