Cólica em bebês, como tratar sem medicar?

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Este tema é dos mais sofridos, acreditem. E, ao contrário do que muitos pensam, pode ser sinal de algumas complicações, além do natural amadurecimento do aparelho digestivo do pequeno. Tive algumas situações complicadas nesta área com meus meninos e no mais velho percebi que medicar, mesmo que por orientação médica, pode não ser o melhor caminho. A pediatra que nos atendia quis evitar o famoso medicamento antiflatulência à base de dimeticona e sugeriu o uso do medicamento para dor à base de paracetamol, o que lhe causou uma intoxicação no fígado e um acompanhamento médico especializado por conta desta escolha. Em poucos meses meu filho estava muito bem de novo, mas aprendemos uma lição.

Há alguns dias fui marcada no Facebook por uma amiga que repercutia o update de um casal gaúcho. Vejam a história:

“Estou aqui pedindo a todos os pais que antes de darem remédios a seus filhos sem indicação médica para cólicas pensem sobre o que vou escrever. Meu filho tem apenas 55 dias e está internado na UTI do Hospital desde a madrugada de ontem onde foi verificado que estava com ataque cardia por ter tomado uma medicação a longo tempo para as cólicas que sentia, este medicamento alterou seus batimentos que foram parar em quase 300 bpm, este remédio é DIMETICONA+METILBROMETI DE HOMATROPINA e é encontrado e vendido sem receita em qualquer farmácia. Estão internadas mais duas crianças com o mesmo caso onde a situação também é grave. Espero que seja suspensa a venda deste medicamento o quanto antes, pois uma das suas formulas altera os batimentos dos bebes. Nesse dia perdi meu sorriso, sequei todas as gotas de lágrimas que possuo, perdi a fome e a única coisa que me mantem em pé a que meu filho precisa de mim e de minha força para sair dessa situação o quanto antes, e só DEUS pode me ajudar nesse momento. Obrigada a todos por compartilharem e por favor não deem esse medicamento a seus filhos, pois ele pode causar outras alteração aos quais os pais e médicos não percebem na criança.”

Resolvi então conversar com uma das equipes médicas com as quais tenho contato e gentilmente o Hospital Israelita Albert Einstein intermediou uma breve entrevista sobre o tema com o Dr. Victor Nudelman, pediatra, neonatologista e alergista infantil em São Paulo. Posto abaixo, na íntegra, suas respostas aos meus questionamentos:

Quais são as indicações médicas mais atuais sobre o tratamento das cólicas nesta fase de amadurecimento do intestino do bebê? Existe alguma orientação especial em relação a alimentação e medicação neste período de adaptação do organismo recém-saído do útero?

A cólica do lactente é um diagnóstico feito por exclusão de outras causas mais urgentes de dores para o bebê. Geralmente começa entre a 3ª e 6ª semana de vida e, na grande maioria dos bebês, ela se resolve por volta dos 4 meses. O diagnóstico de maior certeza fica como retrospectivo, isto é, só depois que vai embora aos 4 meses, confirmamos o diagnóstico. A definição médica para a cólica do lactente é de choro por pelo menos 3 horas ao dia, pelos menos em 3 dias da semana, por pelo menos 3 semanas. A Medicina ainda não conseguiu explicar com certeza a causa da cólica do lactente, mas parece ser por vários fatores: imaturidade do intestino do bebê, desproporção entre a quantidade ou qualidade do leite que o bebê mama e a capacidade de processá-lo pelo intestino, sensibilidade à dor e outros estímulos, tipo de microflora intestinal do bebê, até fatores relacionados aos pais (experiência prévia com bebês, técnica de amamentação para evitar muita deglutição de ar, sensibilidade dos pais ao choro do bebê, etc).

A alimentação da mãe influencia o aparecimento de cólicas? Isso é mito ou verdade?

Em mães que são alérgicas, um estudo mostrou que quando usavam dieta hipoalergênica (sem  leite de vaca, ovos, nozes e trigo), os bebês tinham 25% menos cólicas. Converse com seu médico antes de restringir a sua alimentação pelo risco de ter um baixo aporte nutricional. A maioria das recomendações sobre o que a mãe não deve pode comer durante a amamentação não possui comprovação científica.

E as receitas “caseiras”, como funchicórea, chás, ajudam a tratar as cólicas?

Existe evidências que alguns chás de ervas poderiam ajudar a ceder as cólicas, mas para chegar a ter efeito o bebê teria que beber quase 1/5 do aporte de líquido na forma de chás, o que pode comprometer o aleitamento e ganho de peso. Lembre que o próprio açúcar tem um efeito calmante sobre o bebê mas com ação por pouco tempo, e muito dos produtos para cólica nada mais tem do que sacarose para acalmar o bebe. Alguns produtos ditos naturais ou alternativos podem conter álcool em sua formulação e por isso devem ser analisados pelo pediatra antes de ser dado ao bebê.

Meus filhos não tomaram chás porque adotamos o aleitamento materno exclusivo nos primeiros seis meses de vida, portanto, nem água fazia parte da “dieta” deles. Mas a funchicórea (hoje abolida pelo Ministério da Saúde) foi indicada por alguém e ate tentamos, mas, como eles nunca usaram chupeta, era quase impossível oferecer o tal pózinho! O que efetivamente funcionou para nós na fase das cólicas foi calma da nossa parte, massagens do tipo Shantala (que são excelentes para acalmar o bebê) e a bolsa de água quente na região abdominal.

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O pediatra indica outras atitudes que podem ajudar muito aos pais nesta fase, reiterando que vários tratamentos já foram testados de maneira científica e atualmente não há um único deles que realmente resolva todos os casos de cólicas do bebê. Segundo ele os tratamentos abaixo teriam maior evidência de algum efeito benéfico:

  • tente aprender a reconhecer o timbre do choro do bebê; nem só por cólicas e fome o bebê chora
  • buscar orientação de apoio sobre a cólica e como acalmar o bebê
  • reconhecer quais os estímulos que devem ser feitos ou evitados para o bebê e saber que a mãe poderá contar com o apoio do pediatra em situações de choro intenso ajudam a tranquilizar os pais e enfrentar as cólicas com maior segurança
  • vale observar: se toda vez que o bebê chorar ele for levado ao seio e com isso mamar ainda mais ou for movimentado em excesso, ele pode ficar ainda mais irritado
  • aleitamento ao seio em posição verticalizada (sentado sobre a coxa da mãe) para dar maior chance de eliminar o excesso de ar deglutido
  • dar mais tempo para o bebê arrotar
  • tentar esgotar o primeiro seio antes de seguir para o segundo seio.
  • caso esteja usando fórmula láctea ao invés do leite materno, conversar com pediatra a respeito de um período com uso de fórmula láctea feita com proteínas hidrolisadas
  • quanto à medicação, o remédio que melhor deu resultados foi justamente aquele que deu os piores efeitos colaterais, e por isso deve ser evitado. Mudanças na dieta materna durante a amamentação (retirada do leite de vaca, ovos, nozes e trigo) diminuíram muito pouco a frequência de cólicas do bebe, tampouco a retirada de lactose do leite do bebê

Para terminar, uma experiência minha: creio que meus bebês tiveram menos cólicas do que o “normal” porque eu sou intolerante à lactose desde criança e por isso não tenho leite e derivados (exceto iogurtes, que têm baixa lactose) na dieta. Percebi que meu segundo filho, que teve mais dificuldade no amadurecimento do intestino, os temperos artificiais salgados (como os usados em sopas prontas, por exemplo) eram o gatilho para que meu leite causasse mais gases no bebê. Foi uma observação minha e, ao cortar os tais temperos, resolvemos boa parte destes incômodos. Creio que um diário de alimentação materna pode ajudar muito quem está sofrendo nesta fase.

E, como o tema é longo, já agendei uma continuidade para este assunto, num próximo post falaremos com a nutricionista infantil Karine Durães (do blog Nutrição Infantil) sobre alimentação da mãe que amamenta. Fiquem ligados nas próximas Segundas de Saúde aqui do @avidaquer.

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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.

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