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Dona Dita tira RG no Poupatempo PindamonhangabaAos 115 anos, dona Maria Benedita Pereira da Silva saiu da sua casa no bairro Santa Luzia, em Aparecida, no interior de São Paulo, e foi até a unidade do Poupatempo em Pindamonhangaba para renovar sua cédula de identidade. Ela precisou renovar o documento para comprovar ao Instituto Nacional de Seguro Social (INSS) que está viva para continuar recebendo a aposentadoria. O RG antigo foi tirado quando ela tinha 60 anos de idade, ou seja, há 55 anos.

Ela nasceu em 1900 e é considerada uma das mulheres mais idosas do Brasil. Em entrevista a uma emissora de TV, ela disse que o que mais gosta na vida é de ‘usar um vestido bonito’. Como o ano do seu nascimento é o último do século 19, ela está no terceiro século de vida e acompanhou duas guerras mundiais e oito trocas de moedas brasileiras.

Dona Dita é uma das 117 pessoas com mais de 100 anos que tiraram a segunda via da carteira de identidade entre janeiro e julho este ano. Além da prova de vida perante a Previdência Social, outro motivo que leva idosos a providenciar a segunda via do RG é a necessidade de resolver questões referentes a imóveis e instituições financeiras. Para evitar fraudes, bancos exigem documentos atualizados – com menos de dez anos – e em bom estado de conservação.

Dados do Poupatempo mostram que 137 mulheres e 69 homens com mais de cem anos pediram a segunda via do RG em 2014. Nos primeiros seis meses de 2015, foram 80 mulheres e 37 homens. De janeiro de 2013 a julho de 2015, 17.149 pessoas com idade entre 90 e 100 anos tiraram novo RG. No mesmo período, foram 162.126 pessoas com idade entre 80 e 90 anos.

Como a senhora de 115 anos, muitos idosos gozam de boa saúde e podem viver muito bem, surpreendendo a gente. Mas precisam de uma rotina especial, que lhes garanta a saúde física e psicológica.

Eu tive tataravó e cada vez que conto isso, as pessoas se surpreendem muito. Mais ainda quando falo que ela fazia questão de ser independente e por isso morava num lar de idosos, onde podia conviver com seus amigos, velhinhos até bem mais novos do que ela de quem fazia questão de cuidar, como fez até falecer, sem sofrimentos ou doenças. O corpo cansou e ela descansou, simples assim.

Acho que para minha Tatara Carolina o que pesou foi o fato de morar muito tempo numa casa de idosos, de certa forma mais preparada e adaptada para as necessidades da sua faixa etária.

Quer saber o que precisa fazer para ter idosos seguros em casa?

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Veja as orientações do ortopedista e traumatologista da Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo, Fernando Baldy dos Reis. Ele comenta um projeto da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT) com sugestões práticas para uma casa segura.

Quartos:
– A cama precisa ser baixa, permitindo que a pessoa coloque os pés no chão quando estiver sentado;
– A mesa de cabeceira deve estar fixada no chão, caso seja preciso apoiar-se nela para levantar;
– Telefone sem fio e números de auxílio devem ficar sempre na mesa de cabeceira, assim como abajur de toque para facilitar a iluminação.
Dados da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia mostram que 30% dos idosos caem ao menos uma vez ao ano. Além disso, no Brasil, as quedas são responsáveis por 70% das mortes acidentais em pessoas com 75 anos ou mais. No entanto, algumas iniciativas simples no dia a dia podem evitar esse tipo de problema.
Banheiros:
– Barras de segurança fixadas com buchas;
– O banheiro precisa ter espaço para circulação de duas pessoas para facilitar a ajuda ao idoso;
– Portas de acesso devem ter abertura para o lado de fora;
– Box e pisos antiderrapantes;
– O assento para banho deve ser fixo e 0,46m de altura do piso;
– Tapetes de borracha com ventosas dentro e fora do box;
– Trocar o sabonete em barra pelo líquido.
Estudos da Organização Mundial da Saúde mostram que em poucos anos, metade da população mundial terá mais de 50 anos. Doenças como a osteoporose, que chegam silenciosamente após essa idade, podem comprometer a densidade óssea e facilitar que uma em cada três mulheres sofra fraturas causadas por quedas dentro de casa.
Sala de estar e jantar:
– Paredes com cores claras;
– Sofás e poltronas confortáveis com altura média de 0,50m e com profundidade média de 0,70 a 0,80m com braços;
– Os assentos não devem ser muito macios, pois dificultam no momento de levantar;
– As cadeiras devem ter braço de apoio e encosto alto;
– As mesas devem ter bordas arredondadas e sem tapetes embaixo.
Dentre os idosos que caem a cada ano, 5% a 10% destes têm como consequência lesões severas como fratura, traumatismo craniano e lacerações sérias, que diminuem a mobilidade e independência. “As principais consequências são a impotência funcional do membro e a incapacidade de caminhar, principalmente nas fraturas do fêmur, necessitando de tratamento cirúrgico de 24 a 48 horas após a queda, dependendo das condições clínicas do paciente”, explica o ortopedista.
Cozinha e área de serviço:
– Manter pia e bancada na mesma altura do fogão;
– Instalação de torneiras de fácil manuseio, 1/2 volta;
– Armários não muito altos, com objetos mais utilizados nas partes inferiores;
– Barras de apoio instaladas em locais firmes;
– Fogão com botões de controle na parte da frente;
– Carrinhos de rodas ajudam a mover utensílios da cozinha para outros ambientes da casa;
– Copos, pratos e garrafas devem ser, preferencialmente, de plástico ou metal.
No geral:
– Evitar tapetes e fios soltos, cortinas pesadas e pisos escorregadios.
– Interruptores devem ficar próximos das entradas e saídas dos ambientes para facilitar a rápida iluminação.

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