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Minha infância teve momentos muito afetuosos com minhas avós, situações muito diferentes porque uma era japonesa, outra brasileira, trazendo em sua prática de vida experiências únicas que ainda hoje reverberam em mim.

Boa parte das lembranças é ligada à alimentação cotidiana e deve ser por isso que eu gosto de “comfort food”, de preparar a comida simples do dia a dia que aquece a alma e reconforta o corpo.

Uma dos meus momentos favoritos é este que repliquei numa foto nesta semana: molhar nacos de pão amanhecido no molho branco da vovó. Aqui, mesmo sendo eu a fazer, ele continua tendo o nome da Vó Gorda.

A receita dela era infalível:
Para cada xícara de molho branco, use 1 colher de manteiga, a mesma medida de farinha de trigo e 1 xícara de leite.

Os truques:
Aqueça a manteiga e dissolva a farinha nela, deixando bem homogêneo. Em seguida acrescente o leite já aquecido e tempere com sal, pimenta branca moída e noz moscada ralada. Mexa bem, até engrossar e a farinha cozinhar.
Este molho se transforma num molho 4 queijos (ou quantos tiver na geladeira, pois ele aproveita bem aqueles que já estão secos para comer no pão de lanche) acrescentando-os ao final do cozimento, aproveitando o calor para que fiquem bem derretidos e incorporados ao molho.

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Esta receita era dela, mas a cozinha da Vó se perpetua muito por conta de um livro que ela me deu de presente de formatura, quando completei o ciclo fundamental (antiga 8ª série), enchendo-a de orgulho por ser oradora da turma. Ela, que se alfabetizou já adulta no Mobral (programa de alfabetização para adultos), se empenhava muito em garantir o acesso aos livros e à educação formal dos seus descendentes. Mas não queria que as meninas tivessem suas perspectivas de vida vinculadas apenas à casa ou cozinha, por isso, embora eu “namorasse” este livro de culinária na casa dela desde os 12 anos, só quando me formei na escola ela me deu! E é com ele que hoje meus meninos se divertem descobrindo a cozinha, provando que nesta casa, há gerações, evitamos não só o machismo, mas o sexismo e que as crianças podem testar suas habilidades em todas as coisas saudáveis.

E para relembrar como esta Vó (que chamava Maria Augusta, mas os netos chamavam de Vó Gorda!), achei no meu álbum uma foto dela me dando papinha, quando eu tinha uns 7 meses. Este carinho é uma herança linda, daquelas que duram para sempre. Vó Maria faleceu dias depois dos meus 15 anos e até hoje creio que alguma coisa me lembra ela todos os dias.

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Sobre o conceito de Comfort Food: comfort, de confortável, remete ao aconchego, àquele cheirinho de comida vindo da cozinha que invade os outros cômodos da casa e ficam para sempre na memória. Eu me apresento como “Especialista em Comfort Food” no blog Conversas de Cozinha, onde compartilho receitas e reflexões sobre comida.

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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.

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