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Quando reclamei que São Paulo iniciava a implantação do plano municipal de resíduos sólidos com uma meta de aumentar coleta pública seletiva de secos de 1,8% para 10%, até 2016, um colega jornalista me disse que a meta era grandiosa se considerássemos que os catadores fazem quase todo o trabalho.

Tive que admitir que ele tinha razão!

Cerca de 600 mil brasileiros coletam 90% do material reciclável recuperado e em suas mãos estão o sucesso e o futuro da reciclagem. Precisamos aprender a identificar e valorizar seu papel na sociedade, que tem um imenso valor estratégico para a indústria, além do valor do do serviço ambiental que realizam.

Os dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) corroboram um estudo de 2011 feito pelo Compromisso Empresarial para a Reciclagem (Cempre), entidade que reúne empresas como Coca-Cola, Unilever e Gerdau, calculando que 90% dos resíduos recuperados passam pelas mãos desses milhares de brasileiros, que recolhem o material das ruas das metrópoles ou o coleta dos lixões do país.

“A maior parte do trabalho de reciclagem é feita por eles. Os catadores desempenham um papel de imenso valor estratégico para a indústria, além de prestarem um importante serviço ambiental pelo qual são pouco valorizados”, diz Albino Rodrigues Alvarez, técnico de planejamento e pesquisa do Ipea, em que coordenou um estudo sobre o assunto. E é por ter desempenho relevante e experiência nos processos de reciclagem que eles são reconhecidos na Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), que entra em vigor em 2014, como importantes agentes para sua execução.

Os blogueiros ligados à plataforma de sustentabilidade Viva Positivamente tiveram a oportunidade de conhecer histórias e pessoas inspiradoras nos encontros do grupo, em especial na visita à ONG Doe seu lixo, que prepara profissionais da reciclagem para se organizarem em cooperativas, e no encontro exclusivo com Tião Santos, que ficou famoso com o filme sobre o local onde ele cresceu e começou a trabalhar na reciclagem, o aterro de Gramacho.

cada garrafa tem uma história - tião santos

E eu, já em 1995, quando trabalhava numa ONG de movimentos sociais em Curitiba conheci este exército quase invisível e ajudei a montar cooperativas de catadores em Curitiba, por isso, sei de perto como tem sido esta atuação quase invisível nos últimos 20 anos e aprendi a sempre ver nestes profissionais uma alternativa ao nosso insustentável modelo de sociedade.

Quer ajudar a mudar esta realidade? Incentive trabalhos como o da Doe Seu Lixo que dá suporte para o desenvolvimento de 300 cooperativas de catadores de resíduos sólidos no Brasil. Estes grupos têm valor imenso para nossas cidades: sem coleta seletiva, três mil lixões no Brasil concentram grande parte do material reciclável e 80% da reciclagem são feitos em coletas nesses lixões, num trabalho inseguro e insalubre. Mas as cooperativas respondem por apenas 20% da reciclagem no Brasil.

Há muito a se fazer! E parte deste trabalho é nosso!

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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.

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