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10527gr3.jpgHoje foi feriado em São Paulo e em outros 225 municípios brasileiros, numa data que lembra o dia em que foi assassinado, em 1695, o líder Zumbi, do Quilombo dos Palmares, um dos principais símbolos da resistência negra à escravidão. Veridiana Serpa conta muito bem esta história em seu post de hoje. Recebo vários releases diariamente e um deles me informou que várias ações para conscientização serão promovidas pelo Museu Afro Brasil nos meses de novembro e dezembro, com exposições, mostras de trabalhos e oficinas dentro e fora dos 11 mil metros quadrados da instituição, cujo prédio está dentro do Parque do Ibirapuera, em São Paulo. Tudo para mostrar a riqueza cultural de origens africanas e o legado negro na construção do Brasil.

No Ibirapuera fica também o Pavilhão Japonês. O fato de ambos estarem representados lá, diga-se de passagem que numa proporção justa à quantidade de pessoas das diferentes etnias, me faz pensar com satisfação em quem é esta gente paulista e brasileira. Sou descendente de japoneses e alemães, com um lado mineiro de sobrenome português do lado da avó materna. Não tenho parentes de sangue que são negros, mas tenho bons amigos e parceiros de trabalho, por ser tão misturada (e meus filhos mais ainda, pois ao meu sangue “vira-lata” juntou-se o lado italiano, espanhol e português do Gui), eu sempre gostei ou não das pessoas pelo que elas são, não pelo que aparentam. A cor da pele é aparência, a correção do caráter e a capacidade de amar são a essência de uma pessoa.

Mario, do Apoio Fraterno, um blog que acompanho, escreveu hoje que este feriado é um incentivo ao preconceito racial e causou um furor imenso. Mas positivo. Falo isto porque ao nos manifestarmos estamos exercendo nossa cidadania e o direito de opinarmos e mudarmos o que acharmos importante na Nação que é nossa – não só de brancos, negros, japoneses, índios. Quando penso nas diferentes etnias do nosso país eu lembro daquele hino do esporte de quadra brasileiro que me emocionava tanto quando eu morava no exterior: “Sou brasileiro, com muito orgulho, com muito amor“. Quando discutimos cotas, direito à feriado ou não (claro que eu queria que o Dia da Imigração, que em 2008 coincidirá com os 100 anos da imigração japonesa no Brasil, fosse feriado nacional, mas e daí se não for? Em meu coração é.) estamos agindo com pouco amor. Que tal um pouco mais de amor e civilidade sem preconceito?

No blog Agenda Cultural de São Paulo eu soube que de 05 a 27 de novembro estão acontecendo debates sobre a cultura afro-brasileira, pelo que depreendi são sediados na Oficina Cultural Oswald de Andrade, com programação de filmes exibidos e debatidos que mostram a cultura afro-brasileira. A idade mínima é 18 anos, o que me fez pensar em como o tema é ainda pesado e duro para nossa sociedade. A lista dos filmes está aqui. Ainda dá tempo de ver e discutir Crash – No Limite e Quase Deuses. O primeiro eu vi várias vezes e acho um marco para discutir o preconceito, não só contra negros, mas contra o que é diferente no geral (lá tem situações com sul-americanos, pessoas do oriente médio e orientais). O segundo não conhecia, mas vou procurar. A estes eu acrescentaria muitos outros, mas o que me passa pela cabeça agora são dois divertidos e doces: Corina, em que Whoopi Goldberg e Ray Liotta fazem um casal lindo e Feita por encomenda, com Whoopi e Ted Danson. Que tal experimentá-los para rever seus conceitos?

Há alguns dias li um post da Erica, do blog Burajiru, que contava da proposta para a criação de cotas para exibição de desenhos animados brasileiros, feita pelo Deputado Federal Vicentinho (PT-SP). Segundo Erica, ele acredita que essa medida pode acabar com a hegemonia dos desenhos animados estrangeiros no país. Achei interessante o argumento dele e considero perfeito para este dia 20 de novembro, quando se celebra o Dia da Consciência Negra, em memória a Zumbi dos Palmares.

Sou negro, mas meus heróis não eram negros, porque na TV não existem heróis negros“, “…(os desenhos estrangeiros) retratam o Brasil de forma preconceituosa”, argumentou Vicentinho. Medidas como esta, como as cotas nas universidades, podem minorar alguns séculos de injustiça cometidas por nosso país e em nossa sociedade contra este grupo étnico que compõe nosso povo mestiço.

Apesar de ter minhas reservas com a questão das cotas para qualquer minoria, eu concordo com Vicentinho: é importante darmos valor ao que é nosso, seja ele branco, pardo, amarelo, vermelho… a cor não nos define, mas sim o espírito que o brasileiro tem. Ele é retratado pela mídia e devemos exigir que sejam retratadas com justiça. Mas simplesmente colocar cotas não ajuda a mudar esta visão preconceituosa e caricata. Quem não ficou feliz quando os desenhos da Turma da Mônica estrearam no Cartoon Network? Eu fiquei, tanto quanto ficava com o Sítio do Picapau Amarelo (brasileiro e por sua época, muito racista), mas fico mais satisfeita quando vejo o Lázaro Ramos ser lançado a galã na novela. Quero ver ainda um japonês neste lugar, entendem? E vocês, o que acham destas cotas? Preconceituosas ou justas?

P.S. A data marca a lembra o dia em que foi assassinado, em 1695, o líder Zumbi, do Quilombo dos Palmares, um dos principais símbolos da resistência negra à escravidão. Minha cara amiga virtual e colega de Nossa Via Veridiana Serpa conta muito bem esta história em seu post de hojeem outros posts:

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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.

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