Como habituar uma criança a aprender com a natureza?

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Acordei bem cedo neste domingo, seguindo o relógio biológico e o horário normal de quem tem filhos na escola. Às seis e pouco os ruídos externos que chegavam a mim pela janela enquanto eu lia notícias nos jornais pelo iPad eram apenas sons de pássaros.

Isso mesmo, passarinhos na minha janela. Apesar de morar num apartamento em São Paulo vivo rodeada deles. Meu condomínio não tem luxos modernos (salão de festas, playground e piscina, cozinha gourmet), temos uma quantidade fora de série de árvores antigas, preservadas na época da construção ou plantadas depois, ao longo destes 33 anos de vida coletiva.

Mesmo assim, com jardim para “curiosar” a botânica urbana e a micro fauna presente nela, sinto que meus filhos crescem distantes da natureza de verdade. O clube do qual somos sócios e os parques que freqüentamos têm muito verde, mas tudo muito planejado, entrecortado com cimento e ferro, construído para agradar e proporcionar lazer. É uma adaptação da natureza para o benefício humano e não o contrário, que deveria ser o “natural”.

Mas pelo menos temos este contato. Vamos ao clube e usufruímos dos espaços ao ar livre ao invés de irmos ao shopping (que para nós é local de compras rápidas, não de lazer) e nos empenhamos em viajar para locais onde a natureza seja a estrela.

Um artigo do Guardian me fez perceber que esta nossa preocupação é globalizada, não está restrita a São Paulo ou o Brasil atual. Partindo do questionamento “Como posso animar meus netos a curtir a natureza”, o texto repete preocupações que são do nosso tempo, mais do que do nosso local. Comparando a realidade dos netos que crescem “saindo muito pouco de casa” na China com sua experiência no Reino Unido (“que tem a pior taxa de relação criança-natureza da Europa”, afirma), o texto nos faz refletir sobre esta geração cada dia mais urbana e cita dois estudos que podem nos animar a mudar esta realidade.

Um é a hipótese apresentada pelo biólogo Edward O Wilson de que os seres humanos são fortemente inclinados a desejar o contato com o mundo natural e que isso começa na mais tenra infância. E como consequência desta tendência a gostar de estar ao ar livre temos vontade de preservar a natureza.

Outro questionamento vem da obra de Richard Louv que diz que as crianças, em particular, estão sofrendo de um transtorno de déficit de natureza provocado pela falta de exposição aos espaços verdes. Em seu livro Last Child in the Woods (algo como “A última criança nas florestas”) o autor trata desta tendência que reduziu o contato das crianças com a natureza, resultando em uma ampla gama de problemas de comportamento. Para embasar a ideia, o jornalista cita estudos realizados na Califórnia e na maior parte dos Estados Unidos com os estudantes das escolas que desenvolvem atividades ao ar livre e outras formas de educação utilizando experiências com a natureza apresentaram significativamente melhor desempenho em estudos sociais, ciências, artes, linguagem e matemática.

E como fazer com que as crianças não só falem animadamente sobre desenhos animados do fundo o mar e dos programas de preservação da natureza, mas também saibam reconhecer a flora e fauna à sua volta? Um começo é expor as crianças desde cedo à natureza – e se você nào tem um quintal, pode ser passeando – e outro, creio por conta da minha experiência empírica como mãe, é conhecer viajando. A praia, a montanha, os campos, tudo ensina algo prático e reforça a teoria da escola.

E não precisamos ir tão longe. Há pouco mais de um ano emendamos uns dias no litoral norte de São Paulo com uma visita à serra mineira. Ao passarmos pela região do Vale do Paraíba meu filho de 9 anos relembrou os estudos de geografia e comentou que estávamos entre a Serra do Mar e a Serra da Mantiqueira. Dias depois fizemos a pé e depois com jipe a trilha da serra em Monte Verde, maravilhando-nos com a natureza como fizemos na praia. Um ano antes, em Paraty, um passeio de barco nos ensinou parte da história do Brasil colonial ao mostrar onde os barcos passavam nas ilhotas para comercializar o ouro, completando um passeio no qual nos hospedamos na famosa Estrada do Ouro. Neste local, além de aprender sobre a geografia e história, meus meninos amaram um rio de lajeado que passava nos fundos da pousada, onde tomaram banhos de água doce em contato com vários animais da região.

E, para quem pode ir além, conhecer outros rios e mares, como as Cataratas do Iguaçu (nossa viagem seguinte, em fevereiro de 2012), reconhecer os ventos e a salinidade das praias do Ceará (nossa viagem de março do mesmo ano) ou a biodiversidade da região do vale e do litoral catarinense (onde estivemos nas férias de julho), são experiências sensoriais que podem trazer às crianças aprendizado prático que complementa a escola e se fixa na memória porque vem naturalmente e é “salvo” por prazer e alegria da experiência vivida e não só aprendida.

Quantos de nós não tem exatamente nas memórias da viagem à casa de parentes ou das tardes nos avós as melhores lições?

Não podemos lutar contra os avanços urbanos aqui ou na China, mas podemos fazer diferença valorizando estes pequenos experimentos familiares em passeios ao ar livre ou viagens que, certamente, valem tanto ou mais do que os investimentos em tardes de cinema e lanche no Shopping gastos em domingos de sol e muito mais do que as festonas de aniversário e os brinquedos e aulas-extras super caros pelos quais muitos pais sacrificam tanto do orçamento doméstico por meses.

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É para pensar e, quem sabe, colocar em prática nas escolhas de um domingo qualquer, como este que vivemos hoje. 😉

Bom domingo para você!

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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.

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