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Comida que cuida (coletiva sobre alimentação saudável no tratamento do câncer)

Há alguns dias eu estive num evento ligado à saúde que tinha grande significado emocional para mim: um encontro com diversos especialistas para falar sobre a Comida que cuida, uma série de ações (incluindo publicações) que a empresa Sanofi Aventis implementa no Brasil para melhorar as condições dos pacientes em tratamento de câncer.

[Antes de falar do Comida que cuida, uma explicação: nunca (felizmente) tratei câncer, mas o câncer colorretal é uma doença silenciosa que já levou alguns dos parentes mais próximos de meu pai (seu pai, sua irmã mais velha, uma sobrinha) e que faz com que eu e meus irmãos tenhamos muitos cuidados na alimentação para não corrermos maiores riscos de desenvolver.]

Agora que sou mãe eu imagino também qual a experiência de pais de pequenos em tratamento. O que fazer? Proibir alimentos? Forçar comida saudável? Mudar a alimentação de todos ou fazer uma dieta especial pro paciente?

Muitas dúvidas devem encher a cabeça dos já preocupados pais e avós. E o reflexo desta dificuldade se vê nos números: segundo levantamento do Instituto do Câncer do Estado de SP, 60% dos pacientes já iniciam tratamento contra a doença com defasagem nutricional.

A pesquisa, feita pelo Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (Icesp), indica que grande parte desses pacientes já chega para tratamento com quadro de desnutrição. Ou seja, as chances de um paciente oncológico apresentar problemas com a alimentação é três vezes maior do que o observado em portadores de outras doenças.

E por que isso acontece?

Segundo os especialistas, diversos fatores – como o estágio da enfermidade e fase do tratamento – podem causar efeitos colaterais como a diminuição do apetite e alterações no paladar. Na conversa com os médicos, a doutora em nutrição infantil Ilana Elman, que estudou especialmente a nutrição de pacientes de pediatria oncológica, relembrou um ponto vital: a criança adoentada continua sendo criança e deve ser tratada como tal para se desenvolver bem. Criança geralmente não gosta naturalmente de brócolis, fígado, beterraba e precisamos respeitar o paladar deles, apesar de nosso desejo imenso de ajudar em sua recuperação. Ilana também nos fez pensar no quanto as crianças se ressentem da alimentação, mas que elas também aprendem que sua vulnerabilidade pode tornar os pais mais permissivos.

Entendo, por experiência familiar, que cuidar de idosos doentes não é tão diferente. Tendemos a tentar forçar-lhes uma alimentação nova em busca da saúde e ao notar nossa ansiedade em torno do tema, eles reagem não raro com a rebeldia de crianças. Junte isso ao enfraquecimento nutricional neste período e teremos uma situação para a qual este livro é uma grande bênção.

A ideia do Comida que cuida é, além de mostrar em relatos que as dificuldades com alimentação são comuns e até podem ser naturais no período, nos fazer entender que o melhor é manter uma boa alimentação, mais ou menos dentro da dinâmica da família, com pequenas alterações no cardápio no sentido de melhorar o aporte nutricional dos pacientes.

Boa parte das receitas foi pinçada pela nutricionista Tatiana de Oliveira (do Centro de Combate ao Câncer e coordenadora do Portal Nutrionco) dentre as que os pacientes mais apreciavam durante a hospitalização. Sim, hoje em dia comida de hospital não é mais insossa e sem criatividade como antigamente. Eu mesma, quando estive no hospital nos partos e na internação do Giorgio (por conta do acidente com pitbull) me encantei com vários pratos e tive vontade de pedir as receitas.

Pois Tatiana conta que os pacientes pediam as receitas quando voltavam para casa e parte destes campeões de audiência está no livro. E saber que pode comer aquilo que gosta e que escolheu é muito importante no tratamento. No encontro o oncologista Ricardo Caponero (da Associação Brasileira de Cuidados Paliativos), frisou que a comida é a parte que os pacientes têm mais controle e por isso ganha um destaque especial como auxiliar no tratamento. Se está bem, se está mal, se está deprimido ou até se quiser chantagear os familiares é na opção de comer ou não comer que o paciente encontra um poder sobre o que está acontecendo com sua vida. Ninguém escolhe ter câncer, mas podemos escolher melhorar – ou não.

E se você quer conhecer, pode fazer o download integral (e legal) das obras em pdf nos links câncerdiabetesproblemas cardíacos. Recebi os três livros, que são distribuídos gratuitamente às instituições de saúde que dispõem de serviços de acompanhamento de pacientes, e após testar receitas e ler os relatos eu falarei aqui também sobre diabetes e problemas cardíacos.

P.S. O @comercrescer também postou.

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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.

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