Castração química?

Tenho uma certa mania de seriados policiais e médicos. Crossing Jordan foi o que mais recentemente me tomou como fã, mas no geral vejo quase todos, sem muita fidelidade nem neurose. Creio que é o fato de serem histórias avulsas que me atrai e corresponde à minha forma de juntar o mundo numa colagem, criando um instantâneo, um retrato daquele momento. Nem sempre bom, mas, creio, realista.

Há anos via Law & Order, por sugestão de uma amiga casada com um “Public Prosecutor” do centro-oeste americano. No entanto, a versão SVU (Unidade de Vítimas Especiais) reprisa tanto no Universal Channel que eu passei a acompanhar as desventuras de Elliot Stabler (Christopher Meloni) e Olivia Benson (Mariska Hargitay). Por se tratar de uma unidade de vítimas de crimes sexuais, fala-se muito em castração química e outras formas de controle dos criminosos sexuais.

Hoje vi no Estadão uma notícia que me lembrou o seriado. Em entrevista ao jornal, o psiquiatra Danilo Baltieri, integrante do Conselho Penitenciário do Estado, admitiu que aplica hormônio feminino para diminuir a libido em pacientes pedófilos atendidos por ele, em um centro de tratamento na Grande São Paulo, o ABCSex, criado em 2003, que atende cerca de 30 pessoas com diagnóstico de pedofilia, considerado um distúrbio psiquiátrico. Nenhum dos atendidos cumpre pena, apesar de alguns responderem a inquérito policial.

O jornal informava que “recentemente a castração química, adotada em alguns Estados americanos, foi defendida como pena para crimes sexuais pelo presidente da França, Nicolas Sarkozy. No Brasil, já houve proposições no Congresso, a mais recente do senador Gerson Camata (PMDB-ES). O debate é alimentado por casos de repercussão, como o do doente mental Ademir do Rosário, acusado de abusar sexualmente de meninos na Serra da Cantareira, zona norte, e de ter matado duas vítimas.”

O caso de Ademir, que estava em regressão progressiva da pena, assusta toda sociedade. E deveria ser emblemático para que encaremos de frente a triste realidade do nosso país, onde crianças se prostituem a 1,99 reais.Vi num blog dicas para denunciar, como o site The National Sex Offender Public Registry, que identifica os criminosos em todos os 50 estados americanos, e Censura, Campanha Nacional de Combate à Pedofilia na Internet. Se você não tem tempo para ler faça como eu: deixe os pdf’s no celular e leia no parquinho, na sala de espera do médico, na fila do supermercado, mas leia, não finja que é apenas um tema de seriado americano.

A aplicação de hormônios dificulta as ereções e diminui a libido, prática condenada por advogados e associações de defesa dos direitos humanos. A nós, pais, cabe defender as crianças. E a matéria do Estadão me mostrou que a sociedade tem sua opinião. Uma enquete perguntava: Você é a favor ou contra a castração química de pedófilos? Eram 470 votos (91%) a favor e apenas 44 (9%) contra.

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P.S. Outra campanha para proteger nossos filhos chama-se “The power of parents” (O poder dos pais), lançada em 2006 pelo Centro Nacional de Crianças Desaparecidas e Exploradas e que tem à frente a atriz Jada Pinkett Smith, esposa de Will Smith. Ela escreveu o prefácio de um livro, The Great Tomato Adventure – a story about smart safety choices, que orienta as crianças sobre o mundo que as cerca. Ação verdadeiramente filantrópica, porque o livro é lançamento mas já pode ser baixado em pdf neste link.

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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.

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