Como foi estar nos bastidores do videochat de #educacaofinanceira

Ontem tive a experiência de, finalmente, fazer a cobertura colaborativa de um dos videochats que divulgo aqui. Foi interessantíssimo (embora meio demorado para chegar porque, habituados que somos com a web, ninguém sabia direito o endereço físico do local! risos) e muito proveitoso.

Não tem foto minha lá, mas olha  o cantinho do meu note e minha água do #outubrorosa marcando presença no estúdio!
Não tem foto minha lá, mas olha o cantinho do meu note e minha água do #outubrorosa marcando presença no estúdio!

Foi super interessante estar perto, ouvir e ver a reação dos debatedores e mais ainda ver os rostos por trás da organização, desde os câmeras e outros técnicos até a equipe do Banco Real (Santander) que cuida do site de sustentabilidade, parte da qual estava lá, a postos (e bem na minha frente, como mostra a foto) para interagir com os internautas que participavam na página do streaming.

Bastidores do videochat
Bastidores do videochat

🙂

E por conta disso a participação teve outro sabor. Mas eu estive muito ligada também no que acontecia no chat e algumas coisas me chamaram atenção.

Carlos Alberto Macedo dos Santos perguntou que escolas eram atendidas por este projeto de educação financeira do banco e eu fiquei sabendo que as iniciativas do Espaço de Práticas em Sustentabilidade estão abertas a todos, inclusive às escolas públicas e que muita coisa é lançada no Brincando na Rede, um site para o publico infantil. Um dos debatedores, Eduardo Jurcevic, contou várias experiências interessantes que viveu em palestras em escolas com crianças de 9 a 13 anos.

E a escola foi um dos temas centrais para alguns, como Elaine de Albuquerque, que perguntou: “Quando os pais são consumistas como um professor pode ensinar a criança a não ser consumista?”

Sua xará, Elaine Silva, levantou outor tema que empolgou a todos, o desenvolvimento de políticas públicas mais restritivas sobre publicidade voltada ao público infantil. Tenho acompanhado o tema com muita preocupação, achando que pode ser bom controlar, mas retirar toda publicidade até os 12 anos poderá deixar as crianças numa redoma e dificultar a construção de uma visão crítica e realista do mundo. Julciane Rocha reiterou esta preocupação, num questionamento coletivo sobre a capacidade dos pais de “vencer uma indústria milionária voltada para fomentar o consumismo na infância chamada propaganda e marketing”. Concordo com Carlos Aberto Macedo dos Santos, quando ele afirmou que “podemos educar as crianças para uma vida financeira mais saudável começando pela nossa própria educação, independentemente da mídia”. A criança não tem poder de compra. Quem tem poder de compra são os pais. Por esta razão é que também se defende a proibição da propaganda voltada à criança.

A mídia é preocupação compartilhada por Maria Juliana Leopoldino Vilar, que na nossa conversa lembrava que “infelizmente as datas comemorativas do Brasil e as nossas propagandas na televisão incentivam a um consumo desenfreado”. E aí, qual será a idade na qual a criança começa a entender o que é realmente necessario?

Os debatedores: Renata Bortoleto, Eduardo Jurcevic, Cristina Von e Rodrigo Dutra de Araújo.
Os debatedores: Renata Bortoleto, Eduardo Jurcevic, Cristina Von e Rodrigo Dutra de Araújo.


Eu creio que esta noção do certo e do errado começa em casa, no início da vida. Como comentou a debatedora Cristina Von, uma menina que vê a mãe mexer no armário lotado e fala “não tenho roupa, preciso ir ao shopping comprar isso e aquilo” é alguém que constroi em si uma ideia diferente de necessidade. Como disse o participante Roberto Goulart Junior, “quando se fala em mídia só se pensa em TV mas o que fazer com os espaços públicos e particulares como os shoppings, escolas mesmo que promovem produtos e personagens que induzem ao consumo e tudo mais… segundo Karina Fonsea, “os pais também deveriam ser orientados, pois, estão perdidos e sem referenciais!” E é pura verdade, por isso estes debates são tão importantes!

“Acredito que não devemos terceirizar a responsabilidade da educação para as crianças para a mídia. A responsabilidade inicial é realmente dos pais”, disse Rafael Antonelli Marcos.

E como lidar com as crianças que não tem acesso aos bens? Ora, hoje em dia os pais fazem tudo para oferecer aos filhos uma realidade perfeita. No geral os filhos das minhas ajudantes domésticas ganhavam mais brinquedos caros e roupas boas do que os meus, mesmo tendo uma condição de vida inferior. E uma delas me criticava por eu não dar mais mimos para eles! (risos) Enfim, como em tudo, é questão de valores, não de classe social! Jurcevic contou que em escolas públicas as crianças geralmente estão muito mais preparadas para gerir o próprio dinheiro porque aprendem desde cedo que ele é limitado.


Estas crianças de comunidades carentes são a preocupação de Ebel Liciburg, que atua em projetos sociais no segmento socio educativo com crianças de 7 a 13 anos e que, mesmo sem condições, estão inseridas na sociedade de consumo e desejam consumir. O debatedor Rodrigo Dutra Araujo comentou algo que achei verdadeiro: “vários empreendedores são pessoas que viveram frustrações na infância e aprenderam a vence-las”. A educadora Debora Bortoleti, do blog Planeta Educação, concordou e ressaltou: “pequenas frustrações na infância ajudam a formação e à superação de obstáculos desde cedo.”

“Não seria interessante ao invés de somente ensinar a ‘utilizar’ o dinheiro, fazer a criança pensar e entender seu papel enquanto cidadão e consumir, ao invés de se constituir em uma atitude irrefletida ou alienada pode e deve ser um ato político. Em outras palavras, o consumo não deveria ser motivo para nos fazer refletir sobre o modo como temos participado na construção das relações de poder que circulam na base do comsumo?”, perguntou Roberto Goulart Junior.

O fato é que, como disse Cristina Gaspar, do Instituto Anima de Sophia, pela primeira vez estamos verdadeiramente trabalhando a transformação cultural na essência, ou seja, desenvolvendo uma nova visão de mundo nas crianças. Este deve ser nosso ponto primordial, o início desta conversa coletiva que, espero, continue tão boa e colaborativa por muito tempo!


Você pode gostar também de ler:
The following two tabs change content below.
Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.

Comentários no Facebook