Como lidar com a puberdade cada vez mais precoce?

Não tenho filhas, mas lembro bem de como foi minha fase de “ficar mocinha” e como foi um turbilhão de sentimentos confusos, com necessidade de continuar sendo aceita tanto pelo meu grupo de amigos quanto pela minha família com naturalidade e sem alardes sobre as mudanças, sem falar na necessidade de saber mais sobre o que eu vivia.

Se nas gerações anteriores as meninas menstruavam entre 14 e 16 anos, hoje elas costumam menstruar entre 9 e 13 anos – segundo li, a média é de 12,2 anos – e eu considerava esta média mais ou menos normal até que tomei conhecimento dos cuidados preventivos que hoje se toma para que o amadurecimento hormonal das meninas não afetem seu desenvolvimento físico e psicológico.

Há alguns anos acompanhei a experiência de uma colega de trabalho que decidiu “tratar” a puberdade precoce das duas filhas com idades próximas dos 10 anos e recentemente descobri que uma amiga teve sua puberdade “atrasada” em alguns anos por decisão dos pais e do pediatra, evitando que sua menarca precoce afetasse de forma negativa seu crescimento.

E como pode ser negativo?

Segundo especialistas observar se a puberdade acontece de forma fisiológica ou não pode significar a garantia do desenvolvimento absolutamente normal de meninos e meninas. A puberdade precoce acontece quando crianças com idades inferiores a 8 anos (sexo feminino) ou 9 anos (sexo masculino) manifestam caracteres sexuais secundários em época anterior à considerada normal. Dados informam que o fenômeno é mais comum nas meninas (na proporção de 5 para 1) e é motivado pelo aumento do nível de hormônios sexuais.

E como é a puberdade fisiológica?

A puberdade “normal” é o conjunto de alterações ligadas à maturação sexual (fase da vida em que amadurecemos sexualmente, adquirindo capacidade reprodutiva).

Nas meninas acontece a partir dos 8 anos, mas pode ter início até os 13 ou 14 anos sem indicar atraso. Um pequeno “botão mamário” é  sinal de que as mamas começaram a se desenvolver, depois surgem os pelos nas axilas e na púbis. Cerca de um ano após o início do crescimento da mama, acontece a menarca (1ª menstruação) e entre os 9 a 17 anos este acontecimento é considerado normal (a diferença de idade se deve à genética da família), mas, em geral, a 1ª menstruação é aos 11 ou 12 anos.

Já nos meninos começa a partir dos 9 anos, embora possa ter início até os 15 ou 16 anos. Nos garotos, os hormônios vão estimular o desenvolvimento dos testículos, primeiro sinal da puberdade, seguido do aparecimento de pelos pubianos, nas axilas e na barba, nessa ordem. Acontece o estirão do corpo todo.

E nesta idade, como conversar com eles e como ajudá-los?

Alguns pais conseguem manter o diálogo e ajudar os filhos sem precisar de ajuda profissional. Outros encontram no pediatra a saída. E há quem opte por um especialista, o Hebiatra, o médico para adolescentes. Ele pode ajudar a diminuir a ansiedade dos jovens e esclarecer algumas das muitas dúvidas que surgem nesta fase da vida  dos 10 aos 18 anos. O médico é um pediatra com formação específica para lidar com adolescentes e a especialidade, pouco conhecida, existe há 40 anos.

As consultas com o hebiatra (ou com o pediatra) nesta fase representam o momento em que o jovem se sente à vontade para colocar suas dúvidas e preocupações em relação a tantas mudanças, onde podem surgir questões referentes a drogas, à sexualidade (o primeiro beijo, a primeira relação sexual), preocupações com o corpo, alimentação, exercícios físicos exagerados, etc. Por isso é importante encontrarmos um profissional no qual nós, pais, possamos confiar para deixar que nossos filhos vão à consulta sem nossa presença, permitindo-lhes tirar estas dúvidas com um profissional e não com coleguinhas ou com revistas direcionadas à sua faixa etária. Como o pediatra, o hebiatra acompanha o desenvolvimento físico prevenindo ou tratando doenças e atua também discutindo questões relacionadas às esferas social e psicológica.

O preocupante é quando outros sinais da puberdade aparecem antes da hora: crescimento ósseo avançado, menstruação, pelos pubianos e nas axilas, mudança de voz e aumento da bolsa escrotal nos meninos. Através da análise clínica desses sinais e com o exame de idade óssea (raios X) e eventual dosagem hormonal, o pediatra poderá ajudar tanto a criança que está vivendo a puberdade precocemente quanto a que passa pela puberdade fisiológica. O importante é, como pais, não deixarmos de ver os sinais de que “nossos bebês” estão se tornando mocinhos e precisam de nossa orientação e cuidados para passarem por esta fase com tranquilidade e segurança.

P.S. E caso a criança apresente sintomas da puberdade precoce, como devemos tratar? Para começar, não faça alarde com a criança. Procure um pediatra, se possível converse em particular com ele e depois façam exames e pensem, em conjunto com um endocrinologista, qual o tratamento adequado – caso seja realmente necessário tratar.

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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.

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