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   Revi agora o documentário de Cassia Eller e essa imagem me veio à mente, pois foi uma das que me inspirou mais tarde a ser a mãe que eu acreditava ser melhor para cada um dos meus filhos, sem ceder aos modelos sociais e ao que as pessoas sugeriam, diziam, desejavam.
🙂

Não vi no cinema, mas fiquei curiosa desde que soube que a história de Cássia Eller viraria documentário. 

Dirigido por Paulo Henrique Fontenelle, de Loki, o filme Cássia Eller reúne entrevistas da cantora, depoimentos de amigos e familiares e cenas de shows e bastidores, para explicar quem foi a artista e o tamanho do legado que ela deixou para a música.

Entre relatos de Nando Reis, Zélia Duncan e outros músicos que trabalharam e conviveram com Cássia aparece Maria Eugênia Vieira, mulher da cantora e personagem fundamental na história dela. Além de dividir a vida com Cássia Eller durante anos, Maria Eugênia também é mãe de Chicão, filho da cantora, que tinha apenas 8 anos quando a mãe morreu.

 
Numa semana em que textos defendendo o Estatuto das Famílias foram vitalizados no WhatsApp (😰) e um comercial de perfume motivou comunidades contra a união homossexual, vale reviver o precedente jurídico que esse caso criou, lá em 2002.

  O processo da guarda do Chicão é mostrado no filme como um marco na justiça brasileira. Eugênia falou sobre ele numa entrevista recente:

“Eu tive muita sorte, porque tive o apoio de praticamente toda a família da Cássia. Da mãe, das irmãs, do irmão. A família toda me apoiou muito e acho que isso foi bastante definitivo. E também teve a coisa da verdade da nossa história, a gente tinha muitas testemunhas e documentação que demonstravam a minha relação com ela e com o Francisco desde que ele nasceu. Mas eu passei muito aperto porque pelas leis brasileiras, o avô, que queria a guarda, teria precedentes. Mas como era um caso muito específico, acho que a coisa se resolveu daquela maneira. O que é importante que fique claro é que o que ocorreu foi uma disputa pela guarda do Francisco e que no fim das contas houve uma conciliação, não houve uma decisão do juiz a meu favor. Foi significativo, e abre portas, eu sei. Mas não é que a justiça brasileira decidiu me dar a guarda, o que teria sido muito mais significativo. O que ocorreu é que o advogado do avô do Francisco viu que tinha uma grande chance de perder e resolveu fazer ali mesmo uma conciliação. Eu passei bastante apuro durante esses 10 meses entre a morte da Cássia e a guarda definitiva do Francisco. Mas em nenhum momento passou pela minha cabeça ficar sem ele. E para ele com certeza foi muito difícil também. A mãe tinha morrido. O garoto aos 8 anos era órfão de pai e mãe. Não foi nada fácil para ele, mas a gente teve muito apoio da família, dos amigos, da escola. A gente ficou muito cercado de muito amor durante esse tempo.”

Só digo uma coisa:

Cássia, Chicão, Eugênia… Pessoas + Amor = Família

 E o Chicão cresceu, é a cara da Cássia (e no documentário assusta porque até tem trejeitos e voz que lembra a mãe) e neste ano lança um disco.

Aos 21 anos, o jovem estudante de geografia prepara seu primeiro álbum, com o projeto 2 x 0 Vargem Alta. O disco tem composições inéditas em acabamento acústico, calcadas no blues, no folk e na MPB. Gêneros importantes na educação musical de Chico, que sempre escreveu suas letras em seus caderninhos, mas só de uns tempos para cá tomou coragem para mostrá-las.

 
Gostei de notar (numa entrevista) como ele tem uma cabeça boa:

Como lida com a pressão de ser filho da Cássia?

“Tento não pensar nisso. Mas, cara, para falar a verdade, eu não tenho essa pressão em mim. São as pessoas que trazem. Quanto mais eu consigo me distanciar, mais tranquilo eu fico. Mas tem situações que realmente são chatas. Mas é isso, estamos aí. Eu sou parecido fisicamente com ela, não tem muito o que fazer. Não tenho que esconder de quem eu sou filho.”

O timbre de voz também é parecido. E seu jeito de cantar, principalmente em “Amor pra Dar”, lembra muito o da Cássia.

“Sim. Tem uma influência. Acho que ela é até mais física do que necessariamente puxada para isso. Mas é por aí mesmo (risos).”

É vantagem ou desvantagem ser filho de alguém famoso?

“Por muitos aspectos é muito melhor. Por outros, muito pior. Por exemplo, o lado bom: eu nunca precisei comprar um violão. Sempre havia um violão da minha mãe ali à disposição para eu tocar na hora que eu quisesse. Sempre teve pandeiro lá em casa, tambor. E muitos CDs. Comecei a escutar muita coisa cedo. Sempre esteve tudo lá. O que é ruim é isso. A pessoa vir e querer falar só porque você é filho da Cássia Eller, o que é bem chato (risos).”


  


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 E se você chegou aqui porque gosta da  música de Cássia (que se dizia intérprete – como poucas! – e compôs só 3 musicas na carreira), vale ver o famoso show dela no Rock in Rio III. Nele, a mãe de Francisco interpreta diversas canções de sucesso, como “E.C.T.”, “Pra Galera” e um cover de “Smells Like Teen Spirit”, da banda Nirvana – essa está incrível! O show está disponível no Netflix.


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