relacionamentos

Ainda se fala na Segunda Guerra Mundial como um conflito sem comparação na história moderna. Como descendente de japoneses e alemães, não posso negar a gravidade e a importância daqueles eventos. Talvez por esta ascendência (meu marido sempre fala brincando para mim que falou pouco para eu ser o próprio Eixo, falha que ele completou com sua ascendência italiana), não deixo de olhar para eventos recentes em que a humanidade caminha para erros de julgamento tão graves quando aqueles. Nesta semana a revista Época tem uma nota sobre a República Democrática do Congo. Segundo informam as estimativas sobre o número de mortos durante os seis anos da Guerra do Congo saltou de 4 milhões – embora historiadores e ativistas falavam em 30 mil pessoas por mês – para 5,4 milhões de pessoas. O novo número foi divulgado pelo Comitê Internacional de Resgate e inclui dados sobre os congolenses mortos mensalmente depois do cessar-fogo, cerca de 45 mil, sendo que metade são crianças! O site BBC para Africa confirma as informações.

(Se tiverem estômago, googlem e vejam algumas mas imagens. O Guardian tem uma série de fotos tristes e belas tiradas em 2001.)

Tento ser informada, mas me surpreendi com minha ignorância sobre alguns dados daquele país divulgados na nota da revista:

Com 63 milhões de habitantes, a República Democrática do Congo é um dos maiores países africanos. Sua floresta tropical é a segunda maior do mundo (só menor que a Amazônica), abundante em diamantes, ouro e cobre, entre outros minérios. Apesar da riqueza em recursos naturais, a taxa de investimento em saúde é uma das mais baixas do mundo: US$ 15 anuais por pessoa. A média brasileira em 2005, por exemplo, era US$ 206. No relatório da Situação Mundial da Infância 2008 do Unicef, o país ocupa a nona pior colocação em mortalidade infantil.

Sinceramente, não entendo como algumas pessoas conseguem conviver com os eventos históricos com tanta piedade e se chocar tanto com notícias sobre tragédias individuais e ao mesmo tempo fingir que situações como esta que o povo do Congo (e outros países africanos ou não) vive passem por uma nota fictícia no intervalo das novelas que a Globo transmite toda noite. Não estará se esvaindo de nós a condição humana quando adotamos esta postura?

*Em História, Eixo refere-se a um dos contendores da Segunda Guerra Mundial. Seus inimigos eram os Aliados. Encabeçado pela Alemanha de Adolf Hitler, pela Itália de Benito Mussolini e pelo Japão de Tojo Hideki e do Imperador Hirohito, seus membros se referiam a ele como “Eixo Roma-Berlim-Tóquio”. Além destas três nações principais, faziam parte outras menores. (fonte Wikipedia)
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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.

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