Como lidar com a birra

(Texto originalmente publicado no Mãe com filhos em 07/02/2011]

Outro dia, uma mãe me perguntou no Twitter: como lidar com a birra de uma criança no meio do restaurante? Na hora eu lembrei de uma birra homérica do meu filho mais velho, #aos3, que quase quebrou vários produtos de uma lojinha de 1,99 porque eu não quis lhe comprar um chocolate. Sinceramente, é a única birra que lembro que ele fez e não é só porque ele é bonzinho e educado, mas porque eu lhe permiti entender as consequências da sua atitude.

Como eu fiz? Segurei-o com firmeza dentro da loja (e foi sofrido porque ao pegar o menino no colo ele me mordeu o peito de tal forma que fiquei com cicatriz) e ao sair disse: até eu ter certeza de que você se comportará bem esta loja está proibida para você. E assim foi, por uns 3 meses se eu entrasse na loja ele ficava ou no carro com o pai ou na porta com a babá, mas não entrava comigo nem para olhar o que tinha dentro. Simples assim, sem discussões ou agressões, mas com reitarados exemplos práticos do que aconteceria se ele reagisse de modo pouco civilizado em público.  Meu filho, muito inteligente e esperto, entendeu logo o recado e não demorou para perceber também que conforme sua “fama” de menino que sabe se portar em público aumentava, surgiam convites dos tios e avós para passeios divertidos. Ação e consequência.

Não raro, quando vejo crianças fazendo birras repetidamente, me deparo também com o comportamento fugidio dos pais com relação ao assunto. Tem os que agridem (verbal ou fisicamente) em público, mas o mais comum é que os pais, constrangidos ao extremo, tentem driblar e fingir que a coisa não é tão feia, com promessas e agrados para fazer a criança se calar e se comportar. E há os que,  habituados ao comportamento e premidos pelo sentimento de culpa (por trabalhar, por estar impondo um programa chato para as crianças ou por sentirem-se reféns dos filhos) simplesmente se habituaram ao comportamento da criança que “reage mal no começo” e simplesmente seguem em frente, mesmo sabendo que não está certo, argumentando internamente que ”não é grave, logo a criança amadurece e isso passa”.

Minha opinião é de que os pais devem, por amor verdadeiro aos filhos, ensina-los a conviver em sociedade. Se você ensina seu filho, ainda pequeno – as birras começam perto dos 3 anos – a se controlar, a respeitar o local e a situação, a conviver bem com as mais variadas pessoas, ele desenvolverá grandes habilidades para a vida em sociedade – e será “útil” na escola, no trabalho, nos ambientes de lazer, na família.  Não fazer as vontades e canalizar as explosões de energia das birras (aos 3 as crianças ainda não sabem lidar com os sentimentos, eles são “brutos” e os pequenos precisam de nós para aprender a identificar o que sentem) é investir na inteligência emocional do seu filho. E garantir uma “previdência” para ele, uma segurança de que não lhe faltando capacidade de conviver bem com as pessoas ele terá sempre companhia, afeto e respeito de sobra ao seu redor.

E se você quer ter umas dicas práticas para lidar com a birra, sugiro a leitura de Como lidar com a birra e a teimosia do seu filho (matéria de Thais Lazzeri), Mimo – O vilão ou o mocinho da educação (post de Cybele Meyer), Vilania ou vontade de ser atendido? e Limites e respeito (posts meus já escritos aqui sobre o tema).

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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.

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