Talita Ribeiro e sua afilhada Manu Shiraishi

Confiança para ser mulher #GirlUp (por @talitaribeiro)

“Eu não vou ao cabeleireiro porque tenho cabelo ruim”, esta frase foi dita por uma menina de sete anos, da periferia de São Paulo, que não quis aproveitar o serviço gratuito por ter vergonha de seus cachinhos. Ao seu lado, uma garota branquinha e com luzes no cabelo se negava a sorrir para as fotos, por não ter dentes, que haviam caído ou estavam estragados. A imagem refletida dessas meninas as envergonhava e fazia com que perdessem oportunidades. E elas não são a exceção, mas a regra. Todos os dias milhões de mulheres sentem vergonha de serem quem são, de não terem isso ou aquilo, de não estarem dentro do padrão…

E não é só na periferia que essa insegurança aparece. Quem nunca se sentiu uma farsa? Quem nunca achou que não merecia reconhecimento ou que não daria conta de um desafio no trabalho? A COO do Facebook, Sheryl Sandberg escreveu sobre isso no livro “Faça Acontecer“. É um sentimento comum, independente de classe social, que mantêm boa parte das mulheres longe dos postos de chefia, que nos faz tirar o pé do acelerador e nos acomodar ou, pior, abandonar nossa carreira. Os efeitos colaterais desse desequilibro na direção das empresas se reflete em um mercado de trabalho hostil e que ignora as nossas necessidades.

Mas o que podemos fazer, afinal, para superar anos de capas de revistas nos dizendo para ser o que não somos? O que fazer para driblar todos que nos subestimaram ou abusaram por sermos mulheres? O que fazer para apagar todas as mentiras históricas que contaram sobre a nossa capacidade e função na sociedade? É hora de refletir, de se abrir com as mulheres incríveis que estão ao nosso redor, de trocar a inveja pela admiração, afinal, nós não somos inimigas, nós não precisamos competir e sermos melhores do que “aquelas lá”, nós somos iguais em nossos medos, anseios e sonhos.

Se há uma coisa que é transformadora, é a união de mulheres que querem construir algo juntas, que querem se descobrir como pessoa através das outras, que se abrem para aprender e ensinar, multiplicando o conhecimento e a confiança em si e no grupo que fazem parte. E nós precisamos levar isso a nossas meninas desde cedo. Dizer claramente que elas podem confiar e se espelhar em nós, mulheres reais e imperfeitas, que, assim como elas, têm capacidade para conquistar e criar muitas coisas. E, se não viveremos “felizes para sempre”, ao menos faremos algo pela felicidade uma das outras.

Talita Ribeiro e sua afilhada Manu Shiraishi
“Se eu pudesse te dar um único presente, sabe o que seria? Confiança. Isso ou uma vela aromatizada” – trecho do livro Um Dia.

PSC: para saber mais sobre porque é importante a nossa presença no mercado de trabalho, vale a pena ler a Havard Busness Review de setembro. Já para se inspirar e ajudar a empoderar mais mulheres, conheça o movimento Half the Sky.

1 mês de ação em prol do empoderamento feminino focado em meninas

Este post faz parte do movimento #GilrUp – 1 mês de ação em prol do empoderamento feminino focado em meninas. Junte-se a nós! Basta mandar seu texto para o e-mail avidaquer@gmail.com ou comentar aqui quando postar no seu próprio blog. 

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@talitaribeiro

Apaixonada por palavras e viagens, gestora em formação, jornalista não praticante, esposa, amiga, prima-irmã, filha, neta, futura tia e mãe.

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