relacionamentos

Como é importante, como disse a americana, “mostrar a outras pessoas que elas podem passar por situações difíceis e sobreviver”.

como ajudar as vitimas de violência sexual a se reintegrarem a sociedade

Relembrando o caso de uma vizinha que sofreu violência sexual quando éramos crianças, comentei com meu marido que a gente precisa fortalecer não só a cobrança de justiça e a prevenção de situações como esta, mas reforçar a capacidade de sobreviver e de serem felizes independentemente das situações adversas pelas quais passaram e das quais foram vítimas. Ao vir para o computador me deparei com esta notícia:

“A americana Jaycee Dugard, que passou 18 anos em um cativeiro após ser raptada aos 11, em 1991, deu a primeira entrevista à TV desde sua libertação, em 2009, assista ao vídeo com trechos da entrevista.”

O caso, que pode ser conhecido aqui, me faz pensar em outros dois aspectos do nosso papel social diante de casos como este.

Em primeiro lugar, como no caso dos longos sequestros na Austria, eu me pergunto se não devemos repensar os conceitos de respeito à privacidade e reagir com mais veemência quando nos deparamos com situações “estranhas e suspeitas” na nossa vizinhança. Neste caso, anos depois do sequestro (e quando a menina já era mãe de duas crianças) um vizinho avisou à polícia local de suspeita de cativeiro no emaranhado de barracas (sério, barracas, ao ar livre, nada de bunker/porão como no caso austríaco) e os policiais respeitaram o espaço da propriedade privada, deixando de flagrar o crime.

Em segundo lugar me pego pensando na importância de criarmos uma estrutura social, muito além de clínicas ou centros de apoio, mas de “educação social” geral e coletiva para apoiarmos, abraçarmos e reinserirmos na sociedade, de forma saudável e honesta, estas vítimas. Tem importância inegável a prevenção a estes crimes – e no @avidaquer sempre trago estes temas à tona, divulgando grupos que atende às vítimas e aos grupos que vivem sob risco – e a punição dos criminosos, mas é momento também de pensarmos, de forma leiga e humana, como podemos receber as vítimas de volta e apoiá-las de forma a continuarem suas vidas e, finalmente, viverem toda plenitude de suas vidas, de seu potencial e de sua felicidade no cotidiano.

Se você, leitor, souber de espaços que trabalhem com foco nesta promoção humana, por favor, compartilhe nos comentários! E quem tiver alguma disponibilidade para ajudar, conte também como pode fazer, quem sabe não criamos um grupo?

😉

[update] Depois de publicar este post vi um artigo interessante de Ruth de Aquino contando um caso real britânico que envolve esta reação de uma vítima de violência sexual doméstica. Com o título Menina estuprada se forma em Direito e consegue prender o padrasto 20 anos depois, o texto conta a história de Tina Renton e relembra que “a lição mais importante a se tirar deste caso é que, mesmo anos depois de uma criança ser sumbetida a abusos desse gênero, o culpado ainda pode ser condenado e preso”. E ainda informa que “Segundo dados do Fundo das Nações Unidas para a Infância, cerca de um milhão de crianças são vítimas de violência sexual no mundo a cada ano. E todos os estudos apontam para um fato muito triste: a grande maioria sofre abusos de um parente, ou alguém que more em sua própria casa. No Brasil, um  levantamento de 2008 do Ministério da Saúde com base em atendimentos em hospitais públicos de 27 municípios indicou que 800 crianças foram vítimas de estupro naquele ano. Estima-se que o número real seja bem mais elevado porque muitos abusos não são registrados.”
#prapensar

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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.

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