Cobertura política 2.0

Desde que Barack Obama usou e abusou da web para sua campanha, tornando-se o candidato dos que não votavam nos EUA, passando pela reação dos iranianos veiculada via internet há pouco e até pelos deslizes que tivemos no #forasarney que movimentou o Twitter recentemente, a cobertura política tem sido grandemente influenciada pela web 2.0 – e tem até case da campanha 2008   e de 2010 por aí.

web 20 (1)

Hoje um artigo – Mídia dá pesos diferenciados a assuntos semelhantes – no Portal Imprensa me levou a uma conversa interessante no twitter com o colega @bonilha. No artigo o deputado federal Paulo Pimenta (PT-RS), que é jornalista de formação e profissão,  falava sobre a cobertura política no Brasil, a conturbada relação entre partidos e veículos de comunicação e a importância da imprensa no cenário público atual.

A cobertura política no Brasil melhorou a partir do momento em que, através da internet, a população encontrou outros canais de informação. Isso fez com que o público pudesse buscar meios alternativos para obter informação. Os jornalistas hoje precisam de uma apuração mais rigorosa e a internet reduziu o espaço para manipulação. Claro que ainda existe resistência grande por parte dos veículos de comunicação em determinados assuntos. Na quinta-feira (27/08), por exemplo, fizemos uma audiência na Câmara para debater o diploma de Jornalismo. Nós não tínhamos nenhum veículo para cobrir o encontro. Se não fosse a internet, talvez grande parte da população nem sequer saberia que a audiência aconteceu.

[#vergonhaalheia]

A questão que levantamos nem foi da postura do deputado – eu não tenho mais fé de que tenha alguma diferença consistente de interesses e metodologias (e aqui bom entendedor sabe a que me refiro) entre os principais partidos do Brasil, PT, PSDB, DEM… este debate me interessa tanto quanto a comparação entre o twitter do @joseserra_ e o blog do Lula (Blog do Planalto), que foi tema de muitos tuites nesta semana. Mas o caminhar do amadurecimento político em nosso país, da forma como a população, desde os influenciados pelo Bolsa Família até os leitores de jornais, de quem se informa pelos telejornais aos que acompanham votações polêmicas tuitando o que vêem na TV Senado, como nós cidadãos estamos crescendo em termos de ativismo político com a web 2.0. Vocês já pararam para pensar sobre isso? Como o Bonilha, eu estou com fé de que as eleições de 2010 – com Marina Silva, Dilma Houssef ou José Serra/Aécio Neves concorrendo – sejam um marco nesta nova postura!

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Nesta tarde as comissões de Constituição e Justiça (CCJ) e de Ciência e Tecnologia (CCT) aprovaram uma proposta de reforma eleitoral. Dentre outros temas, a reforma define o funcionamento da internet na campanha eleitoral, permitindo aos candidatos utilizar todas as ferramentas (blogs, mensagens instantâneas e redes sociais) e aos candidatos à Presidência da República o uso de espaços comprados em portais de conteúdo jornalístico. Mas a regra em vigor para TVs e rádios passará a valer para internet: não serão permitidas opiniões e todos os candidatos terão obrigatoriamente de ter espaço semelhante na cobertura. Flexibilização só no debate, pois cai a exigência atual da participação de todos os candidatos.

No que me lembrou muito a campanha Obama, a proposta permitiu a doação eleitoral por meio da internet e do telefone – recursos por cartões de crédito e débito, transferências on-line, boletos bancários e até desconto em conta telefônica serão permitidos, em doações diretamente aos candidatos ou de forma indireta (via comitês partidários).

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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.

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