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Talvez você só lembre do filme, mas o livro Como água para chocolate, da escritora mexicana Laura Esquivel, é uma delícia também. Ao tratar da comunicação e dos segredos da vida e do amor pelo ponto de vista culinário, com temperos e aromas mexicanos, a autora nos convida a uma viagem sensorial.

Tudo começa na cozinha.

“Tita nasceu na cozinha da casa da família, quando sua mãe estava cortando cebolas. Logo em seguida, seu pai morreu de um ataque cardíaco ao ter sua paternidade questionada. Por essa razão, Tita tornou-se vítima de uma tradição local, que dizia que a filha mais nova não poderia casar para cuidar da mãe até a sua morte.”

Além disso, a obra tem um quê familiar para nós. Meu bisavô Andrelino morreu, poucas semanas depois do nascimento da minha avó, por ter a paternidade questionada e esse é um dos muitos desfortúnios da personagem principal, Tita. Como ela, a avó de meu esposo, Maria Del Carmen, foi a caçula que teve que cuidar da mãe viuva até a morte, casando-se relativamente tarde para sua geração. Ah, o bisavô do meu marido, o espanhol José, também faleceu de um ataque cardíaco quando a filha caçula era bebê.

Mas, felizmente, aqui acabam as semelhanças (risos) e temos em comum com Tita somente a relação mágica com temperos e comidas e a certeza de que a cozinha é o lugar mais valioso de um lar.

Ao crescer, Tita se apaixona por Pedro Muzquiz, que corresponde e quer casar com ela, mas a mãe da moça proíbe o casamento, e sugere que ele se case com Rosaura, a irmã dois anos mais velha de Tita. O rapaz aceita, pois esta é a única maneira de se manter perto de Tita.

A história parece envolvente, não é mesmo?

Estou me preparando para reler o livro e ver o filme porque mais de 25 anos depois da publicação de “Como água para chocolate”, a escritora mexicana Laura Esquivel decidiu transformar o romance em uma trilogia.

Foram anos de pedidos dos leitores até ela anunciar o formato que encontrou para continuar a trama. O romance que deu fama internacional a Esquivel em 1989 e virou filme dirigido por Alfonso Arau, em 1992, que foi ovacionado no Festival de Gramado 1993, vencendo nas categorias de melhor atriz (Lumi Cavazos) e melhor atriz coadjuvante (Claudette Maillé), foi escolhido como melhor filme pelo júri popular. E foi indicado ao indicado ao Kikito (categoria de melhor filme latino), para um BAFTA em 1994 (categoria de melhor filme em língua estrangeira), Globo de Ouro em 1993 (melhor filme em língua estrangeira), Prêmio Goya em 1993 (melhor filme estrangeiro de língua espanhola).

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O segundo livro será “O diário de Tita”, trazendo uma série de capítulos desconhecidos da vida de Tita de la Garza, a jovem de mão cheia na cozinha a quem a mãe obriga a permanecer solteira para tomar conta dela e que acaba vivendo uma caso secreto com o cunhado.

“O diário de Tita” seria o segundo livro da serie, impresso a cores com uma letra que reproduz a caligrafia da personagem principal.

Em uma coletiva de imprensa, a escritora explicou:

“Não sei se vocês lembram que no final o rancho ondes ele viviam é todo queimado e só o que resta é esse livro. Ele se salva das chamas e lá estavam as receitas de Tita. Esse diário foi o que quis reconstruir. Aqui aparecerão 20 anos que não estão em ‘Como água para chocolate’.”

Gostou? Pois até quem não cozinha, mas gosta de comer bem, terá lugar. O título seguinte da trilogia será “Meu passado negro”, narrado pela tataraneta de Pedro e Rosaura, a irmã de Tita, uma protagonista muito diferente da de seus antepassados: será uma comedora compulsiva num mundo onde as pessoas não sabem cozinhar nada.

Perfeito para o começo deste século XXI, concordam?

Eu já estou ansiosa!

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E, enquanto isso, o primeiro livro será o tema do Viagem Gastronômica, evento que a Biblioteca de São Paulo promove neste sábado, 13/08/2015, às 15h30. Quem participar sairá de lá sabendo mais sobre a vida da autora, detalhes da obra, e curiosidades da região, além de degustar duas iguarias que fazem parte da obra: guacamole e o bolo chabela.

A atividade é gratuita, será coordenada por Dolores Freixa – historiadora, guia de turismo cultural e professora de história da gastronomia – e contará com a participação de Solange Botura, professora de técnicas de cozinha, eventos gastronômicos e cozinha brasileira.

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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.

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