Cobrar saneamento básico se aprende na escola!

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Pode ser só nas escolas particulares, eu sei. Mas não deixo de ficar maravilhada com a visão crítica e madura que os materiais de apoio das escolas de Ensino Fundamental 1 oferecem.

Na minha época de primário – e eu admito que era uma aluna muito questionadora, nem sempre bem vista pelos professores – eu não questionava meus pais em conversas sobre políticas públicas, muito menos tinha acesso a provas de meus argumentos.

Durante o jantar outro dia meu marido fez uma brincadeira sobre o apelido que meu avô (que na década de 1950/60 foi prefeito da cidade onde nasci, Ponta Grossa) tinha: “Juca Buraco”. A alcunha se devia às obras úteis, mas extremamente incômodas, que ele fez em sua gestão, afetando a vida das pessoas (e bem no centro da cidade) com obras de esgoto para começar a resolver o que até hoje é uma questão sem solução em boa parte do país, o saneamento básico.

Em defesa da memória do vô, falei que é mais fácil fazer obras que aparecem depois – pontes, complexos viários, prédios públicos imponentes – e relembrei dados sobre o esgoto nas cidades brasileiras na atualidade. Divergimos sobre os números e antes que pudéssemos pegar um gadget para comprovar no Google quem tinha razão, aparece o filhote #aos10 com sua apostila de escola e dados sobre “saneamento básico”. Assim, com estas palavras, discutindo as informações e perguntando se já vimos cidades “pobres e sem saneamento algum” como as que ele vira conosco em filmes (Deus é brasileiro, que mostra o sertão brasileiro, e 007 Quant of Solace, que tem passagem no Haiti).

Creio que é exatamente este exercício de cidadania que devemos fazer em família e em comunidade: admitirmos os problemas sociais e trazê-los para nossa realidade, pensando como podemos agir para melhorar as coisas.

A realidade atual está longe do ideal. Em pesquisa divulgada em agosto, o Instituto Trata Brasil, responsável por avaliar os serviços de saneamento básico nas 100 maiores cidades do país, avaliou a base de dados do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS), divulgado todos os anos pelo Ministério das Cidades.

O SNIS é composto de informações fornecidas por empresas prestadoras dos serviços nas cidades e os dados utilizados na pesquisa são de 2010, publicados pelo Ministério das Cidades no final de junho de 2012. De acordo com dados de 2010, apenas 53,5% da população urbana brasileira possui acesso à coleta e 37,9% ao tratamento de esgoto. A cidade de Santos, em São Paulo, foi a primeira colocada no ranking, obtendo a nota de 8,70 e nota máxima em itens como indicador de atendimento total de água e indicador de atendimento total de esgoto.

Ainda temos um longo caminho para percorrer: o  atendimento em coleta de esgotos chega a 46,2% da população brasileira, mas, do esgoto gerado, apenas 37,9% recebe algum tipo de tratamento. Ao contrário do que diz a resposta do meu filho na apostila e o que pensaria a maioria de nós, pensando nos estados com maior riqueza do país, a região com maior índice de esgoto tratado é a Centro-Oeste, com 43,1%.

Você acompanha esta realidade na sua região?

Conte para nós quais são as políticas públicas na área de saneamento por aí!

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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.

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