Mais um cordão umbilical cortado: meu filho foi sozinho na banca de revistas!

Na semana retrasada educadora Cybele Meyer levantou no Mãe com filhos um tema polêmico e importante:  Criança deve ficar sozinha em casa? O tema me pegou com toda força, pois, como sempre comento, não tenho uma rede de apoio (avós, tios, babás 24h) e o que na minha infância me pareceu “natural”, é um novo parto para mim e para o Gui.

No sábado passado meu filho pediu para ir à banquinha de jornal comprar um dos seus itens de colecionador – já foi Gogo’s, figurinhas, agora é o tal Bakugan – e nós não soubemos como dizer não. Ele  completa dez anos em dois meses, é um menino grande, seguro, inteligente e perfeitamente capaz de atravessar as 4 ruas de pouco trânsito que separam nossa casa da tal banca que fica na frente do prédio de seu melhor amigo.

Por garantia, deixamos que ele levasse o celular e ficamos na janela do apartamento olhando. Bastou ele virar a esquina e o perdemos de vista para entrarmos em parafuso… nos olhamos e rápido decidimos quem iria atrás. Fui com relativa calma, como um detetive e fiquei de longe tentando vê-lo, até que o vi na esquina da banca, aguardando o sinal fechar para atravessar a rua na faixa de segurança. Perfeito, não é? Não! Ele estava indo para o lado errado, pode?

Nesta hora eu não me contive, gritei e o chamei. Ele estava orgulhoso da aventura e não se desmotivou com minha presença, então aproveitei para deixa-lo guiar nosso retorno e mostrar qual era de fato o caminho de volta a pé. E pensei muito no quanto ainda preciso aprender a ensinar ao meu filho como viver no mundo sem mim.

Lembro de ter lido em Pais + Filhos = Companheiros de Viagem, de Roberto Shiniyashiki (Editora Gente) -livro que ganhei de minha mãe quando era adolescente, mas me guiou nos primeiros anos como pais – que precisamos preparar os filhos para estarem sem nós, até para as coisas ruins que podem acontecer. Especialistas indicam que sejamos capazes de conversar com eles, sem assustar nem alardear muito, como eles devem reagir quando algo não está bem.

O caso citado por Cybele é um deles, o que fazer quando se vê sozinho em casa? Minha orientação é de que se algo acontecer devem ligar para um dos telefones que estão na memória (do fixo ou do celular) ou descer e chamar determinados vizinhos, enfim, buscar ajuda de confiança e não entrar em parafuso.

Mas eu nunca tinha pensado em ensinar a ligarem para polícia, até ver esta notícia na TV: um menino de apenas 7 anos frustrou um assalto em Los Angeles, nos Estados Unidos, ao conseguir chamar a polícia.

Imaginem a situação: três homens renderam os pais do menino depois que a irmã dele, de 6 anos, deixou a porta de casa aberta. As crianças foram trancadas no banheiro e foi de lá que o menino ligou para o serviço de emergência dizendo: “Tem uns caras que vão matar minha mãe e meu pai, vocês podem vir?”. Por saber o que fazer, para onde ligar e como se manter calmo ele conseguiu salvar a família – embora os bandidos tenham fugido, os policiais chegaram em poucos minutos e tudo ficou bem – e tudo porque a mãe o ensinou a agir em casos de emergência.

Claro que eu tive uma enorme conversa com os meninos sobre o 190 e tudo mais. E descobri que, embora eu ache que estou criando meus filhos para o mundo, ainda há muito trabalho a fazer!

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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.

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