Como humanos viciados em controle somos dependentes do “E se…”

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“Duas coisas são ruins: desejar muito uma coisa e não conseguir e desejar muito na coisa e conseguir.”
Oscar Wilde

Comecei a semana do meu aniversário sendo questionada sobre meus planos para o futuro. Na IBAB, Ed Renê Kivitz falou da necessidade natural do ser humano de viver com o máximo controle possível da sua vida.

“Somos viciados em controle, dependentes de certezas e mimados, melindrosos com o futuro idealizado e a agenda que planejamos para nós.”

Se ouvirmos “pára tudo!” o que faremos?

Quantos homens de fé da atualidade largariam tudo – seus feitos, seus planos – para atender a um pedido como fez Abraão (o pai da fé, segundo Gênesis) quando “ouviu” a ordem “sai da tua terra”?

Gosto destas reflexões contemporâneas sobre textos antigos porque nos dão a noção das semelhanças (e diferenças) que temos como seres humanos, mesmo distantes por períodos históricos ou culturas.

Neste sentido, a comparação que Ed Renê fez, da ordem divina de Abraão e os pedidos da sua própria esposa para “ir naquela lojinha”, quando se antevê uma epopéia cheia de paradas, ajuda a contextualizar nossas reações. Se o marido aprende a fazer perguntas para se preparar para “os pedidos” da esposa, a verdade é que como humanos todos o fazemos, pois temos tendência ao vício em controle.

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Achou estranho?

Pois então siga este raciocínio de Ed Renê:

O que teríamos perguntado a Deus diante da “convocação” feita a Abraão? Que informação teríamos exigido para planejar e nos certificar das garantias de sucesso deste empreendimento?

Como humanos viciados em controle somos dependentes do “E se…”, que é paralisante, angustiante, limitante.

E se eu mudar de emprego e der errado? E se não der certo porque não mudei?

Quando nosso futuro idealizado não se realiza, nós entramos numa espiral de sofrimento e buscamos explicações lógicas. E queremos explicações rápidas e garantias do êxito da nossa jornada.

Nesta hora nos falta fé. E o que é fé? É abrir mão do vício no controle.

“Senhor, sei que não tenho controle da minha vida e que nem tudo tem uma explicação ou não consigo compreender, sei que o futuro que eu planejei pode não ser o melhor. O que eu sei é que se o Senhor estará comigo nesta caminhada, então eu vou.”

Mas como teremos garantia de que o futuro que se descortina para nós é de Deus?

Será que vemos a Mão de Deus nas notícias que furam nosso planejamento, que destroem nosso orçamento, que conspiram contra nossos desejos? Serão as mudanças que nos fazem rever tudo prova da presença divina a nos reconduzir?

Apesar de ter dado algumas guinadas na vida para reagir ao que alguns chamam de “infortúnio” (e eu chamo simplesmente de vida), não sei definir as mudanças ou categorizar como azar ou sorte.

O que sei é que, se “a vida começa #aos40”, nesta 4a feira, 05/02, quero entrar nos 41 feliz, leve e tranqüila com o que tenho pela frente.

E espero que a vida seja muito longa, muito agitada, muito animada, cheia de encontros felizes e realizações colaborativas.

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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.