Cidades para pessoas – e espaços culturais para famílias, até as que amamentam!

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Há cerca de um mês, numa conversa entre jornalistas de economia e a UNICEF, fui recebida com muita estranheza pelos “coleguinhas” porque cheguei com minha bebê, que na época ainda estava em aleitamento materno exclusivo e por isso me acompanhava em tudo. Eu podia deixar em casa por algumas horas, mas como, pela terceira vez, amamento em livre demanda (quando o bebê quer, ele mama, sem horários), Manu me acompanha e quando o compromisso é mais formal, como este, eu aviso antes e pergunto se tudo bem. No caso, tinha o ok do UNICEF e, entendi por ser uma entidade que defende aleitamento materno, que tinha o aval deles. Tive mesmo. Quando fiz minhas perguntas e expliquei para os jornalistas minha situação de mãe, o representante da entidade no Brasil, Gary Stahl, me elogiou e “puxou” aplausos para mim por amamentar.

Infelizmente, raramente vemos esta reação. Ao final do encontro, tirei foto com Gary e comentei com ele que como mãe que trabalha, eu tenho feito militância pela inclusão das lactantes e brinquei:

– Todo mundo faz campanha para que a gente amamente até tarde, mas querem que a gente o faça hibernado, escondidas como ursas polares que ficam na toca durante o primeiro ano do bebê!

E não pode ser assim. Amamentar é natural, é saudável, é valioso. Além de garantir uma infinidade de coisas para o bebê, comprovadamente traz benefícios para a sociedade, no mínimo por evitar doenças e, ao criar um vínculo afetivo, criar o conceito de empatia no ser humano em formação, o que evitará muitos problemas de conduta no futuro.

Mas, acima de tudo, é um direito da mulher e do bebê. E se é direito, ele deve ser respeitado em todos os espaços, em especial nos que são voltados para a família.

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Que vergonha. Mesmo depois dos “mamaços” isso ainda acontece.

Leiam o relato:

“Hoje (13/11) fui impedida de amamentar minha filha no Espaço Brincar do Sesc Belenzinho!!!
Isso mesmo, estava com a Sofia no espaço de leitura com mais duas amigas e outra bebê de 1 ano e meio. Sofia que já havia brincado bastante com a amiguinha resolveu mamar, e eu naturalmente dei o mamá que ela queria. Em questão de duas sugadas veio uma funcionária me dizendo que não era permitido amamentar naquele espaço, que para isso eu deveria me dirigir até a “Sala de Amamentação” que ficava do lado de fora. Apesar de contrariada, interrompi a amamentação e fui até a funcionária perguntar qual era o motivo de não poder amamentar ali mesmo. Pense numa resposta infeliz? Primeiro que não podia porque outras crianças poderiam ficar olhando (não entendi). Depois porque outras pessoas já reclamaram porque se sentiram constrangidas (continuei não entendendo).
Pois bem, pra matar a charada eu resolvi perguntar se dar mamadeira podia, e qual não foi minha surpresa com a resposta: sim, mamadeira pode!
Bem, saí dali e fui direto no atendimento ao usuário registrar a minha indignação.
Só por curiosidade fui até a sala de amamentação (minúscula), e havia um pai dando papinha para outro bebê sentado na única poltrona disponível. Aí eu pergunto: como faz se tiver duas ou mais mamães precisando amamentar? Pede pro bebê entrar na fila e esperar???
Indignada é pouco pra mim!”

Geovana Cleres, que reclamou na sua página pessoal do Facecook, onde também tem uma resposta do Sesc.

O Belenzinho é o Sesc da minha vizinhança, mas já tive muito incomodo lá e hoje nem vou – o que é uma pena, pois tem programação excelente, mas o lado humano não está à altura do espaço físico e da curadoria cultural.

Nem só de boa arquitetura e agenda interessantemente faz um espaço cultural, é importante preparar a equipe e entender os seres humanos, consumidores de cultura, como o centro destas propostas, sob o risco de que elas apenas teoria vazia.

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Para ajudar a mudar este conceito, farei possível para participar do Mamaço marcado para este domingo, 17/11/2013, às 10h, no Espaço de Leitura do Sesc Belenzinho. As informações sobre a mobilização estão na página do evento no Facebook.

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Você também pode fazer a sua parte: divulgue, compartilhe, tire este assunto da invisibilidade.

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Conheça – e se concordar, assine – a petição online por uma Lei de Proteção à Mãe que Amamenta: em qualquer hora e em qualquer lugar!

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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.

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