destaque / empreendedorismo

Sério que trabalhar aos 20 anos é motivo para drama” e vira pauta para reportagem em jornal de circulação nacional?

business-woman-1238458-639x332

Hoje me deparei com uma notícia que contava a “triste história” de uma moça de 20 anos que precisava conciliar trabalho e estudo. No caderno de economia, o texto tratava na verdade da “crise (que) aumentou a necessidade (…) de ajudar o orçamento doméstico e fez com que [a estudante] abrisse mão da exclusividade acadêmica”.

Em seguida trazia o seguinte parecer:

“A combinação entre uma menor oferta de vagas e maior força de trabalho pressionou a taxa de desemprego do país (em agosto de 2015), sendo a população entre 18 e 24 anos a mais afetada com a aceleração do desemprego no Brasil.”

O que chamou atenção, não só a minha, mas de dezenas de pessoas que comentaram o update que fiz sobre o tema na minha timeline, foi que o comum hoje, mesmo a pessoa sendo “maior de idade” (ter mais de 18 aos, estar na faculdade e tudo), é o discurso de que “meu plano era só estudar nos primeiros anos, até conseguir algo na minha área, mas, com o aumento das contas básicas, vi que seria impossível manter esse planejamento e agora estou em busca de algo”.

Que economia suportará tantos jovens capazes e inativos

Que diferença da minha geração! E da geração seguinte, como a da minha comadre, 14 anos mais jovem que eu. Será que a geração dos meus filhos, que hoje está na adolescência, será assim também, sem perspectivas de “quando” efetivamente começará sua vida produtiva?

Que mundo é esse? Que economia suportará tantos jovens capazes e inativos?

Eu sou de classe média alta, cresci tendo babá e mesmo assim quis trabalhar aos 16. Morri de orgulho de ter uma função (no setor de calçados da C&A) e odiei quando meus pais exigiram que eu deixasse o trabalho de férias quando as aulas voltaram.

Muitas pessoas contaram histórias semelhantes que eu posto abaixo, com nomes reduzidos pela minha falta de tempo para pedir autorização de cada um para citar seus nomes aqui, ta? Mas o update é público e quem ficar curioso pode olhar a carinha dos comentaristas lá 😉

“Meu primeiro emprego – contra a vontade do meu pai – foi com 17 anos e eu me senti tão feliz, tão dona do meu nariz. Não sei como esse povo tá criando os filhos mas me parece que algo vai mal…”
C, designer em São Paulo

“Já eu não trabalhei quando era mais nova (não sei exatamente porque, mas nunca quis) e hoje acho que me fez falta. Eu teria evoluído mais rápido. É muito drama por nada.”
C, advogada em Salvador

“Pois é…. a gente trabalhava na C&A, nestes trabalhos temporários e eu adorava! Também acho que começar a trabalhar cedo faz muita falta pra estas gerações mais novas. Outro dia li uma reportagem dizendo que o mercado de trabalho está cheio de adultos mimados e que é muito difícil trabalhar (no dia-a-dia de uma empresa) com esta nova geração. Pois é… taí o motivo. Só que o funcionário mais antigo da empresa que reclama de trabalhar com um mais novo muitas vezes é justamente um pai/mãe que não quer deixar o filho trabalhar…. Mas fala sério: isso virar pauta realmente é muito drama por nada! Aliás, é drama por algo que devia ser rotina.”
A, engenheira no interior paulista

Comecei com 20 e me achava supervelha. Na época, trabalhar cedo era o default…”
L, jornalista em São Paulo

“Comecei trabalhar aos 18 anos e surpreendi meus pais chegando em casa com a carteira de trabalho já emitida e assinada. Meu primeiro trabalho foi projetista de móveis e nunca mais parei.”
R, engenheira em São Paulo

“Comecei com 15 num cursinho que estudava e amava, com contatos lá já comecei a estagiar na minha área com 16 e passei no meu primeiro concurso com 17. Amo minha história, não morro e amava trabalhar.”
L, pedagoga no Rio de Janeiro

E você, também conciliava trabalho e estudo? Como foi? Conte nos comentários para inspirar mais jovens a acharem normal ter vontade de ser parte produtiva da sociedade!
🙂

The following two tabs change content below.
Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.

Comentários no Facebook

SEO Powered by Platinum SEO from Techblissonline Estatísticas