Celulares e redes sociais estão tornando as pessoas mal-educadas

Li há alguns dias dados de uma pesquisa que mostrava que mais de 50% dos entrevistados não se incomodaria em atender o celular durante as compras. Até aí, você que me dirá, tudo bem… afinal, nas compras estamos “sem ter o que fazer” e ganhamos tempo se pudermos também falar ao celular. Mas na mesma pesquisa cerca de 41% das pessoas afirmou que não se importaria em falar ao telefone durante o almoço – e 10% atenderia a ligação em uma biblioteca sem qualquer constrangimento!

A conclusão dos pesquisadores foi a chamada da reportagem: Celulares e redes sociais estão tornando as pessoas mal-educadas. A pesquisa, que mostrava também mudanças no comportamento das pessoas com o uso das redes sociais como Facebook e Twitter, dava conta de que as conversas cara a cara tendem a se tornar uma coisa do passado.

“Segundo 50% dos entrevistados, a comunicação convencional faz com que se sintam menos confiantes. Muitos dos voluntários que participaram da pesquisa afirmaram possuir amigos que raramente encontram pessoalmente, embora morem próximos. Para esse grupo de pessoas, a comunicação on-line é muito mais interessante e fácil.”

Você concorda? E como fica  a família neste contexto?

Segundo Ernest Doku (da empresa Omio, que realizou o estudo), “há claramente um perigo. Estamos nos tornando mais dependentes da conexão com a tecnologia. Estamos cada vez mais desconectados uns dos outros“. E devemos nos cuidar para que a tecnologia não invada de forma negativa nossa vida familiar.

Não há dúvida de que o celular ajuda muito a unir as famílias. Apesar de ainda não precisar dele para seguir “os passos dos meus filhos”, vislumbro o quanto ele poderá me ajudar num futuro próximo. Mas é importante ficar atento porque a tecnologia pode ser uma “faca de dois gumes”. Segundo estudo de Dana Suskind (pesquisadora da Universidade de Chicago) divulgado pela Fundação Lena sob o título “Stop Texting, dad! I’m talking to you” (algo como Pare de escrever no celular, papai! Eu estou falando com você) as crianças se sentem deixadas de lado pelos pais que usam muito smartphone ou computador.

Os dados (em inglês) podem ser conhecidos no quadro “Os riscos da paternidade enquanto conectado“, divulgado em artigo de uma série do jornal The New York Times tratando dos efeitos que a tecnologia de informação pode ter sobre o modo como as pessoas pensam e agem. Mais do que nos “culpar” como pais, o estudo nos ajuda a ter uma visão geral de como o uso da tecnologia está afetando as crianças e o desenvolvimento infantil desta geração.

Diante disso, o que fazer? Agir com bom senso, como sempre, é o melhor. Eu mesma tenho me deparado, ao mesmo tempo em que vivo um policiamento dos meus filhos para usar pouco a tecnologia nos nossos momentos de “folga” juntos, com uma tendência natural de usar computador e smartphone de forma a nos unir e a aproveitar juntos o lado bom da tecnologia. E às vezes é preciso vermos um filho usando o smartphone durante o jantar (como aconteceu comigo neste domingo) e falando que agora sim, está parecido com você, para atentar para a realidade de que temos deixado a vida real perder espaço para a virtual.

😉

Uma coisa é certa (e não adianta as famílias nadarem contra a maré): as crianças e adolescentes atuais estão interessados em portabilidade e acesso a entretenimento onde quer que estejam. É o que mostram os resultados de uma pesquisa do NPD Group nos EUA sobre os aparelhos eletrônicos das crianças, mostrando que 4 em cada 5 aparelhos deles são portáteis.

O celular (e as redes sociais do computador) deve ser usado como meio de comunicação ou lazer, se tiver jogos saudáveis. Mas não é para se comunicar com quem os pais não permitem, tampouco deve ser usado para contar vantagem entre os amigos ou para fugir do convívio com os mais próximos. A família deve ficar de olho no uso, controlando conta, tempo, horários. Pois os filhos precisam deste limite. E os pais também!

Você pode gostar também de ler:
The following two tabs change content below.
Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.

Comentários no Facebook